terça-feira, maio 31, 2011

the tree of life

"o que é a subjectividade?" 


"é a qualidade do que é subjectivo!."

mas também dizem que é escolher. 
inocentemente escolher um caminho.
pode ser o caminho da natureza ou o caminho mais natural.
pode ser o caminho da graça. pode até ser um caminho com graça. 
aquela graça que as inocentes crianças trazem em cada pequeno momento. quer ele seja uma dança louca entre esguinchos de água, quer ele seja o dançar de mão matreira fora do carro.
também dizem que malick é um amante da inocência.
é uma opinião subjectiva, digo eu. só porque não dá entrevistas, não faz promoção aos seus filmes, e é um católico crente que discute teologia nas filmagens. é por isso que é um amante da inocência? ou não?
é subjectivo. é subjectivo o caminho que cada um segue. o caminho em que se acredita. inocentemente se acredita. é subjectivo. porque pode ser aquele das imagens bbc - vida mais ou menos selvagem -, mas pode ser o dos crentes que devotos toda uma vida recebem em troca... uma mão cheia de nadas.
não mates o pai. não desejes a mãe. não traias o irmão. não te deixes levar pelo caminho do pecado. que crescer também pode ser tudo isto. e aqueles olhares humanamente ausentes de inocência. apenas pecado. apenas culpa.
e temos as imagens da natureza. brutalmente divinas. e os gestos terrenos, que nunca são feitos à Sua imagem.
que sobra então neste caminho de duas saídas?
a beleza inocente das imagens da natureza.
                                                            e a inocência da natureza humana.
são apenas graças em volta das palavras.
são apenas imagens em volta de um filme.
de culto? não sei. é subjectivo.

segunda-feira, maio 30, 2011

Josh e Toca. Rouse e Foge.


Josh Rouse no Toca e Foge. Um luxo daqueles!

terça-feira, maio 24, 2011

o tejo mais além, o sossego mais aqui

Alentejo 11

Os 20 que nos têm cativos

Sim, também se aprende em eleições. Já a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários revelara no relatório anual sobre as sociedades cotadas (mas quem lê relatórios da Bolsa?), mas foi Francisco Louçã que disse em campanha: 20 administradores acumulam lugares nas administrações de mais de mil empresas portuguesas! Os discursos eleitorais sendo como os almoços, nunca grátis, Louçã puxou a coisa para o efeito imediato: um desses administradores omnipresentes ganhava 2,5 milhões de euros por ano. Ora esse é talvez o aspecto menos interessante do facto extraordinário de haver 20 pessoas com presença, cada uma, em 50 conselhos de administração. Aliás, alguns até estão em cargos não remunerados - e isso sublinha todo o sentido daquela bizarria. Os 20 tipos espalhados por mil empresas não estão lá para as gerir, estão lá para influenciar. Noutros negócios - máfia, maçonarias, Opus Dei (ou se quiserem ser românticos, dez estudantes finalistas brilhantes que fazem um pacto secreto para dirigir o País ao fim de uma dúzia de anos...) -, noutros negócios similares há a construção de um polvo, com estatutos mais ou menos secretos e uma vontade de organização. Mas os nossos "20 em mil" não são filhos de um complô - eles existem porque a nossa economia (centralizada e sem rasgo) respira naturalmente esta distribuição de poucos por quase tudo que dê dinheiro a sério. É assim porque é assim. E não vai deixar de ser assim.

Ferreira Fernandes in DN, 23 V 11

numa stória perto de si


Stória Stória, Mayra Andrade

numa literatura próxima de si

Organizadas pelo Departamento de Humanidades (DH) da Universidade Aberta (UAb), e com coordenação científica da Profª. Doutora Isabel Barros Dias e do Prof. Doutor Luís Carlos Pimenta Gonçalves, do DH da UAb, as segundas Jornadas de Literaturas Europeias da UAb realizam-se a 26 de maio de 2011, das 10h às 19h, na Sala Polivalente da Universidade Aberta no Campus do Taguspark, em Oeiras.

Nesta 2ª edição, subordinada ao tema "Territórios e Diálogos Transfronteiriços", é dado particular destaque às Literaturas de Língua Eslava. Do programa fazem parte onze comunicações e uma conferência de encerramento proferida por Christine Baron, professora da Université Sorbonne Nouvelle - Paris III. 

via Universidade Aberta

numa rua próxima de si

dizem que banco é caixa. mas a caixa não é estado. por outro lado, o estado deve fazer serviço público. mas nem sempre o faz. a caixa também sabe fazer serviço público... e, assim, como uma surpresa, apresenta um blog. é um blog não-institucional. mas é bom. é urbano. mas não cheira a ic19. nem a cacém. nem mesmo a programa pólis. a caixa também pode ser um serviço público. porque a caixa também pode mudar a cidade.

quinta-feira, maio 19, 2011

um sr. blog

porque AQUI também se fala de livros. de ler. de reler. de rever. de ver. e de...

quarta-feira, maio 18, 2011

fidelidade

Desta feita, reservo o meu corpo ao esforço de viver a sós. Do nascimento até aqui, quanta solidão ampliada na temperatura do outro. Guardarei o meu corpo e o meu querer tudo até ao dia em que da memória nasça um fruto. É também este o propósito da viagem, cultivar, de uma vez por todas, o exercício da recordação.

Catarina via a Trama

Philip Roth takes out Booker International

«American writer Philip Roth has been honoured with the prestigious Booker International Prize for his overall achievement in fiction.
Roth beat 12 other finalists for the $90,000 prize, which was awarded at the Sydney Opera House.
The prize, announced as part of the Sydney Writers' Festival, is awarded every two years for a writer's overall achievement in fiction.
Among Roth's best known works are Portnoy's Complaint, American Pastoral and The Human Stain.
The judges said that for more than 50 years, his books have stimulated, provoked and amused an enormous and still expanding audience.
Dr Rick Gekoski, chair of the judging panel, praised Roth's 50-year career.
"His imagination has not only recast our idea of Jewish identity; it has also reanimated fiction, and not just American fiction, generally," he said.
"His career is remarkable in that he starts at such a high level and keeps getting better.
"In his 50s and 60s, when most novelists are in decline, he wrote a string of novels of the highest, enduring quality."
Dr Gekoski says Roth's most recent book Nemesis, published in 2010, is "alive with feeling".
"His is an astonishing achievement," he said.
In a statement, Roth said he was delighted to receive the prize and hopes it will bring his work to the attention of more readers around the world.
"I would like to thank the judges of the Man Booker Prize for awarding me this esteemed prize," he said.
"One of the particular pleasures I've had as a writer is to have my work read internationally despite all the heartaches of translation that that entails.
"I hope the prize will bring me to the attention of readers around the world who are not familiar with my work. This is a great honour and I'm delighted to receive it."
Among the 13 finalists for the award was Australian writer David Malouf.
The judging panel for the prize included Dr Gekoski, writer and critic Carmen Callil and award-winning novelist Justin Cartwright.
Earlier this year there was controversy surrounding the announcement of the finalists when one of them, British author John le Carre, immediately asked to be withdrawn from consideration for the prize.
Dr Gekoski said at the time that le Carre's name would remain on the list of finalists.
Previous winners of the award include Canadian writer Alice Munro (2009), Nigeria's Chinua Achebe (2007) and Albanian Ismail Kadare, who scooped the inaugural prize in 2005.»

in ABC

Nota: Mais um prémio para Roth. Mais um prémio merecido. Esperamos agora pelo Nobel...

Adenda: Com algum atraso, mas cá está a notícia em versão portuguesa (link).

quinta-feira, maio 12, 2011

A um Homem do Passado


Estes são os tempos futuros que temia
o teu coração que mirrou sob pedras,
que podes recear agora tão fundo,
onde não chegam as aflições nem as palavras duras?


Desceste em andamento; afinal era
tudo tão inevitável como o resto.
Viraste-te para o outro lado e sumiram-se
da tua vista os bons e os maus momentos.


Tu ainda tinhas essa porta à mão.
(Aposto que a passaste com uma vénia desdenhosa.)
Agora já não é possível morrer ou,
pelo menos, já não chega fechar os olhos.

Manuel António Pina, in «Nenhum Sítio»

Prémio Camões. Ficam os Parabéns a um homem que não é apenas do passado. Foto retirada do «Da Literatura».

quarta-feira, maio 11, 2011

Parallel Lines



Parallel lines, move so fast,
toward the same point,
infinity is as near as it is far.

Kings of Convenience

segunda-feira, maio 09, 2011

casos da vida ou casos com vida


Rui Zink nas Correntes d'Escritas 2011

passo-a-passo...

Ministério Público abre inquérito ao comportamento das agências de rating

O inquérito, instaurado com base numa queixa de quatro economistas contra as agências de notação, foi aberto a 3 de Maio”, precisou uma fonte.

A notícia, que foi hoje publicada pelo Diário Económico, lembra que os quatro economistas acusaram as três agências de notação (Moody’s, Standard & Poor’s e Fitch) de terem responsabilidades pela crise da dívida soberana.

A mesma fonte da PGR afirmou hoje à AFP que não é possível adiantar mais informações, uma vez que o caso se encontra em segredo de justiça.

A queixa foi entregue a 11 de Abril e é assinada por quatro economistas: José Reis e José Manuel Pu7reza, professores na Universidade de Coimbra, e Manuel Brandão e Maria Manuel Silva, que leccionam no Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG).

Em causa poderá estar o crime de manipulação do mercado, indica o Diário Económico.

in Público, 09 V 11

domingo, maio 08, 2011

"as notícias sobre a minha morte são manifestamente exageradas"


ou a minha história de um momento à la livreira anarquista, em plena feira do livro 2011:

freguês: pode-me dizer em que stand é que o jorge luis borges vai estar a dar autógrafos?

livreiro: creio que será engano. esse autor já está morto há mais de 20 anos...

freguês: ah. que chatice! obrigado à mesma.

e pensa o joão: no da servilusa?

terça-feira, maio 03, 2011

Apagando

Limpar todas as pontas
de cigarro da marca favorita
para que não reste qualquer vestígio
da minha passagem por aqui.


Limpar as impressões digitais
dormir um pouco entre os mortos
limpar com um gesto o último rosto
antes do sono.


Sonhar o nada, uma redução precisa,
as cores em fuga, deixando em fundo
uma só palavra. Com ela
ressuscitar.

MARCIN ŚWIETLICKI
(versão do castelhano, após tradução do polaco por Maciej Ziętara e Maurício Barrientos, incluida no livro “101 [6 poetas polacos contemporáneos]”, RIL Editores, Santiago do Chile, 2008) via Poesia Lda

«Ler. Saber. Dizer não - Publicar literatura em Portugal»


A editora Maria do Rosário Pedreira estará na Sala de Conferências da Reitoria da Universidade de Lisboa, na próxima quinta-feira, dia 5, às 18h, a dar uma lição, das cem que compõem as comemorações do Centenário da Universidade.

O título? «Ler. Saber. Dizer não - Publicar literatura em Portugal». O conteúdo? Só indo… Mas aconselha-se vivamente a: todos aqueles que se perguntam como é que um editor escolhe o próximo grande livro; a todos aqueles que querem saber um pouco mais do métier do editor; e a todos os outros...



segunda-feira, maio 02, 2011

space 2


Francesca Woodman

o obturador de niépce fecha imutavelmente as tuas respostas novas
numa daquelas folhas kodak compradas agora mesmo.
dizes que o teu espaço a preto e branco é parte de mim
e deixas-me entrar em ti.
somos assim, um amor simples e mecânico.
tal como naquela tarde quente de agosto em que caminhei pé-ante-pé na quinta
velha 
dos teus pais,
e tal como chamei niilistas às formas que se confundem
nos meus olhos
que são teus,
hoje somos um pouco mais espaço.
somos um espaço a dois.
um-espaço-dois.
assim, sem espaços.
porque somos a confusão do tempo com o espaço.
da palavra livre com a imagem presa.
porque somos.

domingo, maio 01, 2011

[era o homem mais triste do mundo]

«era o homem mais triste do mundo, como numa lenda, diziam dele as pessoas da terra, impressionadas com a sua expressão e com o modo como partia as pedras na cabeça ou abria bichos com os dentes tão caninos de fome.
era o homem mais triste do mundo, diziam, incapaz de fazer mal a alguém, apenas metendo dó, com olhos de precipício como se vazios para onde as pessoas e as coisas caíam em desamparo. mas era impossível não os fitarmos, fascinados por ele como ficávamos, e era com eles que iluminava o caminho à noite, garantiam alguns, quando se embrenhava pelo mato em direcção à sua terrível toca secreta ou o que pudesse haver para lá do emaranhado desconhecido de onde vinha e para onde se escondia.»

valter hugo mãe in o nosso reino