quinta-feira, novembro 05, 2009

um livro é um livro? II

Fechava a porta com estrondo. Meia hora num trânsito infernal e mais um risco no carro. E a chuva? Fria. Molhada até aos ossos. Mal entrara porta adentro e logo a secretária, que hoje nem vinha com um daqueles decotes, lhe estendia seis livros, ou futuros livros para ler. Seis futuros Nobel, de certeza.
Começou preguiçoso a ler, na diagonal, os vários textos e como habitual entediava-se de morte com este trabalho. Aquelas coisas com palavras nem se venderiam numa livraria alternativa-intelectual. Até que ao sexto livro começaram a ouvir-se moedas e notas a tilintar a cada virar de página. Estava mal escrito, sem dúvida. E tinha dezenas de erros, claramente. A história era piegas, são sempre. Mas, com o trabalho do revisor, um puto novo que está a recibos verdes há um ano e até vende a mãe por um contrato, com um arranjo aqui e ali ficava um brinco.
Está feito! - gritou para a secretária. Temos as vendas de Natal garantidas, pensou enquanto googlava ansioso umas viagens para o Brasil.

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