quinta-feira, agosto 12, 2010

Se inventasse alguma coisa, o que inventaria?

Eu não sou de inventar muitas coisas. O que eu faço mesmo é a minha poesia e isso é uma coisa que não depende de mim inteiramente. O poema não pode ser feito por decisão minha. Eu digo que a minha poesia nasce do espanto, de alguma coisa que me tira do equilíbrio do quotidiano. Se isso não ocorre, o poema não nasce. Se pudesse, escreveria poesia dia e noite, mas isso não é possível. As pessoas também sonhariam viver o amor a vida inteira, apaixonados, mas tudo são maravilhas que não acontecem como a gente quer. E a poesia também, o sonho a cada momento. Tomara eu estar naquele estado para escrever um novo poema, mas nunca sei qual é, porque é uma coisa que surge inesperadamente.

Ferreira Gullar in jornal i

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