domingo, novembro 07, 2010

da pergunta que nunca encontrou uma resposta

onde está o adn do amor?, perguntava ele todas as manhãs. todas as manhãs. de todos os dias. dias.
e, contudo, não achava uma resposta. não achava a resposta. e por isso ele perguntava. e perguntava.

mas ele não desistia nunca e, entre um café, uma carcaça e um jornal, repetia a sua pergunta ao expoente da loucura.

o sr. carlos, do café, gracejava sobre o assunto com a sua mulher.
a dona luísa da padaria nem lhe respondia, preocupada que estava com as dores de costas da dona elisa.
o sr. francisco do quiosque mantinha-se em silêncio. sempre fora assim, não fazia sentido mudar agora.

até que um dia, entre a pressa de entrar para o comboio apressado e o chega para lá da manhã confusa, sentiu um olhar cruzar-se com o seu. foram apenas breves segundos, mas acompanharam-no todo o resto da viagem. um coração tinha agora cara. um sorriso forma. sabia agora que o adn do amor iria chegar no comboio das 8h20.

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