terça-feira, janeiro 11, 2011

noite chegada

o comboio prometera a todos uivar com força, nessa noite chegada, mas era já demasiado tarde para algo mudar. ela puxara os cobertores até cima e enrolara os lençóis nos pés. era um tique cozido nas saudades dele. o frio instalara-se de surpresa na cidade-deserto e, contudo, ela só pensava que os sonhos estavam já aí. como o sol de julho numa esplanada de agosto. como um desejo mesmo à mão de semear. ainda sussurrou um “boa noite”, mas ninguém ousou responder. ela. só no silêncio. só na noite chegada.

nota: resgatado de uma outra vida perdida

Sem comentários: