quarta-feira, abril 20, 2011

a outra porta

sinto
que hoje é um bom dia para conhecer as vermelhas luzes de néon
da tua nova casa.
não é distinta, eu sei.
e traz consigo o cheiro gasto
dos teus avós moribundos.
nela as cadeiras rangem a cada espreguiçar
e há um zumbido constante
da farmácia-casa-mãe-de-drogados-e-putas-virginais.
eu sei que há um bordel para lá das portas de madeira
por onde entras
com aquele vestido branco. imaculado.
oferecido numa daquelas viagens sem rumo. tão es-pon-ta-ne-a-men-te.
e sei
também
que entre a puta da esquerda, a puta da direita e tu
sobra apenas uma curva.
e sei que resta apenas
um balançar de corpo
que pode ser do estupro ou da bebedeira.
e sei que se hoje se entra por aquela porta cândida
é porque o amanhã não traz mais forças
do que um sóbrio baixar de braços
e o não
lutar mais pelos sorrisos do teu filho.
assim abandonado.

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