quarta-feira, abril 21, 2010

o sentir

sinto-me vazio.
sinto-me feliz.
sinto-me novo.
o que sinto quando sinto algo? quanto vale uma percepção? um não-pensar feito razão.
sinto frio. posso mesmo estar a sentir frio na alma. ou morto por dentro. e contundo nada se explica.
são apenas percepções do real. como se a realidade não fosse concreta. feita de certezas e factos. são todos números, letras e conceitos. e, contudo, o que sinto eu? o que sinto quando nada sinto? sinto sem arrependimento. sinto com certezas. haverá garantias no que não é verificável nem expectável?
como se explica que se chegue ao fim da linha quando se vê ainda a próxima estação? porque sinto que não comprei bilhete até aqui. e se eu te deixar andar sem bilhete na minha linha? se me deixares andar a vaguear na tua estação do coração.
como se acaba o que é perfeito? como se justificam as escolhas que não queremos tomar?
sinto-me vazio.
sinto-me feliz.
sinto-me novo.
ou não sinto nada porque penso tudo.
sou um intransigente pensador, um apaixonado das palavras, um perdido dos corredores do medo.
sinto-me cheio de vazios.

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