segunda-feira, outubro 18, 2010

Críticas falsas são refresco


O genérico do episódio dos Simpsons que os americanos viram no passado dia 10 foi, contra o que é habitual, encomendado a um artista de fora. Calhou a Banksy, um célebre graffiter londrino. E o que os telespectadores viram foi violento: os desenhos dos Simpsons feitos por crianças asiáticas, em ambiente sujo e soturno, os bonecos de merchandising enchidos com ratos triturados e até o buraco central dos CD feito por um triste e explorado unicórnio. O episódio apareceu quando há esta notícia real: a Fox, a empresa que produz os Simpsons, subcontrata trabalho na Coreia do Sul... Então, e a Fox permitiu o desaforo de Banksy? Ontem, numa tribuna de opinião no El País, uma professora de Literatura lamentou-se: os artistas estariam a ser desapossados da sua arma crítica, os capitalistas não lhes ligavam e, supremo desprezo, não os censuravam. Ora, no fundo, a Fox segue aquele artista (Berlioz), que dizia: com as pedras que me atiram faço o meu pedestal. A Fox faz o seu pé-de-meia, os Simpsons nunca foram tão comentados (o que terá efeitos nas vendas). Berlioz não gostaria da pedra que partisse o piano, impedindo a sua Sinfonia Fantástica; já com as outras pedras... A Fox não gostaria de uma crítica certeira, já com o exagero de Banksy ela pode bem: não trabalham nem crianças nem unicórnios na tal empresa sul-coreana. A questão é: quem deita a pedra deve saber fazê-lo.

Ferreira Fernandes in DN

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