quinta-feira, outubro 07, 2010

cruzar a tua cidade.

a cidade não era dele.
era uma extensão dela.
do sorriso dela.
talvez por isso insistisse todos os dia em vê-la sair de casa.
diriam que era uma volta inútil cruzar toda a cidade.
diriam.
mas era um mal necessário.
só assim via os seus passos apressados em direcção ao barco
só assim sentia como se fossem seus os suspiros infinitos de impaciência.
perguntava-se quando chegaria a hora
de a conhecer.
de lhe ouvir a voz uma segunda vez.
aquela cristalina voz que ouvira quatro meses antes no café do teatro onde ia sempre.
perguntava-se. regularmente.
mas era ele que não regulava mais.
foi dentro numa manhã como as outras.

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