domingo, outubro 25, 2009

Capitalism: a love story. A love doc.

Michael Moore tem um registo. Tem um estilo próprio. É inegável. É incontornável. Pode-se gostar ou odiar mas é exactamente esse o seu objectivo. Mexer com o espectador. O seu mais recente filme pode não ter pormenores de génio mas demonstra que o “Sicko” já tinha mostrado: Moore está mais maduro.

O filme questiona o papel excessivo da ideologia capitalista nos EUA e na sua história. Pessoalmente, não acredito que o sistema esteja em crise ou que haja algo muito melhor. Não confundo, tal como Moore procura demagogicamente fazer, capitalismo e democracia. Não são conceitos que possam ser discutidos pelo mesmo padrão e regras. Um é um sistema económico outro é uma condição de um sistema politico e social. Mas, ao mesmo tempo é impossível não relembrar aquelas palmas no final do filme – mostram que tal como no Paredes Meias o 25 de Abril ainda é jovem nas nossas cabeças e corações. Mostra que para muitas pessoas o povo ainda é quem mais ordena, e que juntos podemos fazer um mundo melhor. Porque como se dizia no filme “um voto continua a ser um voto. E isso (eles) não conseguem mudar e têm medo.”

Confesso que fiquei tocado no filme. Que me arrepia. Que me toca ver as pessoas a ocuparem as suas casas, ver os festejos da vitória do Obama, ver os trabalhadores de uma fábrica questionarem a possibilidade de controlarem todo o processo. Isso foi tentado no PREC e é lindo. Inviável. Impraticável. Impossível. Mas é um sonho bonito. Saí feliz da sala. Por ser Europeu mas também porque uma nova América parece estar a surgir, porque um mundo melhor pode ser possível.

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