segunda-feira, novembro 09, 2009

curtas de outono IV

Tenho pena destas pessoas por onde passo os meus olhos pesarosos. Tenho pena dos risos tresloucados de empregadas banhadas em lixívia, barradas a gordura de fritar, enfeitadas a dentes podres. Tenho pena dos velhos quebrados pelo peso da vida e pelas fatalidades da lei da gravidade. Tenho pena daqueles corpos suados de obrais imundos. Deseducados a ferros e madeiras, a mortes e álcool. Tenho pena das crianças fungosas, de unhas de terra e pegajosas doenças.
Tenho asco. De mim. De fazer uma viagem de olhos neles e não ver que me tornei em mais um. Uma metástase de mim mesmo. Um cancro podre desta linha suburbano. Um desvio de olhar a cheirar a casaco de armário.

Sem comentários: