sexta-feira, agosto 06, 2010

Das 'concierges' ao 'ambassadeur'

De um embaixador para outro, uma história de nós. Há dias, o nosso embaixador em Paris contou no seu blogue ("Duas ou Três Coisas", de que já aqui falei) que num jantar social os convivas lhe diziam: "Ah, embaixador português! A minha concierge também é portuguesa..." Seixas da Costa orgulha-se da marca de profissionalismo com que as nossas porteiras se impuseram em Paris, mas a repetição da relação "Portugal-concierges" empurrou-o para uma boutade. Começou a contar uma história que logo prendeu a atenção da mesa fidalga. Disse que tinha dez funcionários na embaixada com a função exclusiva de interrogar as concierges portuguesas de Paris. Estas, sobretudo as dos bairros mais finos, relatavam os segredos do prédio... As senhoras e os cavalheiros começaram a ficar nervosos, suspeitando que o embaixador sabia deles mais do que devia. E só no fim do jantar Seixas da Costa revelou ser tudo brincadeira. Ontem, no blogue, ele lembrou o nome do novo embaixador francês em Lisboa: Teixeira da Silva (ver na pág. 9). Neto de um lenhador de Castelo de Paiva e filho de um garoto que chegou a Bordéus com seis anos... Teixeira da Silva, especialista em questões de intelligence, já deve saber que não pode contar com a porteiras francesas de Lisboa para aprender alguma coisa. Mas, graças à sua história familiar, já sabe mais de nós do que muita gente fina parisiense.


Ferreira Fernandes in DN

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