quarta-feira, julho 21, 2010

histórias de amor XXII

Ele nunca percebeu porque a deixara ir naquele princípio de noite. As tropas - se é que as havia mesmo -, ainda estavam longe e talvez desse para fugirem os dois. Aquela história de amor acabara assim, refém do medo do Outro.
E, contudo, ele sabia que o maior receio era o dela. Porque temia um homem assim - duro e frio - como um soldado dos romances antigos. As promessas de amor de alguém que não podia jurar eternidade quando brincava à apanhada com a morte, simplesmente assustavam-na. E, todavia, chorou a noite toda naquela pequena avioneta arranjada para a sua segunda fuga.
A primeira? “Desculpa mas já não te amo”, e mesmo que ele soubesse que era uma mentira, de nada lhe servia. Entornou copos e garrafas toda a noite no alpendre envelhecido, até que uma dor no peito, como se de um tiro se tratasse, atirou-o ao chão. Se me perguntassem diria que morreu de amor. Se me perguntassem…

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