sexta-feira, novembro 26, 2010

josé e pilar


ou como fazer um belo retrato em movimento do amor e da literatura. uma pérola a não perder...

Além do documentário exibido originalmente no DocLisboa, e já em circuito comercial, recomenda-se também a leitura da entrevista ao realizado Miguel Gonçalves Mendes no suplemento Ipsilon.

"José e Pilar": uma história de amor entre um português melancólico e uma intempestiva andaluza. Mas é também, diz-nos o realizador Miguel Gonçalves Mendes, um espelho que nos confronta, espectadores, portugueses"

Há um momento, e não é longe do início de "Pilar e José", em que o filme parece logo coisa ganha: quando a angústia do escritor Saramago perante a página em branco - cliché na nossa cabeça - se transforma numa batalha lúdica do jogador Saramago com a paciência - o jogo da... O que Miguel Gonçalves Mendes, 32 anos, revela aí é a determinação de construir uma cena como numa ficção. Isso vai tendo oportunidade de se mostrar ao longo do documentário, através da ironia, da cumplicidade e da admiração perante as personagens José e Pilar. E também esculpindo na montagem um espelho que nos confronta, espectadores, portugueses.

Um dos primeiros planos do filme é hoje estranho: José Saramago diz "Pilar, encontramo-nos num outro sítio". Parece um plano do "lado de lá". Em que momento da rodagem esse plano aconteceu? E tem um sentimento diferente hoje, quando sabemos que Saramago morreu?

Acho que o sentimento da altura e o de hoje é o mesmo. A temática da morte interessa-me muito. É uma obsessão que tenho de resolver. Claro que no caso do José a contagem descrescente estava lá, era um problema efectivo.

O que lhe propus foi a coisa mais idiota: "José, imagine que acontece um cataclismo, o que é que dizia à Pilar como última mensagem?" E ele disse aquilo...

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