domingo, maio 09, 2010

de volta...

 O talvez é a coisa mais certa


Ontem, o Real Madrid e o Barcelona disputavam o campeonato, um contra o outro em campos diferentes. O Barcelona adiantou-se (ia nos 3-0), enquanto os madrilenos marcavam passo (1-1). Faltavam 20 minutos para acabar, os catalães deixaram perigar o seu resultado para os 3-2. Se empatassem, lá ia o campeonato à vida. Então - e só então! - deram as ganas ao Real Madrid, que acabou por ganhar 5-1, com quatro golos marcados nos minutos, os últimos 20, em que o seu adversário se atrapalhava, lá longe, em Sevilha. O futebol é uma escola da vida e a maior das suas lições é que tudo é relativo: nós somos o que os outros (aqueles que são os verdadeiramente outros para nós) fazem que sejamos. O Barcelona pujante, mesmo a milhas, deixou o Real Madrid fraco; mas um Barcelona tremelicante já espevitou os madrilenos. Oiçam um relator desportivo gabando as maravilhas da equipa que ganha e saibam-no igual ao comentador político que vira o bico ao prego ao sabor das sondagens. Que não vos desgoste os cataventos porque são uma homenagem a este facto: nada mais equivocado do que uma certeza. Nos tempos que correm (com campeões de futebol só conhecidos na última jornada e eleições britânicas confusas), a dúvida é um valor seguro. O céu vai deixar o Papa aterrar?

Ferreira Fernandes in DN, 09 V 10

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