domingo, outubro 17, 2010

sábado

porque era sábado outra vez e continuavas ausente do mapa dos desejos, deixei de inventar sensações, fechei-me dentro do espaço ínfimo da manta mais quente da casa. porque era sábado outra vez, os pés descalços sobre o chão bem frio, eu a querer fazer inverno, tu ainda a sonhares verão, e o mapa sempre ausente das palavras que nos dedicamos. soubeste aparecer na hora marcada ou vamos então repetir ao infinito o desencontro das lições, conseguir dizer frases inteiras, conseguir encenar abraços e depois, depois sim, deixar que seja o vazio, o desencanto, sábado outra vez, quantas vezes, na vida. 

luís filipe cristóvão

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