segunda-feira, junho 14, 2010

o mundial por aqui

 Por motivos de trabalho (ou presença na barraquinha para os santos do Vai Tu) não foi possível ver todos os jogos de Sábado em directo, o relato e opinião acabam por saber um pouco a comida requentada...

Coreia do Sul - Grécia (2-0)
Primeiro jogo do dia, do mundial para as duas equipas e logo de grande importância para ambas. O vencedor esperado (se é que isso conta mesmo) é a Argentina pelo que este encontro parecia ter vital importância. A Coreia do Sul chegou ao mundial invicta na fase de qualificação e apresenta, como todos sabem, como estrela maior o jogador do Manchester Park Ji-Sung. Presente pela quarta vez e embora não tendo grandes resultados no seu historial é uma candidata a uma potencial surpresa, ainda mais quando a Grécia se apresenta cada vez mais fraca. Após o europeu ganho em Portugal a qualidade dos helénicos decaiu bastante, sintoma sobretudo do facto de não terem sabido rejuvenescer os jogadores.

A Coreia do Sul entrou melhor e logo aos 7 minutos marcou o primeiro num livre, ou como se diz neste meio um canto de mangas arregaçadas. Sinal menos para a desatenção grega na defesa. O golo trouxe alento e confiança aos asiáticos que dominaram o (fraco) jogo durante toda a primeira parte. Note-se que a Grécia só rematou com (algum) perigo aos 44 minutos, o que prova o fraquíssimo jogo dos europeus.

Rehhagel no recomeço do jogo optou por tirar o organizador Karagounis e colocar um lateral. A ideia? Talvez fechar as laterais que era o alvo preferido dos contra-ataques coreanos. O resultado? Uma entrada novamente melhor dos asiáticos e o golo aos 52'- após clamoroso erro de Vyntras - do jogador do Manchester. A Grécia só conseguiu reagir a partir dos 70 minutos mas perigo real só aos 81' com um bom remate de Gekas, que talvez merecesse mais sorte.

Este jogo mostrou claramente a diferença entre uma Coreia mais habituada a este nível e uma Grécia que partia para a sua segunda presença num Mundial. Coreia e Nigéria poderão muito provavelmente decidir entre elas a selecção que acompanhará a Argentina.

Argentina - Nigéria (1-0)
Um dos favoritos do Mundial - pese embora Maradona - contra uma das equipas africanas com maior e melhor historial prometia claramente um jogo de nível e qualidade.

Puro engano. A Argentina marcou cedo, aos 7 minutos, por Heinze, de canto e a partir daí soube controlar o jogo mas muito pausadamente. Os sul-americanos jogavam para Messi e este ia tirando da cartola slaloms que deixavam a cabeça dos africanos em água. Resultado? Higuain falhava sempre o golo. Até ao final da primeira parte só um remate perigoso dos nigerianos aos 28' contra todo um caudal ofensivo argentino.

A segunda metade trouxe um jogo mais aberto de parte a parte com os lances de golo a sucederem-se em cada baliza. Mais uma vez, os sul americanos mostraram-se muito perdulários e tiveram do lado dos africanos um adversário de grande nível. Num jogo com grande velocidade e com grande teor ofensivo faltaram mais golos para abrilhantar a festa. Destaques negativos para Di Maria - muito apagado - e Messi - demasiado individualista. 

Inglaterra - EUA (1-1)
De um lado uma das favoritas - pelo menos assim pensam os habitantes da ilha do outro lado do canal da Mancha - do outro os criadores do soccer. Um jogo que tinha tudo para ser uma injecção de moral para os ingleses até começou bem com o golo do inevitável Gerrard, aos 4 minutos. No entanto, a partir daí os americanos souberam sair a jogar e mostraram bons níveis de entendimento e um futebol envolvente. O golo? Só aos 40' após um remate mortiço de Dempsey que o guarda-redes inglês Green aproveitou para colocar dentro da baliza e trazer mais ânimo ao jogo.

A segunda parte trouxe mais ritmo e o perigo rondou mais as duas balizas. Rooney mostrou muita garra e querer mas isso simplesmente não chega num mundial, mas também não o coloca num mundo negro e deprimente como o do anúncio. Donovan, a grande vedeta americana, é claramente o patrão dos americanos e controla-lo à saída do meio-campo é dominar as movimentações ofensivas dos yankees. 

O terceiro empate do mundial é uma vez mais justo e de certa forma até previsível pela pressão que todas as equipas têm para não correr muitos riscos e comprometerem já o apuramento. É também natural que no seguimento desse receio os jogos comecem sempre frouxos e acelerem na segunda metade. Mas, uma outra certeza fica deste quinto jogo, a Inglaterra terá que fazer muito melhor se não quer ficar pelo caminho quando jogar com equipas como a Alemanha - com quem pode emparelhar nos oitavos ou quartos-de-final.

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