sexta-feira, setembro 24, 2010

aquele antigo jovem

um copo e depois outro. o barman já nem lhe perguntava, só ia recolhendo os vazios e trazendo os cheios. luzidios e brilhantes que nem pedras preciosas.
lembrava-se bem da primeira vez em que aquele antigo jovem chegara aquela mesa. era um final de tarde de primavera e ele trazia toda a garra do mundo no “olá” que lhe atirara de chofre. os europeus eram sempre assim. vinham vivos e desapareciam feitos almas penadas. alguns enlouqueciam e acusavam até o tempo. besteira, que o tempo sempre assim fora e na aldeia só havia espaço para um louco.
o álcool. sempre o álcool. o eterno amor dos sozinhos naquela ilha perdida bem no meio do mar. as mulheres, que até as havia, não queriam nada com ele. se era por ser europeu ou por deambular feito sombra-viva vestida de cor ninguém sabia.
um copo e depois outro. o barman continuava fazendo o seu trabalho imune à morte-vida que se sentava naquela mesa de esquina, aquele antigo jovem também.

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