quinta-feira, maio 06, 2010

aquela última noite

poderia ter o sabor da primeira,
o cheiro da descoberta,
mas era apenas o prazer amargo do adeus.
era uma noite húmida de primavera
mas nem fazia muito frio.
talvez apenas os ossos
que insistiam em bater cada um a seu ritmo
se queixassem duma noite que não era a sua.
podia ser do medo.
sempre fora medrosa. do que desconhecia.
trazia aquele vestido
que lhe oferecera numa viagem ao estrangeiro.
caia-lhe bem.
" a ti qualquer trapinho te fica bem" - dizia-lhe.
ela acenava. ausente, como sempre, a pensar
nas suas coisas.
pensamentos distantes que sempre os afastaram.
como nessa última noite
de primavera.
onde não havia mais lugar para a consagração.
apenas um derradeiro
gemido de prazer
que nem sabia a morte de amor.

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