domingo, fevereiro 28, 2010

onde chega a morte?

berlim 10

parece mesmo que foi ontem


Joey Cape & Jon Snodgrass - Jessica's Suicide (w/ intro) @ Magnet, Berlin (2010.02.20)

história de amor XIX

como se chega a este ponto das nossas vidas onde o futuro é apenas um conceito enciclopédico?
em que momento das nossas vidas deixámos a paixão num triste banco de jardim?
porque deixei de ser o horizonte do teu coração?
respostas compram-se... mas não há supermercado que as venda.

sábado, fevereiro 27, 2010

Pessoa

O site Arquivo Pessoa e a sua versão mais pedagógica Multipessoa recomendam-se vivamente. Ter acesso fácil e livre a mais de seis mil documentos de Fernando Pessoa, heterónimos, correspondência, obras em inglês e português tem obrigatoriamente de ser alvo de um forte elogio. O projecto é de Leonor Areal e vem no seguimento do seu CD-ROM sobre Fernando Pessoa, em 1997. Ontem conheci-o por dentro e na primeira pessoa. E recomendo para uma breve passagem ou para um aplicado estudo. E nem vale a pena dizer mais nada...

vinde à minha mesa

falemos de sentimentos.
falemos de sensações.
falemos de emoções.
porque
hoje não falo de palavras.
hoje não falo de pensamentos.
hoje não falo do que quero.


chamo Caeiro à mesa. sirvo-lhe um bom vinho e um pão ainda quente. falamos.
"ensina-me coisas." - digo-lhe. "estou perdido. não controlo mais as coisas." - confidencio-lhe, enquanto baixo os olhos mergulhados em lágrimas.

"não tens muito mais a saber.
tens todos os sentimentos lá.
eles simplesmente doem
muito mais
do que quando os escrevias em folhas de papel soltas.
hoje é dia de reescreveres
os teus sentimentos.
sem medo.
deixa bater o coração.
sem receio.
cheira-a uma última vez. sente-lhe a pela branca uma última vez. olha-a nos olhos uma última vez.
amanhã logo se vê." - era uma resposta. possível. seria a que queria ouvir?

hoje sinto-me apenas mais um pessoa perdido. sem nenhum génio a acompanhar-me de manhã à noite. só uma dor imensa. e medo da tua vida.

mais música para os vossos ouvidos

 
Kao Johnny... no myspace (link) e no super rock preload (link).
Siga para votos...

sexta-feira, fevereiro 26, 2010

details

 
berlim 10

Nada há de menos latino que um português.

Nada há de menos latino que um português. Somos muito mais helénicos — capazes, como os Gregos, só de obter a proporção fora da lei, na liberdade, na ânsia, livres da pressão do Estado e da Sociedade. Não é uma blague geográfica o ficarem Lisboa e Atenas quase na mesma latitude.
 
s.d.
Sobre Portugal - Introdução ao Problema Nacional. Fernando Pessoa (Recolha de textos de Maria Isabel Rocheta e Maria Paula Morão. Introdução organizada por Joel Serrão.) Lisboa: Ática, 1979.

civiliçassão

sou uma civilização incompleta
feita apenas de mim.
falta-me um tu
a cada passo que dou.

tenho a história dos gregos
na ponta da caneta
aprendida nas frases dos persas
que me contavas antes de adormecer.

não sou presente nem passado,
peixe nem carne,
nem morto nem vivo.
acho mesmo que nem nasci,
ou nasci na canção de outro músico.

tenho um horror à civilização.
às regras de e sobre o amor.
posso escrever palavras e mais palavras
mas não me peças, amor, que hoje escrev
civilização
como quem ama a vida.

é já amanhã...

NOME COMUM
27 FEV 23H30
SOC GUILHERME COSSOUL

pós-berlim

estranha sensação esta que nos enche quando voltamos. é um pensar e repensar do que somos e queremos.
mais estranho ainda quando é tão forte numa estadia de nove meses em paris como numa de oito dias em berlim.
cidade curiosa esta, que se reconstruiu e reidentificou no pós-guerra e no pós-muro. aqui o destruído é marca do passado no futuro que se constrói. aqui o abandonado é oportunidade de todos serem um.
bares, galerias, cafés e associações surgem em edifícios abandonados com uma facilidade e naturalidade que faz pensar porque fecham outros sítios.
para começar talvez a não exigência da perfeição e modernidade. as casas e sítios constroem-se com restos de outros/as. móveis e cadeiras diferentes mas sempre bem conservados. haverá melhor analogia para um país reconstruído e recuperado?
depois é essencial perceber o papel da confiança e respeito entre os alemães. um bar onde se paga o copo e bebe-se o que se quer, deixando no fim o que se quer e se acha adequado é o paradigma da responsabilidade, civismo e sentido de comunidade. é o exemplo máximo do ser berlinense.
comunidade. talvez seja a palavra-chave neste regresso a casa. e uma dúvida: como levar esta ideia para lisboa se só posso levar kgs no porão?

Tragédia e farsa na Madeira

A Madeira foi atingida pela maior catástrofe natural de que há memória desde há cerca de um século. Guardo da infância, nos anos 1950, a lembrança muito viva de outro temporal que fustigou duramente o Funchal e a costa sul da ilha, mas cujas proporções não podem ser comparadas às da tragédia do último fim--de-semana. E recordo também outros acontecimentos semelhantes, nomeadamente em 1993, que voltaram a ilustrar a vulnerabilidade humana perante a fúria da Natureza.
Estava no Funchal no sábado passado, mas nem eu nem nenhum dos meus familiares, amigos ou próximos ali residentes fomos atingidos pela tempestade. Isso não me impediu, porém, de partilhar com eles uma tristeza imensa – essa tristeza que só os naturais de um lugar podem viver tão intensamente, quando a morte e a devastação interpelam as nossas próprias raízes e o sentimento de pertença a uma comunidade e a uma paisagem.
Sei que a solidariedade vinda de fora da ilha não se limitou a um ritual retórico – pelo contrário, representou uma resposta categórica à prosápia separatista do jardinismo –, mas também sei que essa solidariedade começa sempre pelos que se encontram ligados à terra onde nasceram ou reconhecem como sua. A nossa dor será necessariamente mais forte, como mais forte deverá ser a nossa exigência em relação ao apuramento das causas e das responsabilidades por aquilo que aconteceu.

Não tenho dúvidas de que, por mais eficazes que tivessem sido as medidas para prevenir e minimizar as consequências de uma tragédia tão avassaladora, elas seriam, em qualquer caso, inevitáveis e brutais. Mas isso não pode servir para esconder ou desculpar aquilo que, por outro lado, se deve à pura imprevidência e irresponsabilidade humanas. A violência destruidora da Natureza é também a resposta à soberba com que se julgou poder violentá-la e constrangê-la, descurando as suas fúrias cíclicas. A Natureza vinga-se sempre – e de forma proporcionalmente terrível – do desprezo e do desrespeito com que é tratada pelos homens.
São múltiplos os relatórios, avisos e intervenções que, ao longo dos tempos, se fizeram – muitos deles com a assinatura de peritos de reputação inquestionável – sobre o caótico desordenamento do território, as urbanizações selvagens, a desflorestação das serras, a ocupação e afunilamento dos leitos das ribeiras, a volumetria absolutamente desproporcionada de edifícios construídos em áreas mais sensíveis (recorrendo-se, para o efeito, à subversão sistemática das regras urbanísticas a troco de escandalosas cumplicidades com um círculo fechado de interesses privados e politicamente ‘amigos’, como acontece na capital da ilha). Os casos dos centros comerciais Dolce Vita ou Anadia, na origem dos estrangulamentos que proporcionaram algumas das destruições e inundações mais catastróficas da baixa da cidade, são um exemplo dessa imperdoável e criminosa irresponsabilidade política.

Basta ver a desfiguração do litoral sul da Madeira ao longo das últimas décadas e, concretamente, da paisagem do Funchal ou outras povoações mais afectadas pelos aluviões de sábado, para se perceber como a ‘monocultura’ da construção civil e dos lóbis político-económicos com ela relacionados se foi impondo, com uma ganância insaciável, às normas mais elementares do equilíbrio urbano e paisagístico. Assim se escreveu na Madeira a crónica de uma tragédia anunciada.
Foi o preço de um ‘modelo de desenvolvimento’, assente no totalitarismo do betão e na agressão bárbara ao equilíbrio natural, com a obsessão pelos túneis, vias rápidas ou marinas que ultrapassaram há muito a utilidade das ligações rodoviárias ou das necessidades turísticas para se transformarem num monstruoso sorvedouro de dinheiro em benefício de uma oligarquia protegida pelo poder político regional.
Agora que a reconstrução é a palavra de ordem, resta saber se os trabalhos de Hércules previstos para concretizá-la irão beneficiar os mesmos que contribuíram, em larga escala, para criar alguns dos factores críticos que proporcionaram o desastre. Seria a ironia da tragédia e a prova de que o crime compensa.

José Sócrates fez o que devia ter feito, ao tomar a iniciativa de deslocar-se prontamente à Madeira e superar os diferendos que o opunham ao presidente do Governo Regional. A tragédia da Madeira não podia deixar de ser vivida como uma tragédia nacional e as quezílias provocadas pela lei do financiamento das Regiões Autónomas tinham-se tornado um episódio quase irrisório perante a dimensão da catástrofe.
Mas esta súbita reconciliação entre dois homens desavindos e em notórias dificuldades políticas (Sócrates com a sua credibilidade profundamente afectada a nível nacional; Jardim já muito vulnerabilizado com os constrangimentos draconianos ao endividamento regional) não deixa, por isso, de soar a falso, acabando por parecer a história de dois náufragos que se agarram um ao outro à espera do salvamento mútuo.

Há assim o risco de a tragédia se converter em encenação hipócrita e farsa política. À custa da tragédia, Jardim pode recolher os milhões de que tanto precisava para continuar a financiar a sua «máquina de guerra do desenvolvimento». Nada indica – antes pelo contrário, se recordarmos o que aconteceu em 1993 – que tenha aprendido seja o que for. Agora, passa a ter as mãos livres para fazer o que quiser e assumir o estatuto de ‘general’ da recuperação da Madeira, sem obrigação de responder perante ninguém. E quem ousa evocar as previsões feitas sobre os riscos de uma calamidade continua a ser tratado de «miserável», «canalha» ou «traidor».
Quanto a Sócrates, conquista um providencial balão de oxigénio para aliviar a pressão dos casos que o asfixiam e tentar recuperar a credibilidade como político humanamente sensível às dores da nação.
Mas a tragédia da Madeira foi demasiado grave para proporcionar uma dupla farsa de hipocrisia, branqueamento e impunidade política.

Vicente Jorge Silva in Sol

história de amor XVIII

em cima da mesa. a um canto de uma folha de jornal rasgado. palavras escritas à pressa.

"querida s.

devíamos tentar. não é fácil. mas devíamos tentar. lá fora é sempre assim. tenta-se. ganha-se. ou perde-se e segue-se em frente. devíamos tentar.
espero-te no comboio desta noite.
beijo.

do teu t."


só isto. ela leu e releu. e não conseguia tomar uma decisão. talvez devesse tentar. mas custava tanto...

again?



Sonnet by The Verve

quinta-feira, fevereiro 25, 2010

callema #7

 
TERTÚLIA DE APRESENTAÇÃO DE CALLEMA 7
"Fernando Lopes | Dar tempo ao tempo"
5 de Março (sexta-feira), 21h00
Mar Adentro Café
Rua do Alecrim, 35

quarta-feira, fevereiro 24, 2010

a walk

My eyes already touch the sunny hill.
going far ahead of the road I have begun.
So we are grasped by what we cannot grasp;
it has inner light, even from a distance


and charges us, even if we do not reach it,
into something else, which, hardly sensing it,
we already are; a gesture waves us on
answering our own wave...
but what we feel is the wind in our faces.

Rainer Maria Rilke
Translated by Robert Bly

goodbye berlin... i'm leaving the snow behind

berlim 10

e hoje na ementa...

parece que para a despedida reservaram-me neve. não está mau, não.

terça-feira, fevereiro 23, 2010

sábado à noite...


Joey Cape, Tony Sly & Jon Snodgrass - Linoleum @ Magnet, Berlin (2010.20.02)

segunda-feira, fevereiro 22, 2010

Holocaust-Mahnmal

 
berlim 10

de brandemburgo

passo as portas.
o vento aumenta.
as pessoas passam rápido por mim. são os turistas atarefados.
e eu aqui.
olhando lado a lado os dois lados duma cidade.
olhando o passado e o futuro.
passo as portas.
não há jeito.
não há volta a dar.
passo as portas.
o vento aumenta.
mas nada muda.
bancos e lojas de luxo amontoam-se a um canto.
e nada de novo a leste.

sábado, fevereiro 20, 2010

hit-parade

 by Christine

já tinha deixado passar isto...

eu nem gosto de LOST... mas isto assim está 5 estrelas, categoria, espectáculo... e tudo faz mais sentido.

via blog do desassossego

é um novo dia

fecha o ciclo e arranca rua fora.
não olhes mais para trás e segue em frente.
é um novo dia.
é hora de sentir o frio na cara.
a chuva no cabelo.
o sol quente da manhã.
e pensar que até foi bom.
este doce passado.
que hoje se cerra.
porque hoje
é um novo dia.
e sorri. sorri sempre.

Isto está mau! A AMI vem aí!

Sebastião Salgado, o grande fotógrafo brasileiro, escolheu contar-nos o mundo atormentado. A fome no Sahel, os garimpeiros da Serra Pelada, crianças esquálidas, mães de olhar palúdico. Mesmo quando ele está no Primeiro Mundo sucede-lhe passar tangentes a desgraças: Sebastião Salgado fotografou a tentativa de assassínio de Ronald Reagan, em 1981. O branco só está lá para dar ênfase ao negro nas suas fotos a preto e branco. Num dia em que ele foi a Buenos Aires, um jornal argentino titulou: "Isto está mesmo mal: Sebastião Salgado desembarcou ontem!" Foi no que pensei quando soube que Fernando Nobre, o presidente da Assistência Médica Internacional (AMI), se candidatou a presidente de Portugal: "Meu Deus, isto já só vai lá com assistência humanitária?!" O País ficou em transe. Antigamente, havia o terramoto e aparecia Fernando Nobre, agora é Fernando Nobre que causa o terramoto. Sopram- -me que é Mário Soares que está por trás da candidatura. Eu já desconfiava. Soares sempre disse: "Mon AMI..." Só que pensávamos que era Miterrã e é Nóbrê. Nos adversários, um é Alegre mas tem cara de empertigado e o outro é Cavaco mas é de poucas falas. Fernando é Nobre e é monárquico. Termos um nome no boletim de voto que não mente já é positivo. 

Ferreira Fernandes in DN, 20 fev 10

abre-se a janela..

Berlim 10

sexta-feira, fevereiro 19, 2010

sou importante (só por osmose)

Sinto-me fascinado por pertencer à mais poderosa Imprensa do mundo. Nas televisões e jornais portugueses pode faltar tudo, reportagens, bom gosto, palavras coerentes, compaixão, ironia, tudo, até gente, mas não falta quem valha milhões. E não falo de patrões de Imprensa, falo de jornalistas. Desses, que em todo o mundo se compram com salários medianos, por cá têm legitimamente (ou, ouvindo-os, assim parece) o rei na barriga. Então não é que temos uma pivot televisiva por causa da qual um governo empurrou a PT para comprar a TVI por 150 milhões de euros?! 150 milhões parece-vos muito? Amigos, ainda estamos em peanuts, que é como a CNN diz amendoins quando fala da compra da Saab. O Toyota dos jornalistas portugueses acaba de dizer numa comissão parlamentar que o seu patrão perdeu um negócio de 10,7 mil milhões por causa dele. A última vez que uma administração me chamou à pedra por dinheiro tinha eu bebido Coca-Colas a mais do bar do quarto de hotel. Calculo o pó que Belmiro deve ter ao meu camarada José Manuel Fernandes. Mas o interessante é que a mais poderosa Imprensa do mundo quando vai ao Parlamento diz: "Eu sofri pressões e isso é normal" ou "eu sofri pressões e isso não é normal"... Achismos como os do reformado apanhado pelo microfone de um repórter de rua.

Ferreira Fernandes in DN, 19 jan 10

terça-feira, fevereiro 16, 2010

hoje sinto-me assim... demasiado exposto ao mundo


by Planeta Tangerina

adeus

Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.

Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.

Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus.



Eugénio Andrade

segunda-feira, fevereiro 15, 2010

UM JOGO ENTRE LINHAS - SELECÇÃO NACIONAL

Grupo Porto Editora
Continuam a ser líderes no segmento escolar e paraescolar, com larga vantagem. Como pretendem manter essa posição, continuam a investir. Apresentam-se igualmente, e cada vez mais, como um player a ter em conta nas edições gerais. Estão a apostar no retalho – convencional e online – e revelam uma invejável preparação para o mercado digital.

Herberto Helder, Vergílio Ferreira, Agustina Bessa-Luís, Jorge de Sena
É uma defesa de sonho do património literário português. Já não correm como corriam, mas continuam a dar solidez a qualquer catálogo. Há que saudar, por isso, as cuidadas edições de Herberto Helder na Assírio & Alvim e as reedições, também cuidadas, da obra completa dos outros três escritores (algo esquecidos e marginalizados por um país que nunca tratou bem os seus melhores).

António Lobo Antunes
É também um dos grandes defensores da língua portuguesa. Um rochedo. Já não marca tantos golos, e às vezes já nem isso se lhe pede. Só que jogue. Passa jogador, não passa a bola. E com ela faz o que quer.

valter hugo mãe
Extremo literário, é um dos grandes trunfos da literatura portuguesa. Protagonizará em breve uma das principais transferências do campeonato.

Mia Couto
O estilo muito próprio tem dificultado a sua internacionalização. É um dos casos em que uma carreira profissional paralela tem sido essencial para poder manter-se em jogo.

José Eduardo Agualusa
Extremo criativo, tem-se assumido pela solidez da obra e dos golos que marca. Largamente disputado, esteve quase a mudar-se da equipa que o formou – e onde singrou para a escrita.

João Tordo
Jovem que viu o seu mérito reconhecido esta época com a atribuição do Prémio José Saramago (com quem faz dupla atacante). Espera-se que seja um dos jogadores mais disputados do mercado a breve trecho.

José Saramago
Pela esquerda. Sempre. É o capitão de equipa e por isso protesta muito. Podia estar na defesa, mas continua a marcar demasiados golos. Há quem defenda que deveria alinhar pela equipa adversária – um clássico.

Suplentes
Miguel Sousa Tavares: ainda à espera da consagração como titular. É pouco utilizado como exemplo nas palestras dos treinadores, mas festeja muitos golos. Sempre que entra, resolve. M. S. T. podia ser o Liédson, mas não passa do Mantorras da literatura portuguesa.
Pedro Vieira: à espera de uma oportunidade, é um jovem de quem muito se espera.

Equipa técnica
Eduardo Lourenço (um senhor treinador): o grande patrono do que é ser português. A sua voz é ouvida por todos os jogadores.
Manuel Alberto Valente (adjunto e olheiro): em pesquisas, reuniões e jantares tem descoberto autores goleadores. Mas também defesas sólidos, com pendor atacante. Pela sua grande capacidade de adaptação a diferentes ambientes, é o relações públicas da Selecção Nacional.
Maria do Rosário Pedreira (preparadora física): cura lesões, acelera recuperações. Implacável, exige sempre mais. É uma grande aliada dos jogadores. Das suas mãos nasceram recuperações quase milagrosas e algumas consagrações. Tem especial pontaria para o Prémio José Saramago, que raramente lhe foge. Cartão vermelho para o estilo e para a forma como trata alguns jogadores, deixando-os lesionados para o resto da vida.

Paulo Ferreira via Blogtailors

domingo, fevereiro 14, 2010

apenas mais uma notícia

"chegou a primavera mais cedo."
ela leu a notícia e saiu disparada.
apetecia-lhe sentir novamente o vento morno nos cabelos, a aragem nas pernas semi-despidas, o verde feito cheiro.
pegou na bicicleta e correu meia cidade. procurou os jardins que se enchiam de flores novamente.
procurou os namorados que se reviam. procurou as bolas com crianças nas costas.
passou pontes e cruzou canais. e nunca amsterdam lhe pareceu tão bonita.
seria a sua nova primavera. uma nova oportunidade.
e contudo a porcaria da chuva molhava-lhe os ossos.
e contudo a merda do vento enregelava-lhe os pés.
e contudo a puta dos travões não lhe responderam naquele último semáforo.
e contudo...

numa dessas ruas perdidas

ele andava com passos largos,
numa dessas ruas perdidas. 
eram passos dançantes. sempre ao ritmo da música que tocava ligeira no ipod.
agora era um grupo novo. daqueles que até dão na rádio.
mas sempre com alguns meses de atraso.
era sempre. sempre assim. como os passos dançantes.
a música saltava de banda em banda. e sempre o mesmo gosto. a mesma qualidade.
valia a pena ouvir aquela playlist.
devia ser assim a vida, pensou ele.
uma lista feita à partida, sem enganos nem más escolhas.
devia ser assim a vida, pensou ele.
uma vida feita de shuffling.
e sempre. sempre um final feliz. como a compilação que ela lhe fizera naquela noite de inverno.

"O amor vence sempre" em 10 pontos

Então tem algum jeito o Dia dos Namorados calhar a um domingo? Claro que isso tinha de se reflectir na economia. Mas nada de desânimos. O amor é a coisa mais linda que há no mundo. Eis dez razões para acreditarmos no poder do amor:
1. O amor é um sentimento positivo que promove a paz no cosmos, ao contrário do futebol, que só causa stress.
2. As canções de amor, mesmo quando esganiçadas nos Ídolos, são geralmente melhores que as de ódio. E que as de apatia.
3. É certo que todas as cartas de amor são ridículas. Mas ainda mais ridículo é não as escrever. O amor vence sempre.
4. Fazer amor emagrece. É como ir a um ginásio, com a vantagem de não ser preciso apanhar pé de atleta ou um “personal trainer”. O amor vence sempre.
5. É verdade que os desgostos de amor engordam, eu sou a triste prova disso. Por outro lado, não há melhor desculpa para nos empanturrarmos de chocolates. Ou, melhor ainda, afogar em álcool.
6. Ninguém dá por nada se plagiarmos um aforismo de amor, como fiz no ponto 3, desde que citemos autores conhecidos só de nome, tipo Fernando Pessoa. O amor vence sempre.
7. O amor cega. Temporariamente, é um facto, mas enquanto a outra pessoa não nos descobre os defeitos, lá vamos cantando e rindo. O amor é o maior.
8. Quando correspondido, o amor é a coisa mais linda do mundo. Quando não é correspondido também está bem, é de maneira que não temos de mentir em casa.
9. O amor quebra barreiras. Estudos científicos provam que um assaltante enamorado é 3,6% mais eficaz no exercício da sua profissão que um colega armado apenas de uma caneta de administrador.
10. E mesmo que a nossa cara-metade nos engane ou peça o divórcio, cadê o problema? Você perde mas o amor continua, só que agora já não é por si. Amor um, você zero. O amor vence sempre.

Rui Zink in Rui Zink versos livro

Sou português, tenho 28 anos, curso e mestrado

Um jovem de 28 anos que terminou o seu curso, fez um mestrado, tem uma boa preparação, sabe falar línguas, domina as novas tecnologias, não tem hoje emprego. Na melhor das hipóteses, encontra um lugar numa agência imobiliária, onde ganha à comissão ou, em alternativa, espera-o uma fritadeira ou o balcão de um qualquer fast-food num centro comercial. Vive em casa dos pais porque não consegue sustentar-se sozinho, convive com amigos que estão na mesma situação, desiste de si próprio, dos outros, da comunidade, do País.
Este jovem engrossa hoje em dia as fileiras dos desesperançados da vida, dos frustrados, dos que perguntam a si próprios porque é que durante anos e anos se esforçaram, se levantaram cedo para ir para a escola, para o liceu, para a universidade. Dos que perguntam a si próprios por que motivo tantos Bons, Muito Bons, Excelentes, notas que foram tão difíceis de obter, afinal deram em nada, em zero, em Não Satisfaz. E dos que perguntam a si próprios porque é que outros, sem as mesmas qualificações, conseguem obter o que a eles lhes está vedado. A sua insatisfação é uma doença que alastra, que mina o País, que não permite construir uma sociedade saudável, pronta a encarar o futuro com energia e vontade de vencer. Ter uma boa formação ainda não é uma vantagem. É, pelo contrário, um desespero. Muitos deles, os mais corajosos, partem. São os próprios pais que os incentivam a fazê-lo, que lhes dizem que é preferível assim, pode ser que um dia isto melhore, que possas voltar, que tenhas aqui o reconhecimento que mereces. Longe do País, com uma ocupação, uma outra vida, acreditam que Portugal fará um dia parte do seu destino, não sabem quando, nem como, mas acreditam. Uma das características que os une é a da projecção de uma realidade nacional que gostariam que existisse. Portugal, na boca destes rapazes e raparigas que vivem fora, por exemplo, em Madrid, é a terra das oportunidades, da qualidade de vida, do sol, do mar, dos poetas, da boa comida, dos sonhos. Qualquer estrangeiro que os oiça, que partilhe com eles trabalho ou lazer, sabe que tem de visitar este país magnífico, de gente boa, tolerante, que se abre ao mundo, que tem muito para dar. Os que partem, infelizmente, são os que melhor constroem a imagem de um país que não lhes soube dar a oportunidade de mostrarem o que valem na sua própria casa. São os que têm a percepção de que as bases existem, mas que os alicerces estão podres. São os que se recusam a aceitar o uso de expressões tão tipicamente portuguesas como o "vamos andando" ou o "somos assim" e o "isto já faz parte de nós". São a esperança que tem de regressar.

Maria de Lourdes Vale in DN, 14 fev 10

nota: O meu cenário não é tão negro... ainda não tenho 28, estagio no que foi a minha área de formação, quando terminar o estágio sigo para uma tutoria numa universidade, estou a meio de um mestrado com alguma saída, criei um projecto de raiz com amigos que não trará dinheiro mas reconhecimento e prazer, e contudo percebo muito bem este drama. Eu já trabalhei num call center durante meses, imobiliária durante horas e estive à experiência em experiências bem duvidosas. O que aprendi com isto?

Que não faz assim tanto sentido falar das potenciais escutas socráticas ou das burrices ferreiristas, quando temos coisas mais importantes a fazer em nossa casa. Que não faz assim tanto sentido falar-se em situações de compromisso para o país dos principais partidos quando é tudo fachada. Que não faz sentido criticar-se os políticos e não mudar nada no nosso jardim. Porque ele não é nosso. É o quintal de todos. Pode cheirar a lugar-comum... mas é a maior das verdades. Separados, todos separados, vai ser muito mais difícil...

não está

não está a ser fácil
deixar-te.

sou eu, tu e uma história.
sem final feliz.
sem memória do primeiro dia.


não está a ser fácil
deixar-te.


somos nós.
os romeu e julieta do amanhã.
nós e a nossa história.


não está a ser fácil
deixar-te.


ouve.
encontra-me um novo escritor
que eu levo-te um ilustrador.
façamos agora um novo livro infantil.
cheio de princesas e príncipes.
repleto de finais felizes.

porque


não está a ser fácil
deixar-te.



dança... nesta noite fria


Uprising/In Your Rooms é um espectáculo constituído por duas peças de Hofesh Shechter, coreógrafo israelita radicado em Londres e vencedor de inúmeros prémios. Em Uprising/In Your Rooms, 17 bailarinos e 20 músicos, que interpretam ao vivo composições de Shechter, criam um espectáculo de grande ritmo e fisicalidade.

in Diário Económico

história de amor XVII

"Ela não é nada para mim. Já o disse mil vezes." - gritou-lhe.
Maria não aguentou mais. Bateu com  a porta.
Deixou atrás de si um silêncio incómodo. Ele esperou um pouco. Só um pouco mais. Apanharia o primeiro comboio da manhã seguinte. Eram sempre assim as suas noites de domingo.

quinta-feira, fevereiro 11, 2010

The District Sleeps Alone Tonight


by The Postal Service

quem és tu de novo?

"quem és tu de novo?"
a pergunta velha em hábitos antigos.

que fazes aqui outra vez?
a dúvida que pesa neste tempo que virou pesadelo.

porque viraste tu fantasma do passado?
sem resposta.
como antes.
és um "livro de respostas" de páginas rasgadas.
e não há forma de te encontrar o índice.

quem somos nós?
para quê um plural quando nada de bom se lê no passado.

que fazemos aqui?
sentados num banco de jardim
lascado, enferrujado e enrugado
tal e qual as nossas memórias
que insistes em trazer em cada final de sexo solitário.

porque falas em fantasmas?
se os meus dias são tão reais. tão cheios de chuva no inverno, vento no inverno, suor no verão.
e sem um único dia de primavera daqueles que cheira a amor sem fim.

amo o previsível.
e odeio o teu "livro de instruções" em branco. não lhe encontro mais uso. nem a ti. nem a mim.
e fico assim imóvel.
e sereno.
perante os teus berros furiosos que passam ligeiros, feitos caravanas a caminho dum algarve qualquer.

on a rainy day

by Jean-Jacques Sempé

fumar ao espelho

Aos cinquenta anos dei por mim a fumar ao espelho e a perguntar E agora, José. Fumar ao espelho, qualquer José sabe isso, é confrontarmo-nos com o nosso rosto mais quotidiano e mais pensado. Por trás, em fundo, tem-se um cenário do presente imediato (a porta do quarto, um cabide vazio) mas esse presente, logo à segunda fumaça já é passado (a porta desfez-se, o cabide voou) e tanto mais passado quanto mais mergulhamos no cigarro. O olhar envelheceu, foi o que foi.
E então, por mais que a gente diga que não, começam a aparecer as pegadas históricas do Dinossauro que nos andou a foder a vida durante cinquenta anos. Adivinhamo-las à super- -superfície do vidro, são manchas fósseis, gretadas, então não se vê logo?, e, escuta à distância, ouve-se o carrossel do medo. Aqui e ali vão-se levantando farrapos do muito que em nós se adiou e do muito que em nós se morreu, e nalguns casos podemos até distinguir o traço de liberdade que abrimos com os nossos livros nessa desolação prolongada. Pronto, estamos feitos, José. De agora em diante começa o rememorar, devias saber.

José Cardoso Pires

outros olhares de lisboa


lisboa 10

Etiqueta de Ópera

1. Por favor chegue a horas. Esteja no seu lugar antes que a cortina suba. Então levante-se e saia.
2. Não pateie nem apupe antes do início do espectáculo. Isso apenas fará com que pareça tolo. Espere pelo menos quinze minutos. Isso fará com que pareça entendido.
3. Tente não falar durante o espectáculo: aguarde o intervalo. Esta regra não se aplica, evidentemente, se conhecer a pessoa com quem está a falar. Se o leitor é um dos membros do elenco, experimente cantar em vez de falar.
4. Regra geral, a morte dá-se muito devagar nos espectáculos de ópera; caso se sinta mal, é seguro esperar pelo intervalo antes de chamar uma ambulância.
5. Se ocorrer uma morte em palco, por favor seja paciente: não se manifeste antes que as luzes se apaguem por completo. No teatro de ópera, os moribundos chegam a reanimar-se três ou quatro vezes antes de por fim se finarem, e não é invulgar que um homem a quem partiram as pernas e deram três tiros nas têmporas assuma de novo, e por vários minutos, a posição erecta. Se as luzes se apagarem por completo e continuar a ouvir música, consulte urgentemente um oftalmologista.
6. Por favor não trauteie nem acompanhe a melodia com sussurros, a não ser que se chame Glenn Gould.
7. Não use leitores de mp3, ou outros aparelhos de emissão de som com auriculares, durante o espectáculo. Isso pode dar aos artistas a sensação de que não está interessado no seu desempenho. Os auscultadores impedi-lo-ão também de tomar nota do que vai acontecendo de forma a poder, mais tarde, denunciar fífias ao maestro e ao encenador.
8. Desligue telemóveis, pagers e outros aparelhos produtores de ruído. “A minha mãe pode precisar de me ligar” não é uma desculpa aceitável. Nos maiores teatros de ópera de certos países, contudo, o uso de armas é permitido. Informe-se das condições com antecedência.
9. Faça as suas necessidades antes da subida da cortina, ou ficará exposto perante toda a assistência.
10. Leia o enredo da obra antes de ir ver o espectáculo. Isso deve demorar entre um e três minutos para uma ópera de três horas e meia, contando com o tempo para ir buscar os óculos.
11. Dê livre azo às emoções que a música e o enredo lhe suscitarem. Isto é muito mais fácil de conseguir num camarote.
12. Deixe-se enlevar pela história e pela música. Desfrutará melhor o espectáculo se conseguir uma suspensão da realidade. Por favor note que o tempo diegético e o tempo real não têm a mesma duração. É bem possível que, ao sair do teatro de ópera, perceba que passaram vários anos e lhe nasceu um sem-número de filhos.
13. Não atire garrafas de água e outros objectos para o fosso da orquestra. Há pessoas lá dentro.

Bandeira in Bandeira ao Vento

até no vazio te encontro

até naquela praça deserta que rasgo ao meio
sinto os teus passos.
até naquele largo de igreja, sem vivalma alguma,
oiço as tuas palavras ao toque das badaladas da noite.
até naquele jardim florido
sinto o teu perfume.
até no livro fechado em cima da mesa
vejo os teus olhos.
até na canção pop da rádio
oiço a nossa própria música.

são letras e notas dum poema distante.
longínquo e estranho na voz de outro.
é sempre assim.
um silêncio confortável que me protege das palavras que temo dizer.
aqui e agora, ao teu ouvido.
um beijo. aqui e agora.


nota: soubesse eu transformar as palavras em cartas de amor...

quarta-feira, fevereiro 10, 2010

novo dicionário de português-turco e de turco-português

Um novo dicionário de português-turco e de turco-português, da autoria da professora Inci Kut, acaba de ser posto à venda na Turquia, numa iniciativa da editora Inkilap.

A obra, a mais desenvolvida do género disponível no mercado turco, contou com a colaboração dos três últimos leitores do IC na Universidade de Ancara – incluindo o actual titular do leitorado, Mário Tiago Paixão.

Inci Kut é autora de vários dicionários e gramáticas de língua turca e espanhola (a sua área de especialidade). Na área do português é responsável também pelo dicionário de bolso Inkilap.

Esta última obra, que vai aliás ser alvo de uma reedição revista, com actualizações e eliminação de incorrecções, num trabalho que também conta com a colaboração do leitor Mário Tiago Paixão, está na origem do dicionário agora editado, segundo relata Inci Kut.

A decisão de preparar o dicionário de bolso surgiu quando, há alguns anos, soube pelo embaixador da Turquia em Portugal, um amigo seu, que iram abrir cursos de Português e Turco em Ancara e Lisboa, respectivamente. «Levei cerca de um ano a preparar um pequeno dicionário básico com a ajuda do meu conhecimento avançado da língua espanhola», diz.

«O embaixador português ajudou-me a entrar em contacto com o leitor português, que era na altura o sr. [Eduardo] Mendonça. Ele ajudou-me com a fonética. Mais tarde o embaixador disse-me que devia preparar uma versão maior do dicionário, pelo que alarguei a existente e acrescentei uma parte de gramática muito maior para ambas as línguas», contributos que agradece aos leitores Daniel Basílio e Mário Tiago Paixão.

Inci Kut nasceu em Ancara e estudou Língua e Literatura Inglesa na Universidade local. Mais tarde estudou Filologia Espanhola na Universidade de Varsóvia, publicando juntamente com o marido vários dicionários de espanhol-turco e turco-espanhol e gramáticas para a aprendizagem de espanhol por falantes de turco e de turco por falantes de espanhol.

É também tradutora de obras da literatura espanhola e latino-americana, sendo responsável por dar a conhecer ao público de língua turca 50 romances, entre os quais a maior parte das obras de Garcia Marquez e de Isabel Allende. Também traduziu as As Pequenas Memórias de José Saramago.

Presentemente, está a preparar uma gramática de Português para estudantes turcos, cuja conclusão prevê até final do ano.

Com mais de 550 páginas numa edição de capa dura, o novo dicionário destina-se ao público em geral, mas visa em especial os alunos do ensino superior.

O Dicionário standart português-turco, turco-português, este é o ’nome oficial’, conta com mais de 30.000 entradas, a identificação de categoria gramatical e transcrição fonética, segundo refere Mário Tiago Paixão, cuja colaboração se centrou na elaboração de parte do apêndice e em algumas entradas lexicais, sempre que para isso foi solicitado.

A obra apresenta ainda um extenso repertório lexical, que abrange exemplos de uso e termos de disciplinas especializadas, como a medicina, a linguística, a música, a informática, etc.

Além disso, nos seus apêndices, o dicionário contém informações gramaticais, portuguesas e turcas, a saber: modelos de conjugação de verbos regulares e irregulares, locuções, etc.

No mercado turco existem dois pequenos dicionários de bolso português-turco e de turco-português, um publicado pela editora Fono e outro pela Inkilap.

A editora Inkilap, em turco Inkilâp Kitabevi, é uma das grandes editoras turcas, com um catálogo que vai do romance aos livros de culinária.

De particular interesse é o destaque dado pela editora aos dicionários e outro material didáctico. Dicionários de outras línguas-turco, turco-outras línguas têm sido publicados e são muito populares em especial entre alunos do ensino superior.

- http://instituto-camoes.pt/turquia/publicado-novo-dicionario-de-portugues-turco.html


"Gostaria de expressar o meu mais sincero agradecimento ao Sr. Eduardo Mendonça, ao Sr. Daniel Silva Basílio e ao Sr. Mário Tiago Paixão pelo vosso grande auxílio na elaboração deste dicionário". - Prof. Dra. Inci Kut


COMPRE EM: http://www.inkilap.com/kitap_detay.asp?eylem=kitap_detay&id=3826

via M. Tiago Paixão

terça-feira, fevereiro 09, 2010

sounds of rebirth

como musicar as tuas últimas palavras? uma questão. a ecoar toda a manhã. entre quatro paredes vazias. paredes vazias. onde antes se encaixavam fotografias, desenhos, polaróides, e pinturas que um a um te oferecemos. numas pardas paredes sem graça.

a manhã virou tarde. fresca. com alguns salpicos à mistura. nos ouvidos uns phones que se faziam envelhecidos a cada minuto. era sons de outros que agora ouvia. procurando o que poderiam ser as notas certas. perfeitas. para ilustrar aquelas letras.

a tarde virou noite. é sempre assim. irreversível. e eu sentado num dos braços do sofá a ouvir o tic-tac. cigarro aceso no cinzeiro. eu que nem fumo. apaixonado pela dança quente do fumo daquele cigarro.

só então percebi. a música esteve lá o tempo todo. nos teus passos. no teu riso. nas notas dos outros que nos ofereces todas as manhãs. porque tu és uma doce cantilena pela manhã.

parabéns!

segunda-feira, fevereiro 08, 2010

domingo, fevereiro 07, 2010

o vazio

O vazio. Ante os olhos fixos. Fixando-se onde podem. Ao longe e ao largo. Ao alto e em baixo. Aquele campo estreito. Não saber mais. Não ver mais. Não dizer mais. Só aquilo. Só aquele muito pouco de vazio.

"Últimos Trabalhos de Samuel Beckett", de Miguel Esteves Cardoso

sugarcube


Yo La Tengo

das palavras encontradas num caderno por encontrar

"as palavras brotam-me novamente. não foi a pressão que desapareceu. foi a angústia que voltou.
é sempre assim em cada fim de ciclo.
uma dor continuada presa a palavras que crescem desvairadamente. se é bom? não sei. nunca sei nada."

vou estar sozinha na noite

vamos fazer uma pausa.
pára. escuta. olha.
o que está feito? erros de principiante
encaixados em palavras bonitas.
parar. pensar. respirar, fundo.
o que é isto agora?
confusão.
pausa.
sinto que meti o dvd errado
e não encontro mais a caixa certa.
talvez amanhã seja mais fácil.
esperemos.

If I ever feel better


Phoenix - If I Ever Feel Better


They say an end can be a start
Feels like I've been buried yet I'm still alive
It's like a bad day that never ends
I feel the chaos around me
A thing I don't try to deny
I'd better learn to accept that
There are things in my life that I can't control


They say love ain't nothing but a sore
I don't even know what love is
Too many tears have had to fall
Don't you know I'm so tired of it all
I have known terror dizzy spells
Finding out the secrets words won't tell
Whatever it is it can't be named
There's a part of my world that' s fading away
You know I don't want to be clever
To be brilliant or superior
True like ice, true like fire
Now I know that a breeze can blow me away
Now I know there's much more dignity
In defeat than in the brightest victory
I'm losing my balance on the tight rope


Tell me please, tell me please, tell me please...If I ever feel better
Remind me to spend some good time with you
You can give me your number
When it's all over I'll let you know


Hang on to the good days
I can lean on my friends
They help me going through hard times
But I'm feeding the enemy
I'm in league with the foe
Blame me for what's happening
I can't try, I can't try, I can't try...
No one knows the hard times I went through
If happiness came I miss the call
The stormy days ain't over
I've tried and lost know I think that I pay the cost
Now I've watched all my castles fall
They were made of dust, after al
lSomeday all this mess will make me laugh
I can't wait, I can't wait, I can't wait...


If I ever feel better
Remind me to spend some good time with you
You can give me your number
When it's all over I'll let you know


If I ever feel better
Remind me to spend some good time with you
You can give me your number
When it's all over I'll let you know


It's like somebody took my place
I ain't even playing my own game
The rules have changed well I didn't know
There are things in my life I can't control
I feel the chaos around me
A thing I don't try to deny
I'd better learn to accept that
There's a part of my life that will go away


Dark is the night, cold is the ground
In the circular solitude of my heart
As one who strives a hill to climb
I am sure I'll come through I don't know how


They say an end can be a start
Feels like I've been buried yet I'm still alive
I'm losing my balance on the tight rope
Tell me please, tell me please, tell me please...


If I ever feel better
Remind me to spend some good time with you
You can give me your number
When it's all over I'll let you know


If I ever feel better
Remind me to spend some good time with you
You can give me your number
When it's all over I'll let you know


If I ever feel better
Remind me to spend some good time with you
You can give me your number
When it's all over I'll let you know

Phoenix

história de amor XVI

Um ano é muito tempo. E mudar um ano num dia é impossível. É a essência duma palavra desconhecida.

a. Que andas a fazer da tua vida?
b. Não sei.
a. Não pode continuar mais assim...
b. Eu sei.

Ficaram em silêncio. Quietos.

Ambos sabendo que nada ia mudar ao mudar tudo. 

sábado, fevereiro 06, 2010

Acordar tarde

tocas as flores murchas que alguém te ofereceu
quando o rio parou de correr e a noite
foi tão luminosa quanto a mota que falhou
a curva - e o serviço postal não funcionou
no dia seguinte

procuras ávido aquilo que o mar não devorou
e passas a língua na cola dos selos lambidos
por assassinos - e a tua mão segurando a faca
cujo gume possui a fatalidade do sangue contaminado
dos amantes ocasionais - nada a fazer

irás sozinho vida dentro
os braços estendidos como se entrasses na água
o corpo num arco de pedra tenso simulando
a casa
onde me abrigo do mortal brilho do meio-dia


Al Berto

PROJECTO10

obrigado a todos. os que estiveram presentes. os que estiveram ausentes mas mandaram mensagens, emails, cartas, etc. e afins. um grande obrigado.

PROJECTO10 já online


Realização e Montagem: João Manso
Imagem e Direcção de Fotografia: Armanda Claro
Áudio: Zé Pedro Alfaiate

www.projecto10.pt

do baú...


Everybody Hurts - REM

Sometimes everything is wrong...

sexta-feira, fevereiro 05, 2010

faltam poucas horas...


Realização e Montagem: João Manso
Imagem e Direcção de Fotografia: Armanda Claro
Áudio: Zé Pedro Alfaiate

Não caias, s.f.f., pede a Oposição

Há, sem dúvida, uma crise ("risco da dívida portuguesa dispara para dívida recorde", "bolsas portuguesas e espanholas têm as maiores quedas do mundo" - notícias de ontem, com nuvens negras de crise mundial, velhas de mais de um ano, como pano de fundo). Mas quando sabemos que há uma crise séria? Uma crise, mesmo? É quando nos acontece o que nos acontece. Passo a narrar. A Oposição vai votar - e, se unida, vai ganhar a votação - o aumento de verbas para a Madeira. Aprovado o projecto de lei, o Presidente da República promulga-o ou veta- -o. Seria natural que o Governo, colocado em minoria neste caso, gostasse que o PR vetasse e, por uma vez, fosse seu aliado. Mas os sinais que temos é que o PS prefere que a corda fique esticada, com Oposição e PR juntos, de forma a dar pretexto ao Governo para cair. Pelo seu lado, seria também natural que a Oposição visse com bons olhos que o PR promulgasse a lei que ela votou. Mas há também sinais de que, perante a possibilidade de queda do Governo, a Oposição preferia, afinal, que o PR vete. Os que votaram a lei querem a sua perda, os que a recusaram, a sua vitória. Confusos? Era aí que eu queria chegar: isso é que é a tal crise, mesmo. Crise, mesmo, é quando o Governo quer cair e a Oposição quer é segurá-lo. 

Ferreira Fernandes in DN, 04 Fev 10

PROJECTO10..... acção.....luzes.... câmera....


Realização e Montagem: João Manso
Imagem e Direcção de Fotografia: Armanda Claro
Áudio: Zé Pedro Alfaiate

quinta-feira, fevereiro 04, 2010

por outras bandas, a mesma ideia

Ontem estivemos [PROJECTO10] pelas bandas do nosso conhecido Xukebox...

Aqui também se vai falar de música e de muito mais. Não percam o lançamento desta revista digital temática que é lançada na Sexta-Feira, dia 5 de Fevereiro, na Livraria Ler devagar, na Lx Factory, pelas 10pm. Vai ter a duração de um ano dedicado a 10 temas em 10 números! De 36 em 36 dias não percam um tema novo, sempre com 10 convidados. Vai valer a pena. E estão todos convidados a aparecer na Ler Devagar, na Sexta-Feira. Também vai haver música!

Mais informação em projecto10.pt
Para fãs do Facebook
Para video addicts



by Mariana

segunda-feira, fevereiro 01, 2010

CONVITE


Sombra

Antes de sermos fomos uma sombra
Depois de termos sido o que nos resta
É de longe que a vida nos aponta
É de perto que a morte nos aperta.

David Mourão-Ferreira

por estes dias

Le chemin le plus court pour aller d'un point à un autre n'est pas la ligne droite, c'est le rêve.

provérbio do Mali, via à quoi rêvent les laveuses? et autres contes

Glasnost

Quem, como eu, trabalha há tanto tempo com (não “em”) política, acaba por reter na memória alguns episódios hilariantes*. No período da Glasnost, por exemplo, Gorbachev sujeitou-se várias vezes a ser entrevistado por jornalistas ocidentais. Um deles lembrou-se de lhe colocar uma questão algo rebuscada, a saber, “Que rumo poderia a História ter seguido se, em vez de Kennedy, tivesse sido Khrushchev o assassinado em 1963?”. 


Gorbachev pensou um pouco – não muito, ele era repentista – e respondeu, 
“Não creio que o senhor Onassis tivesse casado com a senhora Khrushchev”. 
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* Não é o caso deste exemplo, que li algures há pouco tempo e publiquei aqui apenas para fazer figura.