segunda-feira, março 08, 2010

Somos todos islandeses


Os governos da Holanda e Inglaterra decidiram, unilateralmente, compensar financeiramente os investidores locais que tinham subscrito contas de risco num banco islandês, o Landsbanki, que funcionava nesses países através da internet. Sem nunca terem ouvido o governo islandês quando chegou a hora de entregar 3800 milhões de euros aos seus eleitores, foram lestos a enviar a incomportável factura para os 300 mil habitantes da pequena ilha gelada.
Ao longo do último ano, a chantagem e truques que levaram a cabo – a Inglaterra chegou a congelar os capitais islandeses no país, ao abrigo da lei anti-terrorismo (!) – tem um nome: bullying. Ontem, em referendo, mais de 90% dos islandeses que foram a votos rejeitaram o pagamento da dívida. A chantagem não acaba por aqui, como até os eleitores que ontem votaram “não” sabem, mas o que ontem esteve em causa foi saber onde se traçam os limites da soberania e da autonomia política. Quem é que manda e quem paga a factura? Os cidadãos, através de gigantescos cortes nos salários e serviços públicos, como nos propõem da Grécia à Islândia, ou os reguladores, agências de rating e bancos que, depois de terem estado na origem da crise, continuam a funcionar nos mesmo moldes e a acumular lucros históricos no meio da recessão? Da Islândia à Grécia é um saltinho. Também por isso, ontem fomos todos islandeses.
Pedro Sales in Arrastão

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