quarta-feira, setembro 29, 2010

parece que é já daqui a pouco...

a maior revolução da música na tv desde que o vinil se lembrou de rodear do josé cid.

22h40 no canal Q

 

segunda-feira, setembro 27, 2010

Gibbons, Byrd, Schoenberg, Webern & Berg


by Glenn Gould

silenciar o silêncio

hoje só me apetece calar as palavras. amordaça-las de surpresa. fazê-las refém dos meus desejos tristes. sim , porque há desejos impregnados de tristeza e melancolia. sim, porque são os sonhos do dia que sei que não chegará que me ensurdecem no silêncio que me rodeei.

sexta-feira, setembro 24, 2010

playground love


by Phoenix

um poema

Entre mim mesmo e mim
não sei que se alevantou,
que tão meu imigo sou.

Uns tempos, com grande engano,
vivi eu mesmo comigo,
agora no mor perigo
se me descobre o mor dano.
Caro custa um desengano
e pois me este não matou
quão caro que me custou.

De mim me sou feito alheio,
entre o cuidado e cuidado
está um mal derramado
que por mal grande me veio.
Nova dor, novo receio
foi este que me tomou:
assim me tem, assim estou.


Bernardim Ribeiro

never say no to a panda. never!



via lady oh my dog

aquele antigo jovem

um copo e depois outro. o barman já nem lhe perguntava, só ia recolhendo os vazios e trazendo os cheios. luzidios e brilhantes que nem pedras preciosas.
lembrava-se bem da primeira vez em que aquele antigo jovem chegara aquela mesa. era um final de tarde de primavera e ele trazia toda a garra do mundo no “olá” que lhe atirara de chofre. os europeus eram sempre assim. vinham vivos e desapareciam feitos almas penadas. alguns enlouqueciam e acusavam até o tempo. besteira, que o tempo sempre assim fora e na aldeia só havia espaço para um louco.
o álcool. sempre o álcool. o eterno amor dos sozinhos naquela ilha perdida bem no meio do mar. as mulheres, que até as havia, não queriam nada com ele. se era por ser europeu ou por deambular feito sombra-viva vestida de cor ninguém sabia.
um copo e depois outro. o barman continuava fazendo o seu trabalho imune à morte-vida que se sentava naquela mesa de esquina, aquele antigo jovem também.

Canal Q duplica número de programas e aumenta horas de emissão

O número de programas duplica e de duas horas díárias o canal Q, exclusivo do Meo, passa a ter 15 horas de emissão, com repetições à mistura. Ao fim de seis meses de emissão e com cerca de 5 mil espectadores nas emissões convencionais e uma média de cem mil visualizações no vídeo-on-demand do operador de televisão paga, o canal de nicho abriu hoje as portas dos estúdios aos jornalistas e, num tom informal, mostrou a nova grelha de programação à imprensa.
(...)
Os novos programas vão introduzir na grelha projectos ligados à música, à literatura, à informação, à comédia e à conversa. Uma das novidades é um talk show dirigido por Nuno Markl, que terá como primeiro convidado Joaquim Letria. O programa “Toca e Foge” colocará bandas e cantores a tocar e a cantar nas ruas de Lisboa em locais inesperados - Dead Combo e Manel Cruz já estão confirmados. 

in Público

quinta-feira, setembro 23, 2010

[tempo perdido]


Comédias do Minho

Hallelujah



Beirut (live in Paris)

[tangibilidade]

Tangibilidade. Esta é a palavra que mais vezes usa sempre que discute as suas ideias com os amigos. O mundo é tangível, diz. Os seres humanos são tangíveis. São dotados de corpos, e, como esses corpos sentem dor e padecem de doenças e terminam na morte, a vida humana não sofreu nem a mais ínfima alteração desde os primórdios da Humanidade.

Paul Auster in Sunset Park

"versão saloia da Fox News"®

"No topo da minha caixa de mail, tenho dois mails de dois leitores. O primeiro insulta-me, porque eu escrevi o óbvio ululante: é preciso cortar nos salários da função pública. Lamento. O segundo diz que, sim senhora, é preciso cortar na FP, é preciso cortar neste estado, porque já chega de pagar impostos. Neste momento, há dois Portugais. Nos próximos anos, a luta entre estes dois Portugais vai ser o centro da nossa política"
- Henrique Raposo, aqui.

Anda uma pessoa a estudar uma vida inteira e afinal bastava abrir uma conta de mail. Se o próximo mail a cair na caixa do Henrique Raposo calhar a ser um daqueles spams prometendo aumentar a pilinha, a reflexão política nacional arrisca-se a fazer história.

André Salgado via é a vida

no mundo dos blogs

assumo sem qualquer rodeio. é ponto assente. inquestionável, diria mesmo. não há volta a dar.
não sei o que pense dos blogs de "gajas"! se por um lado é óptimo que as pessoas escrevam, e a maior parte das vezes elas escrevem muito bem, por outro os assuntos são muitas vezes...

pipoca mais doce, crónicas das horas perdidas, bad girls go everywhere, a mulher certa, boas intenções, são apenas alguns dos exemplos. haverá um padrão? é provável. histórias e estórias do dia-a-dia na primeira pessoa, relatos de viagens ou da vida lá fora. linguagem muito terra-a-terra e por vezes muito humor. e contudo algo falta...

leio blogs de desporto como se não houvesse amanhã, confesso. são os meus telhados de vidro, os meus guilty pleasures, mas sejamos sinceros são apenas isso blogs sobre bola, logo não há muito por onde brilhar. apesar disso há surpresas bem agradáveis como jogo directo ou gordo vai à baliza (melhor título de sempre). mas estranho que em blogs sobre vida, daquela mesmo boa, a vida vivida falta sempre algo. porquê? - é a pergunta.

segunda-feira, setembro 20, 2010

[ciganos]

Ciganos. E mais uma vez a minha raiz humana estremeceu. São eles que me dão sempre a medida absoluta da liberdade que não tenho e por que suspiro. Anarquistas em espírito e corpo, lembram-me príncipes do nada, milionários do desinteresse, sacerdotes da preguiça, ampulhetas obstinadas onde o tempo não se escoa. Comem a podridão, vestem-se de absurdo, são marcianos na terra. E ao vê-los caminhar na poeira do transitório, é a imagem do homem ideal que vejo passar, lírica e desdenhosa.

Miguel Torga, Diário VII, 1954

via Jugular

pausa

Sentada, de costas para mim, olhas
esse ponto em que todos os sonhos
se concentram; e a serenidade envolve-te
com o seu lençol efémero, para que
não penses em mais nada.


Nuno Júdice

domingo, setembro 19, 2010

Chegada de Afonso Costa a Lisboa (1912)


by JOSHUA BENOLIEL

Leya de portas abertas

O grupo Leya abriu ontem as portas da sua sede à comunicação social, anunciando as novidades editoriais para os últimos meses deste ano. Antes da festa, uma conferência de imprensa mostrou em primeira mão a reformulação do site da Mediabooks, a livraria virtual que vende os livros do grupo, apresentando igualmente algumas linhas estratégicas para os próximos tempos. A grande novidade da Leya passa pela venda de e-books, já disponíveis naMediabooks e brevemente também através da Apple (chegando assim ao mercado crescente dos IPhones, IPads, e outros Is). Numa primeira fase, estarão disponíveis apenas livros de autores portugueses, e sempre com a opção de comprar o livro em papel e o respectivo e-book (neste caso, com um enorme desconto no e-book, que ficará por 2.49 euros se for adquirido através da Mediabokks), mas brevemente começarão a estar disponíveis todos os outros novos livros e, gradualmente, alguns fundos de catálogo.
Depois da conferência, começou a festa. Muitos autores, os vários editores da casa e restantes membros das equipas editoriais receberam os visitantes, mostrando-lhes o espaço Leya e os livros que chegarão em breve às livrarias (entre eles estão títulos de Italo Calvino (Teorema), António Lobo Antunes (D. Quixote) e Gonçalo M. Tavares (Caminho)).
Talvez tenha sido eu, só eu. Inventar e criar é uma das minhas especialidades. Fiz de nós uma equação, um tratado tão perfeito quanto a matemática que me enche os dias. Posso estar enganado. Não creio.


Patrícia Reis, in Antes de ser feliz

quinta-feira, setembro 16, 2010

PROJECTO 10 - agora também em blog


O PROJECTO10 tem um novo espaço aberto à interacção com os seus leitores. Marquem nos vossos favoritos e visitem-no diariamente para ideias, sugestões ou simplesmente curiosidade.


http://blogprojecto10.blogspot.com/

sábado, setembro 11, 2010

vers l'autre dieu

de onde vens?
que religião é a tua?
onde está o teu deus?
para onde vais?

quando todas as manhãs te sentas ao meu lado,
e oiço apenas a tua voz respirada,
sinto que também ele se senta connosco.

é apenas mais uma viagem, eu sei.
mas o trajecto muda sempre.
não trocamos mais do que olhares.
observas-me.
eu também.
apetece-me perguntar-te algo.
contudo a minha boca não abre. é seca.
tal como a tua terra. longínqua.

amanhã vai ser diferente.
amanhã vou falar. contigo. e com ele.
e vou saber quem tu és.
se anjo. se apenas mais um velho abandonado a si mesmo.
abandonado a um outro deus.

silence within words


Silence - PJ Harvey

dança

se queres dançar, porque não queres dançar? o computador lento a correr o anti-vírus, o calor pesado como as coisas que te caem sobre a cabeça, a cabeça por dentro, melhor nem falar. se queres dançar, escolhes a música, deixas-te ir. se não queres dançar, o mundo quase que pára. o computador lento a correr páginas e páginas, o calor pesado das coisas, bem, falo? o mergulho é um mergulho, havia água e areia por todo o lado, as palavras debaixo do chapéu de sol. não foram férias, foi um passeio pelo inferno imaginado. se queres dançar, se quero dançar, porque não queres dançar, porque não quero dançar? entre tudo isso e isto, onde agora estou, pouca é a fronteira.e não, eu não falo. deixo tudo por dizer, assim espalhado, em cima da secretária. faz o favor de ler os meus sinais. faz-me esse favor. 

luís ferreira cristóvão

Malditos fundamentalistas

O pastor de uma minúscula congregação evangélica da Florida decidiu marcar para o dia 11 de Setembro uma queima do Corão, evocando saudosos tempos idos e emulando o hábito salutar de queimar bandeiras mantido por muitos manifestantes anti-americanos por esse mundo fora. Felizmente, toda a gente, de Hillary Clinton aos representantes das mais importantes religiões dos E. U. A., já disse o que tem de ser dito sobre a questão. O pastor, contudo, na sua teimosia de saloio fundamentalista (de bigode ridículo, como o de muitos outros saloios fundamentalistas), persiste na demanda insana, atirando mais uma acha para a fogueira das relações entre a América e o mundo islâmico. Valha-nos (Alá?) que existe alguém como Jon Stewart para colocar a questão da única maneira passível de ser colocada. Brilhante, como sempre:

The Daily Show With Jon StewartMon - Thurs 11p / 10c
Weekend at Burnies
www.thedailyshow.com
Daily Show Full EpisodesPolitical HumorTea Party

Entretanto, o pastor viu a luz, na forma de alguns agentes do FBI e de uma chamada de Robert Gates, o Secretário de Defesa norte-americano. Nada como a velha e boa persuasão federal americana. Aleluia!
Adenda: e não é que ele ameaça voltar atrás com a decisão? Quando a loucura se torna realmente perigosa…

A perfect day to chase tornadoes


Jim White

uma trama qualquer

sabes, sempre quis escrever o enredo perfeito. criar os meus personagens, e vivê-los dentro de mim. ser outro ou outra, que nisso de géneros tanto se me dá como se me deu. quis viver o passado deles e esquece-lo no álcool das festas que vou por conveniência. tu sabes que sempre quis ter outra vida. consegui. hoje já não sou eu. sou um actor de mil palcos. só não sei onde deixei o guião . só não sei o que fazer com este enredo. perdi-me nesta trama. e agora?

i see the light

 via Bookshelf Porn

[Escrever um texto]

Escrever um texto 
e deixá-lo abandonado na página


Não voltar a lê-lo,
não o mostrar a ninguém,
não o mandar a nenhum lado.
Que fique no seu repouso de texto.

E deixar que aí encontre seu leitor,

como todos os textos o encontram.


Também o que levamos escrito dentro
e nos parece impossível que alguém possa ler

Roberto Juarroz in Poesia Vertical

Trauermusik


P. Hindemith

quatro prisões e uma liberdade

ele perdera as pernas num acidente que procurava esquecer todas as manhãs. a dor perseguia-o todo o santo dia, dizia ele a quem o ouvia. a noite apenas trazia o descanso sobre a forma dum mundo de sonhos. eram assim as suas novas pernas, apenas um impossível sonho.

ela nunca chegou ao altar. ele esperou horas. ligou-lhe mil vezes, até saber de cor as palavras "the number you have dialed is not in service". ela não ligou mais o telemóvel. os amigos e a família foram saindo, abandonando-o, até ficar só e sozinho. preso a uma esperança. só e sozinho, à espera de ouvir um simples toque do outro lado do telemóvel.

ela não conseguiu chorar. ainda hoje tenta relembrar-se de todos os pormenores daquela despedida e não compreende o porquê. arrepende-se. arrepende-se todos os dias e transporta consigo essa dor. que afinal tinha tão simplesmente a forma duma lágrima. lembra-se do carro da polícia leva-lo no banco de trás e aquela última troca de olhares. faltou apenas uma lágrima, que lhe libertasse daquele sufoco no coração.

ele e um segredo. ele que tinha que viver a sua vida assim, mudo. talvez não lhe custasse muito. ele até era um homem de poucas palavras. mas doia-lhe carregar assim um segredo. não se casara nunca. porquê? por causa do segredo? talvez. talvez não. e, contudo isso não importava nada. porquê? porque apenas queria que as palavras juntas à sua volta fizessem algum sentido. apenas queria ler.

naquele fim de outono só eles os quatro perceberam que afinal a liberdade sempre ali estivera. a liberdade, silenciosamente guardada nos quatro andamentos da trauermusik de hindemith, e no som seco duma bala. a liberdade, assim, de rompante.

quarta-feira, setembro 08, 2010

Rol dos da raça de segunda

O cardeal Mazarin nasceu Giulio Mazarino, em Nápoles, e foi primeiro--ministro francês, de Luís XIV. Marie Skolodowska nasceu em Varsóvia, foi Nobel da Física duas vezes mas entretanto já era Madame Curie e francesa. Três tipos juntaram-se e fizeram três grandes filmes: Z, A Confissão e Estado de Sítio. O que escreveu as histórias nasceu em Madrid, Jorge Semprún, o que realizou nasceu em Atenas, Costa-Gravas, e o que deu cara nasceu numa aldeia italiana, Yves Montand. Três filmes franceses, três tipos franceses. Também Serge Reggiani, nascido italiano, Dalida, nascida no Cairo, e Moustaki, nascido em Alexandria, se tornaram cantores franceses. Johnny Halliday não conta, o pai é que era belga, Johnny nasceu em Paris, não entra neste rol de naturalizados (já a primeira mulher, Sylvie Vartan, nasceu búlgara). Belga de nascimento era Marguerite Yourcenar, a primeira mulher eleita para a Academia Francesa. Por escrever bem em francês, como Milan Kundera, que nasceu em Brno, na Moldávia. Todos franceses. Mas, atenção, de segunda. Esta semana, Sarkozy decidiu que há essa raça à parte: franceses a quem se pode tirar a nacionalidade porque não nasceram franceses. Como é que ele explica isso lá em casa à mulher, que nasceu italiana, e ao pai, que nasceu húngaro? Diga-se, entretanto, que Napoleão escapa: nasceu em Ajácio, três meses depois de a Córsega se tornar francesa. Uff...

Ferreira Fernandes in DN

terça-feira, setembro 07, 2010

ler ou criticar?

E voltamos à pergunta inicial: para que serve a crítica? E começamos a encontrar algumas respostas. Não é, como é evidente, para se substituir ao autor. Uma crítica não pode dizer aquilo que o autor não disse, ou não quis dizer, ou seja, não se deve substituir à obra. O lugar do crítico é o lugar do leitor: e, aí, tentar encontrar as questões que o texto coloca a quem o lê, procurando dar-lhes uma resposta, já que a simples leitura não tem esse fim. Se, ao ler a crítica, o leitor tiver encontrado ao menos uma resposta às interrogações que cada obra coloca, o objectivo da crítica pode dar-se por satisfeito. Se, pelo contrário, o leitor terminar essa leitura sem qualquer esclarecimento, e ainda mais confuso, devido à linguagem ou ao estilo do crítico, é porque a crítica falhou.

Nuno Júdice, in ABC da Crítica, Dom Quixote, 2010

estão todos convidados...

extremismo

(extremo + -ismo)
s. m.
Adopção!Adoção de teorias político-sociais extremas.

# 7... mesmo no extremo...


Realização e Montagem: João Manso
Imagem e Direcção de Fotografia: Armanda Claro
Áudio: Zé Pedro Alfaiate

quinta-feira, setembro 02, 2010

a ciganice de Sarkozy

Todos sabíamos do papel que os ciganos desempenharam no descalabro financeiro mundial. O conselho de administração do banco Lehman Brothers era integralmente constituído por ciganos.

A crise económica que o mundo vive é complexa, e não é fácil apontar com exatidão o momento em que terá principiado, mas o governo francês já identificou os seus responsáveis: são os ciganos. A descoberta não terá apanhado ninguém de surpresa. A bem dizer, todos sabíamos do papel que os ciganos desempenharam no descalabro financeiro norte-americano e, subsequentemente, mundial. O conselho de administração do banco de investimento Lehman Brothers era integralmente constituído por ciganos. Uma das razões da falência do banco foi, aliás, o facto de os seus administradores só pegarem ao serviço à tarde. De manhã estavam na feira, a vender T-shirts de contrafação. Bernard Madoff, cuja tez morena é bem reveladora de ascendência cigana, confessou ter planeado o seu esquema fraudulento ao som dos Gipsy Kings. E subprime é um termo do dialeto cigano que significa "ai, Lelo, vamos conceder empréstimos imobiliários de alto risco até provocar a insolvência de três ou quatro grandes instituições financeiras".
Ninguém sabe bem a razão pela qual os gregos elegeram um governo de ciganos, mas o facto é que eles estão lá, a fazer crescer a dívida externa e a arrastar a Europa para a falência. E Sócrates, não sendo cigano, é, no entender de muitos, um ciganão. Creio que é óbvio para toda a gente que a crise económica é mundial precisamente porque os ciganos, sendo nómadas, conseguiram levá-la a todo o lado.
É mais do que natural e justo que o governo francês tenha perdido a paciência com os prejuízos que esta etnia tradicionalmente ligada à alta finança tem provocado e, por isso, como costuma suceder em França com os estrangeiros que não têm categoria suficiente para representar a seleção francesa de futebol, os ciganos foram recambiados para o seu país de origem. País esse que, neste caso, é a Roménia - que faz parte da União Europeia. É azar: os ciganos, que são um povo sem fronteiras, têm algumas dificuldades para circular na Europa sem fronteiras. Ainda assim, um povo tão habituado a ler a sina deveria ter adivinhado que isto da livre circulação de pessoas iria ser prejudicial para quem é nómada. Era mais que óbvio.
Não ignoro que a medida de Sarkozy tem sido criticada, mas apenas pelos radicais de esquerda do costume. Como o Papa. A verdade é que os ciganos só trazem problemas. Recordo que o cigano mais famoso de sempre era estrela de cinema. Chamava-se Charlie Chaplin. Se bem me lembro, era raro o filme em que ele não arranjava problemas com a polícia. Aquilo está-lhes no sangue. 

Ricardo Araújo Pereira in Visão