quarta-feira, novembro 04, 2009

um livro é um livro? I

Os cadernos juntavam-se já a um canto. Ocupavam já metade da sala. E pareciam não ter fim. Eram contos e poemas. Crónicas vividas e outras pensadas no fim do dia. Eram conjuntos de palavras que ele tencionava oferecer em cada fim-de-semana a um amigo que conhecia outro que tinha um amigo que trabalhava numa editora.
E, no entanto, eles ficavam sempre a um canto a ganhar pó. Tal e qual os novos livros oferecidos por amigos descuidados que não percebiam que cada vez mais odiava ler.
Ler os livros dos outros. Porque para ele os seus livros eram best-sellers há muito. Não precisava de lombadas brilhantes, nem capas com relevo, muito menos de títulos sexualmente sugestivos. Para ele para ser livro bastava transmitir uma mensagem a outro. Nem que fosse ao eu próprio que se arrependia de nunca entregar um livro aos outros.

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