quarta-feira, outubro 28, 2009

Escolho a clareira do corpo silencioso.

A folha é escrita como uma paisagem
ainda é o deserto e a noite é próxima!
Mas os sinais despertaram o lugar
onde o silêncio é a consagração da terra.


Escolho a clareira do corpo silencioso.


É um corpo que envolve o corpo.
Posso assinar o rosto desse corpo?
Os sinais sangram enfim e dizem terra.
Escrever é finalmente subscrever o ar
das ervas
e desenhar o sopro com os dedos: amar o corpo.
Amar. Dizer amar: amar o mar
na proximidade do próximo, no ombro
do teu corpo ou no parapeito da terra.

António Ramos Rosa

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