quinta-feira, outubro 01, 2009

o Buda comenta o discurso presidencial

Habituámo-nos mal.
Tivemos até agora Presidentes que sabiam estar. Porque um Presidente não tem de ser, nem de agir, tem sobretudo de estar. Não é dele que o sistema espera acção, dele espera-se estabilidade. E que se comporte como uma pessoa estável. Cavaco, mesmo depois de ter ganho (é Presidente), continua ressentido. Não perdoa. Não sabe – ou esqueceu-se – que numa campanha não valerá tudo, mas muito vale. Ele tem ou não razão nos assuntos que motivaram a estranhíssima conferência de ontem? Não é isso que importa. O que importa é que ele parece aquelas pessoas que, quando entram no processo de divórcio, não reconhecem uma única responsabilidade na erosão da relação. “Não, ela é que… Eu cá fui sempre excelente, imaculado.”


(Pensando bem, Cavaco nisto representa bem todos os Portugueses.)


E não perdoa. Os antigos e novos rivais continuam a incomodá-lo. Nem saber que ganhou a Mário Soares, e que ele é que o Presidente (e não o cidadão sénior Mário Soares) o parece sossegar. É triste. Dá pena ver. Devia dar alegria, a quem nunca votou nele, mas dá pena. Não é um sentimento agradável.


Mário Soares, Sampaio, Costa Gomes, até Eanes (o mais rígido dos quatro) aprenderam à sua custa que, se é muito bonito quebrar antes de torcer, em política há que saber torcer antes de quebrar. Um Presidente, sobretudo, tem de ser convivial como Mário Soares, bonacheirão como Mário Soares, civil como Sampaio, decente como Eanes, sensato como Costa Gomes.


O actual Presidente, ontem, lembrou aquele soldado das forças especiais no filme O Abismo, que é muito bom mas não aguenta a pressão e… pira.

Rui Zink in Rui Zink versos Livro

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