quarta-feira, maio 05, 2010

a quatro mãos


4 Mains by Wim Mertens

morro de sono. caio de cabeça. fecho os olhos.
os dedos seguem seguros piano abaixo.
e eu tenho quase a certeza que sou eu que toco isto. que sou eu o teu fá bemol.
o ritmo não pára. é assim. frenético. como um texto sem fim. que se quer angustiantemente ilegível.
não há sentido para quem não quer ler mas sim escrever. não há fome para quem deixa comida na mesa.
há um saber posto ao fim do dia. caneta e folha. magenta como se quer  a flor.
cheira a orvalho na ponta do sabre que rasga a tua pele.
é assim tal e qual como nos filmes da cinemateca. uma legenda trocada no filme certo.
um fim abrupto numa continuidade infinita.

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