quinta-feira, agosto 12, 2010

Visita aos embaixadores da Lomografia

Natalie Zwillinger é uma jovem israelita na casa dos trinta anos. Há algum tempo, sentiu necessidade de revisitar as memórias da sua família, judeus que testemunharam de perto a acção das tropas alemãs, antes e durante a II Guerra Mundial. A busca que então encetou levou-a a um ponto, incontornável: Auschwitz. Até Setembro, Natalie apresenta as imagens, que recolheu na cidade polaca e depois sobrepôs com outros registos, na Embaixada Lomográfica de Lisboa.

'Fui investigar alguma da história da minha família, na Polónia e República Checa, e fotografei vários rolos nos campos de concentração', diz Natalie. Mais tarde, reutilizou os registos dessa viagem ao passado e fotografou imagens de momentos em família, celebrações religiosas em Israel, momentos do quotidiano.

Nova casa para a Embaixada
O espaço da Galeria é uma novidade. Há dez anos em Portugal, a nova Embaixada foi inaugurada no início do mês de Julho, depois de se mudarem do Bairro Alto para o número 15 da Rua da Assunção, em plena Baixa da cidade.
As embaixadoras portuguesas da Sociedade Lomográfica são Ana de Almeida e Sónia Galiza. Foram elas quem importou o fenómeno de Londres, depois de tomarem contacto a experiência lomográfica, quando viviam e trabalham na capital inglesa.
Entrando neste universo, que começa a estabelecer-se como espaço de culto para cerca de '30 a 40 mil' adeptos no país, como avança Márcio Barcelos, da Embaixada de Lisboa, há uma pergunta que vai pedindo esclarecimento: para uma actividade que se quer descontraída e divertida, porquê estas designações tão formais?
'Em Viena existe muito peso aristocrático, e, em jeito de ironia, quem criou a Sociedade Lomográfica ? que também tem um nome com peso ? decidiu que as lojas e representações noutros países seriam Embaixadas', explica Márcio Barcelos.

Lomografia: entrar no universo

E, na prática, o que é a Lomografia? Natalie Zwilinger responde: 'Eu costumo dizer que a Lomografia é como a Fotografia, mas com máquinas baratas'. De facto, as Lomo que encontramos nas prateleiras da Embaixada variam entre os 40 e os 60 euros, para as máquinas mais simples. Há outras que ascendem aos 200 euros, mas para quem dê os primeiros passos na arte, as 'Diana' (nome de um dos equipamentos com maior saída) são mais que suficientes.
Depois, é só uma questão de jogar com as especificidades de cada rolo fotográfico, trocar lentes e, como diz Márcio Barcelos, 'experimentar, experimentar, experimentar'. 'A ideia das máquinas lomográficas é que a própria máquina assume a responsabilidade de dar um resultado interessante à fotografia sem que a pessoa tenha de pensar muito', continua.
Mas Natalie faz outra interpretação desta que é uma das dez regras (bastantes informais) do lomógrafo. Para a artista, que descobriu a Lomografia numa loja em Nova Iorque, um pouco por acaso, há cerca de 10 anos, o 'não penses' deve ser interpretado na medida em que esta actividade não exige um conhecimento de máquinas fotográficas, de exposição ou de rolos. De facto, adianta, '99.9% das vezes, eu estou com o olho no visor da máquina. Se vir algo de que não gosto, não disparo'.
No final de contas, e mesmo prestando alguma atenção às regras, o que importa mesmo é divertir-se enquanto se registam os quadros quotidianos mais variados.

A era do digital

Há um ponto crítico, quando se fala deste regresso ao passado da fotografia. Depois da massificação da fotografia digital, como levar a cada pessoa a que se limite a um número ínfimo de disparos? 'Eu não vou pedir a ninguém para deitar a [máquina] digital fora, até porque eu tenho uma'. Natalie complementa, dizendo que o que se pede é que, ao contrário de uma primeira interpretação da máxima que apela à não reflexão, quem fotografa deve olhar para aquilo que está à sua frente e questionar o interesse daquilo que vê.
Porque, pensando bem: o rolo não é infinito.

in DN

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