domingo, outubro 25, 2009

curtas de outono II

Ele tinha um talento escondido. Muita qualidade, criatividade e um ouvido ímpar. Pena os azares da vida. Falava-se que tinha chegado a tocar num coliseu qualquer e gravara mesmo umas músicas num estúdio. Não fosse o estúdio ter fechado por umas maroscas suspeitas do seu amigo e talvez... A vida dele era assim, feita de azares. Como quando teve um acidente antes da entrada da faculdade e nunca chegou a entrar. Azares. Ou quando os amigos se afastaram medrosos dos seus infortúnios. Hoje toca sozinho. De guitarra na mão à porta de uma igreja decrépita. Triste o retrato dele. O herói de liceu feito pedinte do beco imundo. Foi com todo o prazer que lhe paguei o almoço enquanto ouvia interessado as suas histórias reais. E recordei o quanto o admirava no liceu.

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