segunda-feira, novembro 08, 2010

histórias de amor XXV

este é um dia cheio de armadilhas. o sol não se decide a ficar por aqui e a chuva não me molha a alma. nem sei mais se a tenho. se acredito nela. se ela não me traz nada e eu fico assim não sendo nada. nem sol, nem chuva. sou apenas um frio intenso.


este é um dia cheio de armadilhas. dia em que vejo e revejo as horas cheias de minutos vazios. onde as memórias do amanhã não estão na biblioteca comprada há uns anos no ikea. onde o teu perfume não escorre mais pelo teu pescoço sem fim.

onde estás? onde ficaste, afinal? em que paragem saíste tu? porque não houve mais uma manhã com o teu sorriso a beijar-me? lembro-me como se fosse amanhã do teu último beijo, e assim fecho os olhos e ponho a música mais alta. por favor, silencia-me a memória curva ao som de um mi sustenido de liszt.

este é mais um dia cheio de armadilhas. onde vejo o teu corpo caído no asfalto, tal e qual como no dia em que o teu corpo estendido naquela estrada me meteu por um atalho onde nunca quis virar. morte.

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