sexta-feira, fevereiro 26, 2010

pós-berlim

estranha sensação esta que nos enche quando voltamos. é um pensar e repensar do que somos e queremos.
mais estranho ainda quando é tão forte numa estadia de nove meses em paris como numa de oito dias em berlim.
cidade curiosa esta, que se reconstruiu e reidentificou no pós-guerra e no pós-muro. aqui o destruído é marca do passado no futuro que se constrói. aqui o abandonado é oportunidade de todos serem um.
bares, galerias, cafés e associações surgem em edifícios abandonados com uma facilidade e naturalidade que faz pensar porque fecham outros sítios.
para começar talvez a não exigência da perfeição e modernidade. as casas e sítios constroem-se com restos de outros/as. móveis e cadeiras diferentes mas sempre bem conservados. haverá melhor analogia para um país reconstruído e recuperado?
depois é essencial perceber o papel da confiança e respeito entre os alemães. um bar onde se paga o copo e bebe-se o que se quer, deixando no fim o que se quer e se acha adequado é o paradigma da responsabilidade, civismo e sentido de comunidade. é o exemplo máximo do ser berlinense.
comunidade. talvez seja a palavra-chave neste regresso a casa. e uma dúvida: como levar esta ideia para lisboa se só posso levar kgs no porão?

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