quinta-feira, abril 07, 2011

O cerco a Portugal e os seus cúmplices

As agências de rating conseguiram o que queriam. Depois de darem muito dinheiro a ganhar em juros aos nossos credores, fizeram tudo para que Portugal aceitasse a vinda do cobrador de fraque. Feito o serviço que tornava os juros impraticáveis, a comissão liquidatária pode finalmente vir desmantelar o País.

A banca conseguiu o que queria. A chantagem resultou. A intervenção externa a permite que os bancos tenham dinheiro fresco e liquidez. Não é no País que estão a pensar. E na sua própria situação. E, mais uma vez, à custa do poder político e dos sacrifícios de todos nós. Já tinha sido assim com o BPN. Sempre foi assim com as vantagens fiscais. Assim continuará a ser.

PSD, Presidente da República e o exército de comentadores e economistas de serviço conseguiram o que queriam. Foram cúmplices do cerco ao país. Espero que nas décadas mais próxima não saia das suas bocas a palavra "patriotismo". O objetivo é claro: garantir que o odioso desta capitulação fica com o atual governo. O próximo primeiro-ministro terá apenas de aplicar o caderno de encargos que herdar. De caminho, asseguram-se os que temem qualquer tipo de imprevisto que, na próxima campanha, apenas de discutirá as responsabilidades passadas pelo estado em que estamos. Se foi a má governação ou o precipitar da crise política que nos trouxe até aqui. O futuro, esse, estará decidido mesmo antes dos votos.

A credibilidade das agências de rating não vale um cêntimo furado. A preocupação da banca com a situação do país é, sempre foi, nula. A guerra entre o PS e o PSD não tem a situação dos cidadãos deste país como centro do debate. Estamos sozinhos.

Nem sempre as gerações que se seguem são justas com os seus antepassados. Se forem, dirão que vivemos tempos em que dependemos de gente pequena e gananciosa. Mesquinhos demais para a grandeza das escolhas que tinhamos de fazer . Ambiciosos demais para a missão que deveriam ter como sua. Temos das elite políticas e económicas mais estúpidas e incapazes da Europa. Sempre foi esse o nosso drama. Não mudou nada.

Daniel Oliveira in Arrastão

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