domingo, março 06, 2011

[dentro das minhas quatro paredes]

dentro das minhas quatro paredes
falta sempre uma janela que se abra de
par
em
par.

e quando fico, assim,
encostado contra os limites do mundo - aqueles que me juraste que nunca conheceria -,
apetece-me gritar
e dizer que não.
que não.
que não.
que não há mais nãos.
nem sins feitos de murmúrios.


lembras-te da nossa conversa naquela manhã?
aquela que chegou pé-entre-pé e se instalou no nosso silêncio feito de beijos.
eu falei-te de mim e tu de ti. trocámos juras e segredos. e eu soube, sim, porque nesse dia tive a certeza que eu seria sempre assim. um desenho feito à tua medida. uma palavra criada para não termos de dizer nenhuma outra.

e eu, assim,
complexo, confuso e imutável.
em suspenso.
e eu, assim,
é que acabei por perder,
dentro das minhas quatro paredes,

a porta da rua.
e fico a sós com o segundo toque que ecoa sozinho.

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