quarta-feira, abril 20, 2011

a outra rendição

se hoje não há macarthur
nem rendições forçadas
é porque esta cidade está deserta
e não há ninguém para assinar os papéis finais.
se as folhas que voam,
soltas,
são os cadernos de memórias
que alguém te devia ter sussurrado ao ouvido
é porque
hoje não há perdão
              nem rendição.
e se dar um passo
no meio dos escombros da cidade perdida
é trazer um pouco mais de vida
à terra que renegaste na minha infância
então
crescer longe foi a pungente deserção
que me ofereceste.
foi uma dádiva severa.
foi um presente pleno de perversão.
hoje relembro apenas este pó
feito migalhas da história
e
a bomba letal
que escreveu rendição nas paredes
ausentes de nós.

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