quinta-feira, fevereiro 11, 2010

quem és tu de novo?

"quem és tu de novo?"
a pergunta velha em hábitos antigos.

que fazes aqui outra vez?
a dúvida que pesa neste tempo que virou pesadelo.

porque viraste tu fantasma do passado?
sem resposta.
como antes.
és um "livro de respostas" de páginas rasgadas.
e não há forma de te encontrar o índice.

quem somos nós?
para quê um plural quando nada de bom se lê no passado.

que fazemos aqui?
sentados num banco de jardim
lascado, enferrujado e enrugado
tal e qual as nossas memórias
que insistes em trazer em cada final de sexo solitário.

porque falas em fantasmas?
se os meus dias são tão reais. tão cheios de chuva no inverno, vento no inverno, suor no verão.
e sem um único dia de primavera daqueles que cheira a amor sem fim.

amo o previsível.
e odeio o teu "livro de instruções" em branco. não lhe encontro mais uso. nem a ti. nem a mim.
e fico assim imóvel.
e sereno.
perante os teus berros furiosos que passam ligeiros, feitos caravanas a caminho dum algarve qualquer.

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