quinta-feira, julho 29, 2010

no dia do teu enterro

No dia em que foste a enterrar, e estavam lá todos os fotógrafos e todos os jornalistas, só se falava de uma coisa: da fotografia que não fizeste. A fotografia que levaste a vida a dizer que tinhas de fazer. A do Ductor morto. Aquela que, por não a teres feito, te matou. Não se falava de outra coisa, V. Sabd, no dia do teu enterro. E no entanto tu foste o que não fizeste porque, embora não o tendo feito, o disseste. O mantiveste dito. Como vontade, como raiva, como expectativa, como esperança. Em contraluz. Tu em contraluz. Nós todos em contraluz. Davam para a luz, as meias-varandas.

A guerra da Meseta de Artur Portela

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