quarta-feira, janeiro 19, 2011

a outra prisão

é me estranho, este prender das palavras que não escrevo. é me estranho, e digo-te que repito na tinta seca da caneta um prolongar do bico que foi cortado a silêncios. não dá. não cai mais giz na ardósia. e é me estranho, este querer um abc à maneira antiga, daqueles que tem rimas nas vogais e contratempos nas consoantes. é me tão estranho, o sentir ausente da escrita quando me afogo em palavras de outros. é me estranho, entrar nesta outra prisão e fechar-me por dentro. é me estranho, ser um estranho das minhas palavras.

1 comentário:

susana disse...

e outro estranho chega e deixa prender-se a estas.