terça-feira, outubro 20, 2009

da minha Lisboa


Lisboa com suas casas



De várias cores,


Lisboa com suas casas  




De várias cores,


Lisboa com suas casas


De várias cores,


Lisboa com suas casas


De várias cores...


À força de diferente, isto é monótono.


Como à força de sentir, fico só a pensar.




Se, de noite, deitado mas desperto,


Na lucidez inútil de não poder dormir,


Quero imaginar qualquer coisa


E surge sempre outra (porque há sono,


E, porque há sono, um bocado de sonho),


Quero alongar a vista com que imagino


Por grandes palmares fantásticos.


Mas não vejo mais,


Contra uma espécie de lado de dentro de pálpebras,


Que Lisboa com suas casas


De várias cores.




Sorrio, porque, aqui, deitado, é outra coisa.


À força de monótono, é diferente.


E, à força de ser eu, durmo e esqueço que existo.




Fica só, sem mim, que esqueci porque durmo,


Lisboa com suas casas


De várias cores.


Álvaro de Campos

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