segunda-feira, maio 31, 2010

a estrela de david caiu bem no meio da sopa

Desta vez parece que Israel fez mesmo das suas e o caldo poderá estar completamente entornado. Senão vejamos:

1. atacar uma embarcação em águas internacionais é um erro de principiante;
2. ainda por cima este barco transportava ajuda humanitária e estava fretado por várias ONGs internacionais;
3. a principal ONG que organizou a viagem e planeava a entrada em Gaza não é de todo inocente e são conhecidas as suas ligações ao Hamas mas, e apesar da violenta recepção que fizeram aos militares israelitas, tem agora a razão/compreensão/simpatia do mundo do seu lado;
4. morreram pessoas no ataque e se foram "ocidentais" a pressão mediática ainda será maior. é sabido que a origem/nacionalidade das vidas têm diferentes pesos e significados;
5. a Turquia - principal "vítima" do ataque - que até tinha um discurso diferente para consumo interno era na realidade um dos maiores e melhores apoios de Israel junto dos países maioritariamente islâmicos;
6. o principal partido da oposição na Turquia (CHP) acaba de eleger um novo líder, e finalmente atinge valores consideráveis nas sondagens (30%), o cenário de confrontação iminente é útil a todos;
7. as manifestações e confrontos pró-Palestina e anti-Israel não se fizeram esperar por todo o mundo árabe e principais cidades europeias;
8. Obama espera pelos inquéritos oficiais do estado israelita para tomar um posição, e embora não seja esperado uma grande e violenta acusação algo significativo pode surgir nas suas palavras;
9. tudo aponta para que a panela da sopa venha a aquecer bastante nos próximos tempos... esperemos que não saia por fora...

totalitarismo do orgasmo? really?

apoteose do narcisismo [excertos]

Portugal aprovou a lei do casamento de pessoas do mesmo sexo. Goste-se ou não, trata-se de uma mudança histórica, nuclear, fundamental. É difícil encontrar no passado situações em que algo tão influente e estrutural foi mudado num dos seus elementos mais definitórios. Mas o mais surpreendente é a ligeireza com que essa mudança foi feita.
Um governo minoritário e acossado, uma maioria ocasional composta por partidos que se detestam e uma votação quase distraída. Num país em convulsão com crise e desemprego, os parlamentares juntam-se momentaneamente, o Tribunal Constitucional cede à ideologia, o Presidente lava as mãos como Pilatos e muda-se a definição de casamento. O povo não foi consultado, não houve debate profundo nem longas elaborações. Um grupito de deputados, cheios da própria certeza que querem impor ao mundo como verdade absoluta, chegou para alterar o que os milénios tinham conservado.
Para lá da questão concreta, sobre a qual muito se escreveu, o que assusta é a fragilidade do quadro institucional. Os mais preocupados deviam ser os partidários da nova lei, porque assim como veio, um dia irá com igual facilidade. Aliás, o exemplo da Califórnia, onde uma lei equivalente não chegou a durar seis meses em 2008, aponta nesse sentido. Mas se este assunto é crucial, não é só a ele que se limita o problema. Se até o casamento mudou assim, o que é que está a salvo? Tudo fica fluido.
Esta lei não surgiu do nada. Ela constitui apenas o mais recente passo de uma vasta campanha de promoção do erotismo, promiscuidade e depravação a que se tem assistido nos últimos anos. Por detrás de leis como o aborto, divórcio, procriação artificial, educação sexual e outras está o totalitarismo do orgasmo. Parece que o deboche agora se chama "modernidade". Mas se um dia, em vez de uma maioria porcalhona, tivermos um parlamento nihilista, espírita, xenófobo ou iberista, o que salva a identidade nacional?
Hoje mesmo, na actual composição parlamentar, não será difícil encontrar uma maioria para apoiar coisas abstrusas, como a proibição de touradas ou rojões, imposição da ordenação sacerdotal de mulheres ou a obrigatoriedade de purificadores atmosféricos. Aliás, uma lista exaustiva dos disparates em que os nossos deputados acreditam encheria volumes. Este episódio revela com dramática clareza a enorme fragilidade do sistema que tanto prezamos e louvamos. Uma democracia vale o que valer a dignidade e o respeito dos seus democratas.

João César das Neves in DN,  31 Maio 10


nota: acho que este texto é das melhores pérolas deste senhor que tem como trabalho coleccionar parvoíces. parabéns! este é digno do top3...

Poema Sujo (excerto)

Mas na cidade havia
muita luz,
        a vida
fazia rodar o século nas nuvens
               sobre nossa varanda
por cima de mim e das galinhas no quintal
               por cima
do depósito onde mofavam
paneiros de farinha
               atrás da quitanda,
                       e era pouco
viver, mesmo
no salão de bilhar, mesmo
no botequim do Castro, na pensão
da Maroca nas noites de sábado, era pouco
banhar-se e descer a pé
para a cidade de tarde
(sob o rumor das árvores)
                 ali
                 no norte do Brasil
                 vestido de brim.

         E por ser pouco
         era muito,
         que pouco muito era o verde
fogo da grama, o musgo do muro, o galo
que vai morrer,
a louça na cristaleira,
o doce na compoteira, a falta
de afeto, a busca
do amor nas coisas.

                 Não nas pessoas:
nas coisas, na muda carne
das coisas, na cona da flor, no oculto
falar das águas sozinhas:
                         que a vida
passava por sobre nós,
                         de avião.



Ferreira Gullar

O desmontar do dedo esticado

David Laws, o novo secretário de Estado do Tesouro inglês, encontrou no seu gabinete um bilhete do antecessor. É um costume britânico e, geralmente, por ser pessoal só mais tarde a História grava as palavras (John Major deixou para Blair: "É um bom cargo: saboreia-o!".) O bilhete para Laws dizia: "Não há dinheiro." Era uma piada. Mas Laws, imbuído do espírito dos puros e com dedo em riste, tornou o bilhete público, como quem diz: vejam ao que isto chegou... David Laws acaba de se demitir porque se descobriu que fazia o parlamento pagar a sua renda de casa quando ele vivia na casa do seu amante. Já li, com um sorriso, defensores do actual Governo britânico e críticos do anterior a desvalorizarem o erro de Laws (que a renda era baixa, que a situação não é tão evidente...) E não me admira que ainda venha ouvir um trabalhista, também dos puros e com dedo em riste, dizer que isto chegou aqui por causa de trafulhices como as de Laws... Enfim, tudo dentro dos conformes: o dedo em riste dos indignados e como eles amansam as indignações quando lhes toca a culpa. Sorrio, mas não defendo o relativismo moral. Pelo contrário, defendo que as responsabilidades devem ser sempre apuradas: por exemplo, continuo sem saber quem (nome!) inventou que Chico Buarque queria ver Sócrates. Gosto das coisas sabidas. É meio caminho andado para acabar com o dedo esticado dos puros.

Ferreira Fernandes in DN, 31 Maio 10

sons e palavras por aí

parece que andei por aqui no sábado. as minhas palavras junto das letras de outros...

A Comédias do Minho vence Prémio Norte Criativo

A Comédias do Minho vence Prémio Norte Criativo, uma das categorias a concurso na 1ª edição dos Prémios Novo Norte 2010.

A Casa da Música foi o palco escollhido para a entrega dos Prémios Novo Norte, uma iniciativa conjunta da CCDR-N e do Jornal de Notícias, que distinguiram o Norte, ao premiar "Boas Práticas de Desenvolvimento Regional".

Artes do teatro que descem ao território -ou partem do território. Que formam populações - ou se deixam formar por elas.
As Comédias do Minho podiam ser definidas assim: uma companhia de teatro profissional, uma programação cultural, um território (Melgaço, Monção, Paredes de Coura, Valença e Vila Nova de Cerveira) e uma intervenção com objectivos de sensibilização, formação e fidelização de públicos do Vale do Minho para as artes e a cultura, juntando municípios, escolas, artistas e empresas.
O júri distingue as Comédias do Minho pela sua singularidade criativa, a sua ligação ao território e às populações e as dinâmicas sociais económicas locais.

Assim foi apresentado o projecto Comédias do Minho, no momento em que, António Pereira Júnior (Presidente da Direcção) e João Pedro Vaz (Direcção Artística) sobem ao palco para receber o prémio entregue por Nuno Azevedo (Casa da Música).
(...) Esta vitória é uma homenagem aos cinco autarcas do Vale do Minho premiados pela sua inovação e criatividade, aos técnicos das Câmaras que trabalham muito próximos de nós, ao Associado Crédito Agrícola e ao nosso tão especial mecenas VentoMinho. (João Pedro Vaz)
O prémio foi, para além de um diploma e uma obra de arte especialmente desenhada pela Escola de Belas Artes do Porto, o reconhecimento público das iniciativas. 

domingo, maio 30, 2010

ouvi dizer


Ornatos Violeta

nota: que saudades deste passado...

le temps

Christine Choffey via A quoi rêvent les laveuses et autres contes

excerto

tenho pedaços de texto soltos por aqui. são migalhas dum pão que vou comendo entre cada viagem de comboio e espera do barco. são momentos escritos num papel, telemóvel ou jornal matutino. são sensações, opiniões e tudo o mais que aí caiba. que reescritos se tornam parte dum passado que quero fixar. manter para memória futura. guardar no baú do tempo. e deixar solto nas linhas o que não é mais linear. e se o metro vem aí deixa-o passar. há sempre um atrás do outro.

Déjeuner du matin

Il a mis le café
Dans la tasse
Il a mis le lait
Dans la tasse de café
Il a mis le sucre
Dans le café au lait
Avec la petite cuiller
Il a tourné
Il a bu le café au lait
Et il a reposé la tasse
Sans me parler
Il a allumé
Une cigarette
Il a fait des ronds
Avec la fumée
Il a mis les cendres
Dans le cendrier
Sans me parler
Sans me regarder
Il s'est levé
Il a mis
Son chapeau sur sa tête
Il a mis
Son manteau de pluie
Parce qu'il pleuvait
Et il est parti
Sous la pluie
Sans une parole
Sans me regarder
Et moi j'ai pris
Ma tête dans ma main
Et j'ai pleuré.


Jacques Prévert

PROJECTO10... ainda o #4 FUTEBOL

segunda-feira, maio 24, 2010

Fado

When Vasco da Gama captained Benfica,
those were the glory days. Vasco led
from the back, with Nick Coelho as keeper,
and his brother Paulo as inside-forward,

and Leonard Ribeira, an old fashioned winger
(except when eyeing the girls in the crowd),
and the spinter Fernão Veloso as striker,
with Diogo and Álvaro, all proud to wear red.

Those were the times of adventures and clout,
with Dom Manoel our manager-trainer
and Peru de Covilhã our roving scout.

Today we´re trophy less, bankrupt and disdainerd,
longing for Sebastian, cresting some tidal wave
on his surf-board, to alight in the Algarve.

Landeg White

as i was saying

via Pensar Custa

roda a bola

hoje vai ser dia de mais um jogo. até tem corrido bem. a equipa continua unida e há sempre espaço para festa. podia ser mais fácil ser capitão. mas não me safo mal. depende dos dias.
muitos dias leva o ano. era suposto ter começado diferente. era suposto estar diferente a esta hora. talvez deva fazer o que pensei para o primeiro dia do ano brevemente. isolar-me. estar comigo e apenas comigo. ausente do outro.
gostaria de o fazer. mas faço sempre o oposto do que quero. sou assim uma negação à negativa.
hoje vai ser dia de mais um jogo. e a verdade é que adoro esta adrenalina que o antecede. vemo-nos logo?

quinta-feira, maio 20, 2010

adiamento

Depois de amanhã, sim, só depois de amanhã...
Levarei amanhã a pensar em depois de amanhã,
E assim será possível; mas hoje não...
Não, hoje nada; hoje não posso.
A persistência confusa da minha subjectividade objectiva,
O sono da minha vida real, intercalado,
O cansaço antecipado e infinito,
Um cansaço de mundos para apanhar um eléctrico...
Esta espécie de alma...
                                Só depois de amanhã...
Hoje quero preparar-me,
Quero preparar-me para pensar amanhã no dia seguinte...
Ele é que é decisivo.
Tenho já o plano traçado; mas não, hoje não traço planos...
Amanhã é o dia dos planos.
Amanhã sentar-me-ei à secretária para conquistar o mundo;
Mas só conquistarei o mundo depois de amanhã...
Tenho vontade de chorar,
Tenho vontade de chorar muito de repente, de dentro...
Não, não queiram saber mais nada, é segredo, não digo.
Só depois de amanhã...
Quando era criança o circo de domingo divertia-me toda a semana.
Hoje só me diverte o circo de domingo de toda a semana da minha infância...
Depois de amanhã serei outro,
A minha vida triunfar-se-á,
Todas as minhas qualidades reais de inteligente, lido e prático
Serão convocadas por um edital...
Mas por um edital de amanhã...
Hoje quero dormir, redigirei amanhã...
Por hoje qual é o espectáculo que me repetiria a infância?
Mesmo para eu comprar os bilhetes amanhã,
Que depois de amanhã é que está bem o espectáculo...
Antes, não...
Depois de amanhã terei a pose pública que amanhã estudarei.
Depois de amanhã serei finalmente o que hoje não posso nunca ser.
Só depois de amanhã...
Tenho sono como o frio de um cão vadio.
Tenho muito sono.
Amanhã te direi as palavras, ou depois de amanhã...
Sim, talvez só depois de amanhã...

O porvir...
Sim, o porvir...

Álvaro de Campos

quarta-feira, maio 19, 2010

Banality is a symptom of non-communication. Men hide behind their cliches.
 
Eugene Ionesco

dia-a-dia

sabes, é que cada acordar traz consigo um novo sorriso. cada amanhecer apresenta-me uma nova certeza. cada mudar de página no calendário mostra-me uma nova foto. e é neste dia-a-dia feito de novidades que encho o meu coração de pulos de criança. sou um sozinho acompanhado por mim.

quem tem medo da inteligência?

Noam Chomsky não pode entrar em Israel. O conhecido linguista, filósofo e activista político norte-americano ia dar hoje uma conferência na universidade palestiniana de Birzeit , junto a Ramala, e tentou ontem passar a fronteira da Jordânia, pela ponte Allenby, mas viu recusada a sua entrada pelas autoridades. Depois de ter sido interrogado durante mais de três horas, e sem qualquer explicação, Noam Chomsky, que é judeu, teve o seu passaporte carimbado com a frase “entrada recusada”.

Daniel Oliveira in Arrastão

moção de censura

É evidente que se a moção de censura proposta pelo PCP vingasse, a demissão do Governo teria por efeito ou eleições antecipadas, que a direita poderia ganhar, ou um governo de coligação PS-PSD. Todavia, sabendo que a sua moção não vai passar, o PCP pretende somente marcar o seu terreno no campo da oposição, especialmente quanto a três coisas: (i)  mostrar ao País que ninguém pode contar com ele para uma política responsável de saneamento das finanças públicas, e que quanto pior forem a economia e as finanças, melhor para o PCP; (ii) mostrar oas demais partidos de oposição que é ele que lidera o combate contra o Governo; (iii) demonstrar que o Governo só se mantém com a ajuda do PSD, prova da conjunção das políticas de um e de outro.
Se há algo que não surpreende na vida política nacional é o PCP. Previsível como nunca...

Vital Moreira in Causa Nossa

segunda-feira, maio 17, 2010

9 segredos

 by Marta Torrão

neste dia último

neste dia último
faço o teu telefone tocar sem parar.
não é minha a culpa deste toque sem fim.
é apenas um jeito meu de querer estar aí.
tu tiras-lhe o som e deixas os toques acumularem-se.
até ao último traço de bateria.
até ao fim.
até parar.
até à última vez.

neste dia último
lembra-te:
o telefone continuará a tocar. sempre que precisares. sempre que assim o queiras. muito depois do último toque.

é um jeito tão nosso de estar próximo
mesmo estando longe.
é um jeito tão nosso de marcar um número amigo
mesmo quando não te abraço.

neste dia último,
estou aí. contigo.

neste dia último
sou o braço firme que te leva pela estrada.
porque amanhã há um novo sol. garanto-te.
amanhã há um novo sorriso depois dessa lágrima.
porque amanhã há palavras cravadas a amizade.

neste dia último
há um abraço sem princípio nem fim.

força!

quero escrever

Quero escrever
histórias
de compaixão.
Não gosto
do mistério
e da imaginação
Mas assim
não se escreve.


Adília Lopes

quinta-feira, maio 13, 2010

como se faz o poema

Para falarmos do meio de obter o poema,
a retórica não serve. Trata-se de uma coisa simples, que não
precisa de requintes nem de fórmulas. Apanha-se
uma flor, por exemplo, mas que não seja dessas flores que crescem
no meio do campo, nem das que se vendem nas lojas
ou nos mercados. É uma flor de sílabas, em que as
pétalas são as vogais, e o caule uma consoante. Põe-se
no jarro da estrofe, e deixa-se estar. Para que não morra,
basta um pedaço de primavera na água, que se vai
buscar à imaginação, quando está um dia de chuva,
ou se faz entrar pela janela, quando o ar fresco
da manhã enche o quarto de azul. Então,
a flor confunde-se com o poema, mas ainda não é
o poema. Para que ele nasça, a flor precisa
de encontrar cores mais naturais do que essas
que a natureza lhe deu. Podem ser as cores do teu
rosto – a sua brancura, quando o sol vem ter contigo,
ou o fundo dos teus olhos em que todas as cores
da vida se confundem, com o brilho da vida. Depois,
deito essas cores sobre a corola, e vejo-as descerem
para as folhas, como a seiva que corre pelos
veios invisíveis da alma. Posso, então, colher a flor,
e o que tenho na mão é este poema que
me deste. 


Nuno Júdice

para onde viajas tu?

- Viajas para reviver o teu passado? - era agora a pergunta do Kan, que também podia ser formulada assim:
- Viajas para achar o teu futuro? 
E a resposta de Marco Polo:
- O Algures é um espelho em negativo. O viajante reconhece o pouco que é seu, descobrindo o muito que não teve nem terá.

Italo Calvino in Cidades Invisíveis

quarta-feira, maio 12, 2010

the sacrifice


by Michael Nyman in The Piano

uma noite

era uma noite de maio. e parecia daquelas que não acabam mais. nem era preciso muito calor para a tornar longa. bastavam as suas palavras que deixavam silêncios atrás de si.
era uma noite de maio. e enquanto fumava o último cigarro desse dia pensava nos primeiros raios de sol que já acordavam.
era uma noite de maio. e parecia que o junho viera para ficar com o barulho das ondas bem ali perto.
era uma noite de maio. e não havia mais maio para sentir.

terça-feira, maio 11, 2010

[13.]

by Christine Choffey

[começar é fácil]

Começar é fácil. Acabar é mais fácil ainda. Chega-se sempre à primeira fase, ao primeiro número da revista, ao primeiro mês de amor. Cada começo é uma mudança e o coração humano vicia-se em mudar. Vicia-se na novidade do arranque, do início, da inauguração, da primeira linha na página branca, da luz e do barulho das portas a abrir.
Começar é fácil. Acabar é mais fácil ainda. Por isso respeito cada vez menos estas actividades. Aprendi que o mais natural é criar e o mais difícil de tudo é continuar. A actividade que eu mais amo e respeito é a actividade de manter.
Em Portugal quase tudo se resume a começos e a encerramentos. Arranca-se com qualquer coisa, de qualquer maneira, com todo o aparato. À mínima comichão aparece uma «iniciativa», que depois não tem prosseguimento ou perseverança e cai no esquecimento. Nem damos pela morte.
É por isso que eu hoje respeito mais os continuadores que os criadores. Criadores não nos faltam. Chefes não nos faltam. Faltam-nos continuadores. Faltam-nos tenentes. Heróis não nos faltam. Faltam-nos guardiões.
É como no amor. A manutenção do amor exige um cuidado maior. Qualquer palerma se apaixona, mas é preciso paciência para fazer perdurar uma paixão. O esforço de fazer continuar no tempo coisas que se julgam boas - sejam amores ou tradições, monumentos ou amizades - é o que distingue os seres humanos. O nascimento e a morte não têm valor - são os fados da animalidade. Procriar é bestial. O que é lindo é educar.
Estou um pouco farto de revolucionários. Sei do que falo porque eu próprio sou revolucionário. Como toda a gente. Mudo quando posso e, apesar dos meus princípios, não suporto a autoridade.
É tão fácil ser rebelde. Fica tão bem ser irreverente. Criar é tão giro. As pessoas adoram um gozão, um malcriado, um aventureiro. É o que eu sou. Estas crónicas provam-no. Mas queria que mostrassem também que não é isso que eu prezo e que não é só isso que eu sou.
Se eu fosse forte, seria um verdadeiro conservador. Mudar é um instinto animal. Conservar, porque vai contra a natureza, é que é humano. Gosto mais de quem desenterra do que de quem planta. Gosto mais do arqueólogo que do arquitecto. Gosto de académicos, de coleccionadores, de bibliotecários, de antologistas, de jardineiros.
Percebo hoje a razão por que Auden disse que qualquer casamento duradoiro é mais apaixonante do que a mais acesa das paixões. Guardar é um trabalho custoso. As coisas têm uma tendência horrível para morrer. Salvá-las deste destino é a coisas mais bonita que se fazer. Haverá verbo mais bonito do que «salvaguardar»? É fácil uma pessoa bater com a porta, zangar-se e ir embora. O que é difícil é ficar. Isto ensinou-me o amor da minha vida, rapariga de esquerda, a mim, rapaz conservador. É por esta e por outras que eu lhe dedico este livro, que escrevi à sombra dela.
Preservar é defender a alma do ataque da matéria e da animalidade. Deixadas sozinhas, as coisas amarelecem, apodrecem e morrem. Não há nada mais fácil do que esquecer o que já não existe. Começar do zero, ao contrário do que sempre pretenderam todos os revolucionários do mundo, é gratuito. Faz com que não seja preciso estudar, aprender, respeitar, absorver, continuar. Criar é fácil. As obras de arte criam-se como as galinhas. O difícil é continuar.
Este livro é uma série de começos contrariados. Tem muita mentira, muito desespero, muita invenção. Mas tem também uma vontade. A vontade que tem é de cegar perante as luzes da nossa idade - o elogio do eu e da sua expressão - para reaver os sons e os cheiros das coisas que duram. O amor, a Pátria, a amizade. o sangue, o pão. É nestas coisas que acredito. Isto é mesmo verdade.
Não estou a brincar. Estou arrependido. A minha função não é criar - é presenciar. Não é tanto ser esperto, como despertar. Fico feliz, não quando invento, mas quando descubro. A minha missão não é achar, no sentido de quem opina. É achar no sentido de quem encontra. Não é abrir nem fechar - é tentar ver e querer revelar. É assim que a honra do jornalismo é mais nobre e antiga do que hoje é moda pensar.
Sou conservador não por natureza, mas por convicção. Infelizmente, há uma diferença. Quem escreve tem a obrigação de achar uma verdade. Nesse aspecto, algumas destas crónicas - sem dúvida as menos divertidas - saíram bem. Não foi sorte nem feitiço nem jeito. Foi um trabalho que eu tive. Foi qualquer coisa - por muito mesquinha e muito enganada - que eu continuei e que hoje me orgulho de continuar.


Miguel Esteves Cardoso in As minhas aventuras na república portuguesa

segunda-feira, maio 10, 2010

3º segredo de fátima

Pouca gente saberá que o Papa tem uma casa de campo no Norte de Portugal e se veste de Dª. Maria para disfarçar. Lá se vai o 3º "segredinho" de fátima...

domingo, maio 09, 2010

é hoje...

by Isabel Cutileiro

católico à força

Hindus, muçulmanos, judeus, protestantes, ateus e agnósticos têm de arrajar quem fique com os seus filhos para que os católicos, num assunto que apenas a eles diz respeito, receberem o líder da sua Igreja. Hindus, muçulmanos, judeus, protestantes, ateus e agnósticos vão contribuir para as despesas de um dia sem funcionamento dos serviços do Estado para que os católicos, num assunto que apenas a eles diz respeito, receberem o líder da sua Igreja. Agradecia que alguém me explicasse porque sou eu obrigado a participar nos preparativos de uma celebração religiosa de uma igreja com a qual não tenho qualquer relação. Sou um feroz defensor da liberdade religiosa. Agradecia que respeitassem a minha liberdade de não ser religioso. Começando por não me obrigar a contribuir financeiramente e com o meu tempo para a vossa vida de crentes. Se querem ver o vosso Papa, tirem um dia de férias. Suponho que a força da fé vos chega para fazer esse sacrifício. Eu é que não tenho de fazer nenhum. Parece-me.

Daniel Oliveira via Arrastão

jailer


Asa

de volta...

 O talvez é a coisa mais certa


Ontem, o Real Madrid e o Barcelona disputavam o campeonato, um contra o outro em campos diferentes. O Barcelona adiantou-se (ia nos 3-0), enquanto os madrilenos marcavam passo (1-1). Faltavam 20 minutos para acabar, os catalães deixaram perigar o seu resultado para os 3-2. Se empatassem, lá ia o campeonato à vida. Então - e só então! - deram as ganas ao Real Madrid, que acabou por ganhar 5-1, com quatro golos marcados nos minutos, os últimos 20, em que o seu adversário se atrapalhava, lá longe, em Sevilha. O futebol é uma escola da vida e a maior das suas lições é que tudo é relativo: nós somos o que os outros (aqueles que são os verdadeiramente outros para nós) fazem que sejamos. O Barcelona pujante, mesmo a milhas, deixou o Real Madrid fraco; mas um Barcelona tremelicante já espevitou os madrilenos. Oiçam um relator desportivo gabando as maravilhas da equipa que ganha e saibam-no igual ao comentador político que vira o bico ao prego ao sabor das sondagens. Que não vos desgoste os cataventos porque são uma homenagem a este facto: nada mais equivocado do que uma certeza. Nos tempos que correm (com campeões de futebol só conhecidos na última jornada e eleições britânicas confusas), a dúvida é um valor seguro. O céu vai deixar o Papa aterrar?

Ferreira Fernandes in DN, 09 V 10

sábado, maio 08, 2010

late fragment

And did you get what
you wanted from this life, even so?
I did.
And what did you want?
To call myself beloved, to feel myself
beloved on the earth.
 
Raymond Carver 

estar lá

é um estado de demência
o de não saber onde começa e acaba
a cabeça.
é um pescoço sem fim
que chega em cada mexer de ombros.
ondulante o cabelo que cai pesado
no casaco velho.
é um estado de demência
este
onde encontro aquelas últimas palavras por dizer.
é um estado de demência sem loucura.
é um estado de ausência.

quinta-feira, maio 06, 2010

Taraf de Haidouks


via La Blogotheque

tal e qual como no cinema

o filme chegou ao fim.

e agora
tenho mesmo que despir o fato de actor.
contudo não consigo.
oiço ainda o motor velho do carro
a acompanhar-me a cada degrau rasgado pernas fora.
enquanto tu arrancas sem sair do lugar.
sei que quero fechar a porta
na cara desses olhos lindos que me cegam
o coração. 
mas não consigo.
quero um adeus à antiga 
com perna levantada e olhos fechados.
tal e qual como no cinema.
quero ser um lumière
em filme a cores.

quero ser um final feliz
tal e qual como no cinema.

xisto vivo

Pedrogão 09

aquela última noite

poderia ter o sabor da primeira,
o cheiro da descoberta,
mas era apenas o prazer amargo do adeus.
era uma noite húmida de primavera
mas nem fazia muito frio.
talvez apenas os ossos
que insistiam em bater cada um a seu ritmo
se queixassem duma noite que não era a sua.
podia ser do medo.
sempre fora medrosa. do que desconhecia.
trazia aquele vestido
que lhe oferecera numa viagem ao estrangeiro.
caia-lhe bem.
" a ti qualquer trapinho te fica bem" - dizia-lhe.
ela acenava. ausente, como sempre, a pensar
nas suas coisas.
pensamentos distantes que sempre os afastaram.
como nessa última noite
de primavera.
onde não havia mais lugar para a consagração.
apenas um derradeiro
gemido de prazer
que nem sabia a morte de amor.

untitled

escorreita a nota
que puseste no fim de página
do teu livro.
é fugaz a leitura que fazes das páginas
que escrevo no café.
são coisas raras que não queres presas a ti.
são momentos breves fixados a tinta.
e tu que queres a conta paga à pressa
fechas a porta à força.
não tenho escolha. deixo para amanhã
a vernissage que quero ser hoje.

há limites. este foi um deles.

agora já chega! há que mudar as pessoas que dão mau nome a um partido que está intimamente ligado à construção da democracia e liberdade em portugal. agora já chega mesmo. para o bem do ps, para o bem de portugal uma vassourada lá dentro era simpático.

Fallen Snow


Au Revoir Simone

Casa Fernando Pessoa imune ao efeito Ratzinger

A Casa Fernando Pessoa emitiu um comunicado em que esclarece que estará aberta ao público, das 10h00 às 18h00, «como habitualmente», nos dias 11 e 13 de Maio, relembrando o ponto 4 do artigo 41 da Constituição da República Portuguesa:
«As igrejas e outras comunidades religiosas estão separadas do Estado e são livres na sua organização e no exercício das suas funções e do culto.»
Como cidadão ateu até à mais pequena partícula sub-atómica de cada um dos meus átomos, aplaudo de pé esta posição da CFP. Mais: a não ser por motivo de força maior, tenciono passar pela Rua Coelho da Rocha no dia e à hora em que o Papa Bento XVI estiver a proferir a sua homilia no Terreiro do Paço.

via Bibliotecário de Babel

[pensar nela]

Passei toda a noite, sem dormir, vendo, sem espaço, a figura dela,
E vendo-a sempre de maneiras diferentes do que a encontro a ela.
Faço pensamentos com a recordação do que ela é quando me fala,
E em cada pensamento ela varia de acordo com a sua semelhança.
Amar é pensar.
E eu quase que me esqueço de sentir só de pensar nela.
Não sei bem o que quero, mesmo dela, e eu não penso senão nela.
Tenho uma grande distração animada.
Quando desejo encontrá-la
Quase que prefiro não a encontrar,
Para não ter que a deixar depois.
Não sei bem o que quero, nem quero saber o que quero. Quero só
Pensar nela.
Não peço nada a ninguém, nem a ela, senão pensar.

Alberto Caeiro

quarta-feira, maio 05, 2010

a quatro mãos


4 Mains by Wim Mertens

morro de sono. caio de cabeça. fecho os olhos.
os dedos seguem seguros piano abaixo.
e eu tenho quase a certeza que sou eu que toco isto. que sou eu o teu fá bemol.
o ritmo não pára. é assim. frenético. como um texto sem fim. que se quer angustiantemente ilegível.
não há sentido para quem não quer ler mas sim escrever. não há fome para quem deixa comida na mesa.
há um saber posto ao fim do dia. caneta e folha. magenta como se quer  a flor.
cheira a orvalho na ponta do sabre que rasga a tua pele.
é assim tal e qual como nos filmes da cinemateca. uma legenda trocada no filme certo.
um fim abrupto numa continuidade infinita.

abrupto

já tinha saudades desta ânsia de escrever. deste regresso às minhas palavras. destas noites com café. 
deste cair abrupto sobre mim mesmo. é assim mesmo. o orgasmo das palavras.

Ljósið


Ólafur Arnalds

no fim de noite há um principio de manhã

no fim de noite há um principio de manhã.
há todo um mundo de diferença entre nós
e, contudo, eu sei que estás aqui bem perto.
tenho até a certeza de que estás aqui para me fazer festas. e sabes que gosto disso. e sabes que gosto de certezas.
vou-me deitar.
eu sei que tu acordas logo depois.
é assim que o tempo se movimenta neste espaço que não é nosso.
é assim que eu sinto que
no fim de cada noite
há sempre um principio de manhã.

terça-feira, maio 04, 2010

não se morre uma só vez



Three ways of melting a chocolate hare.

a film by Lernert Engelberts & Sander Plug


Commissioned by Cut 'n Paste for KRO-television in association with the Dutch Culture Fund
Music by: Nathan Larson
Special thanks to: Carolien & Nathalie, Hectic Electric - Amsterdam.

via Rita Almeida

nas intermitências do teu vôo

ganho as asas da minha vida

Paris 08

do-não-sentir-a-palavra

passo os dias de volta de palavras que até são minhas e contudo não as sinto.
sou um mudo literário que procura abrir a boca
e escorrer a seiva bruta que tu garantes que já tive.
sou órfão de colégio em terra de bibliotecas.
porque sinto que não sinto mais do que uma ausência de pensar.
revolvo as últimas palavras que deixei aqui e ali, em textos novos e velhos, e até me parecem bonitas. mas são tão invisíveis ao coração como aos meus olhos doridos.
sou cravo dum abril que passou e magnólia na estação errada.
sou um móvel de dobradiças ferrugentas
que insiste em deixar cortes na mão do miúdo.
não forces.
deixa-me ir.
sabes que sou um não-sentir prolongado que anseia por viver.
que sou um verbo escrever em quadro preto.
que tenho as minhas próprias palavras cravadas nas folhas que comprei avulso.
sou apenas uma palavra sem dono.

recomenda-se...


DIA 5 de MAIO 
18h30 – Errances littéraires dans un monde francophone : 1999-2009

2º Errância – “Amadou Kourouma : un soleil indépendant
Vamos todos ler o livro “Alah n’est pas obligé” (Paris, Seuil, 2000 / Lisboa, ASA, 2004). Prémio Renaudot e Prémio Goncourt des Lycéens (2000) e falar sobre ele conduzidos por Paula Mendes Coelho e Luís Carlos Pimenta.

Inscrições na Mediateca do IFP: 21 311 14 21/23. Livro à venda com desconto de 10% na Nova Livraria Francesa

Como acabar com a crise da crise grega

Os especuladores fazem aquilo que se lhes deixa fazer. E não foram eles que apontaram uma arma à Europa e nos obrigaram a fazer uma moeda única sem solidariedade.
Considere um artigo de quando o euro estava em alta. Dizia ele que a moeda europeia corria um risco apreciável de desaparecer nos anos seguintes: bastaria que uma das suas economias mais frágeis e ameaçadas tivesse de abandonar a moeda.
Na altura, seria fácil menosprezar esse artigo – se bem me lembro no Wall Street Journal – como agoirento e implicativo. Hoje seria menos fácil negar-lhe um certo sentido.
Ora vejamos a Califórnia, estado americano muito populoso e produtivo, por si só uma das grandes economias do mundo. A propósito: também está falido. Mas isso não tem um efeito enorme no dólar. Já a hipotética falência da Grécia, que representa meros três por cento do PIB europeu, pode chegar para: 1) transformar a hipotética falência da Grécia em real falência; 2) espalhar o contágio a outros países da zona euro, entre os quais Portugal, que também não é a Califórnia; 3) causar a amputação ou o fim do euro; 4) obrigar ao maior recuo de sempre do projeto europeu.
Mas há uma maneira de sair desta crise em dois passos. É ela os líderes europeus dizerem, com a solenidade suficiente, o seguinte: “Não há economias periféricas nem centrais na zona euro; um ataque a um país da zona euro é um ataque ao euro enquanto todo; e não haverá nenhuma falência na eurolândia porque nós não o permitiremos; teria de falir a zona euro inteira, e isto só aconteceria a dois passos do apocalipse financeiro global, ou seja, não vai acontecer. Muito obrigado por terem ouvido.”
E o segundo passo? Nem há; a crise da crise grega acabou naquele momento. Tal como quando, após a falência do Lehman Brothers, os estados mais relevantes disseram que avalizariam as dívidas de todos os bancos e o contágio foi contido. Agora trata-se de fazer o mesmo, só que com países onde vivem pessoas.
Como é evidente, vai ser preciso pagar para ver. Isso tornou-se inevitável. E os juros alemães subiriam para que os dos outros países descessem: mas em troca a Alemanha ganha uma economia europeia coesa na qual tem a posição central.
E também vai ser preciso fazer qualquer coisa contra os agentes que têm apostado na implosão do euro.
Normalmente, eu acabaria agora a falar dos “especuladores”. Sim, mas, porém, os especuladores fazem aquilo que se lhes deixa fazer. E não foram eles que apontaram uma arma à Europa e nos obrigaram a fazer uma moeda única sem solidariedade, com Banco Central mas sem Tesouro, com orçamento diminuto e sem coesão.
Os “especuladores” podem ser confrontados, com agressividade até. As famosas agências de notação que influenciam os nossos juros participaram na farsa dos produtos tóxicos; mais de 90% daquilo a que deram nota máxima eram latão ou lixo. Não há ninguém na Comissão Europeia para lhes cair em cima com processos e multas? E, já agora: noutra época, com políticos mais audazes – F. D. Roosevelt suspendeu a banca por uma semana -, também os famosos CDS não durariam muito tempo. Pode ser confortável para mim estar no escritório a apostar que a Grécia vai à bancarrota; para os gregos não é (substitua gregos por portugueses).
Sobra espaço? Então, um último conselho sobre o euro. Um burocrata qualquer achou que fazia sentido chamar à subdivisão de uma unidade monetária na língua portuguesa um “cêntimo”. Por favor, sublevem-se. Um centavo é que é – e sempre foi – um centavo.

Rui Tavares in ruitavares.net

mais um fim de ciclo...


Portishead - Over

fechou o amor. hoje fecho o trabalho. brevemente fecha a escola. é ano de fechar o passado a sete chaves. no seu próprio passado. no entretanto, encontro novas portas para abrir. cheiram a amanhã...e não consigo mais esperar.

segunda-feira, maio 03, 2010

conselho um

via pensar custa

em tempo de vulcões...

Outra enormidade actual é a ideia de que dois seres apaixonados podem ser "amigos". Isto é como querer que um vulcão sirva também para aquecer um tacho de sopa. Ofende tanto a amizade – ou o fogão – como o amor – e o vulcão. Ser amigo é querer o bem de alguém. Amar é querer alguém, e acabou. Se for a bem, melhor. Se for a mal é porque teve de ser. Um vulcão só irrompe de quando em quando, e às vezes uma única vez. Como o amor. E o fogão dura quase toda a vida, como a amizade. Não haja confusão.

Miguel Esteves Cardoso

para não te deixar morrer...

...eu prometo-me que voltarei aqui brevemente... para já fica a Vashti Bunyan,em Brother. Esta cantora estará brevemente em Portugal (pelos Filho Único) e esteve neste blog há quase 2 anos. É sempre bom ouvir-te...