terça-feira, dezembro 28, 2010

um apontamento (a dois tempos) sobre o reconhecimento

E quando o reconhecimento chega cedo? Hoje ao almoço (nem tarde, nem cedo) falava-se do caso de um autor que está em vida, ainda mais atendendo ao facto de em anos de autor (porque deve existir uma tabela semelhante à dos cães), a ter sucesso, reconhecimento, e prémios, bem cedo. Explicações? Falou-se numa das principais característica  definidoras da modernidade, que é esta rede onde todos vivem e partilham. Tudo. Além disso é também possível uma maior divulgação da(s) obra(s) dos artistas. Apontou-se o facto de alguns autores terem "redes de simpatia" já montadas. Talvez seja tudo isso...

Mais tarde, mas ainda cedo, e enquanto lia outras coisas e pensava noutras ainda, veio-me uma potencial resposta. O reconhecimento chega hoje mais cedo porque há um crivo maior. Paradoxo? Talvez. Mas a verdade é que há hoje mais leitores bons e maus - e não estou aqui para discutir a história da galinha e do ovo e de não haver bons ou maus leitores -, mas há também mais críticos. E mais editores. E os editores lêem mais hoje. Melhor e pior, certamente, mas lêem mais. Nem por acaso no bibliotecário de babel foi colocada hoje à tarde uma citação de Samuel Johnson, que reza assim: «The greatest part of a writer’s time is spent reading. In order to write, a man will turn over half a library to make one book.» Pois com o editor não é muito diferente. ou seja tem que ler muito. Gasta (ou ganha) muito tempo. E onde quero chegar com isto? O crivo é hoje mais apertado, mas é também mais fidedigno, excepção feita aos críticos que se deixam levar por modas ou interesses como Sílvia Chicó refere no seu artigo. Creio que podemos olhar para os críticos e editores como sendo a materialização física do tempo. São relógios, ou calendários, ambulantes. E não estou de todo a ser depreciativo. Um bom editor ganhou tempo em vida, como que chegou mais cedo às certezas do crivo do tempo. Mas claro que isto é só uma tese...

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