quinta-feira, outubro 07, 2010

um estrangeiro em terra minha

o autocarro deixou-me pouco passava das duas. o sol estava quente. um braseiro mas não um inferno, porque isto de nascer em dia de verão tem as suas vantagens. pé ante pé pisei o empedrado velho da vila. um carro aqui e ali, mas sobretudo um intenso cheiro a ausência. eram flores distantes, estendais sem roupas e velhos sem poleiro. o café central vazado de moscas a morrer numa maquineta bem do tempos dos falecidos 80's. um desdém com jeito de olhar para mim, e uma intensa vontade de não ligar. os trocos contados para cigarros e bilhar eram apenas uma desculpa rafeira para um assobiar provocador. quem és tu?, era a pergunta do velho da camisa de flanela coçada. ninguém, responderia o romeiro. ou então apenas um silêncio. era um dia como todos os outros naquela terra sem fim do mundo. e eu apenas mais um ulisses sem cão de guarda à minha espera.

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