terça-feira, novembro 29, 2011

welcome!

«Arrived Lisbon».
via Bourdain's twitter.

Combinamos alguma coisa depois?

x marks the spot

Manchester 2011

ouve o que te digo, rapaz.

mas ouve-me bem. pois este é um silêncio bem diferente daquele que esperavas. 
tu, que quando chegas a casa, cansado, e queres as doçuras de um gato apantufado, apenas encontras o ruído ininterrupto de um frigorífico vazio.
desiste, meu moço. os dias serão cada vez mais frios e a cidade mais vazia.
é este o futuro que te reserva. cheio de nadas e de silêncios. que a vida cosmopolita que compraste numa la redoute perdida, não passa disso mesmo: uma história que se renova nos sonhos do página-após-página.
ouve com atenção este teu velho: este dia acabou. apaga a luz e espreita a cidade. aquilo que vês lá fora é apenas o que é. são sombras, fantasmas e pinturas gastas. e tu? um mero reflexo fotográfico a p/b.

the sound of silence


Pat Metheney in What's It All About

segunda-feira, novembro 28, 2011

11 de Abril

Transpõe a porta de entrada um par que reconheço. Ela, das casas a norte. Ele, dos bairros a leste. Aqueles rostos porém, transportam uma impressão difícil de definir.
Entraram de mãos laçadas, anel doirando no dedo. Não os conhecia unidos. Desconhecia-os sequer conhecidos.
Não tenho vigiado os amigos. Tenho estado pouco atento à procura de percursos na calçada de cimento que fronteia o Café. Não fui eu que estabeleci que as horas que somam para mim, se multiplicam para os outros.

João Luís Barreto Guimarães
via Bibliotecário de Babel

numa outra noite qualquer

A exuberância daquele jovem DJ contagiava o público. Tinha um chapéu à Manchester, uma roupa à nova-iorquinotrendy e aquele jeito gingão à malandro de Buenos Aires. C. era alvo de atenções alheias. Mas não era o único. Numa das primeiras mesas daquele bar repleto, uma deslumbrante jovem, sozinha, sorria para ele. A cumplicidade entre os dois ia aumentando. C. já só olhava para M.. E ela sorria. Ninguém parecia reparar nesta inesperada história de amor, que se escrevia ali, à frente de todos. Eram assim as noites de C.. Inofensivas trocas de olhares que terminavam sempre com o acelerar do pitch do seu coração. A sua queda pelas paixões fáceis era tão inevitável como os shots que os mais novos insistiam em beber desenfreadamente ao balcão. Ele sorria ao ver esses tristes míudos. Logo ele, que insistia em beber o amanhã já hoje. M. também sorria. Pois era essa a única linguagem que dominava. Era esse o único ponto de contacto entre ambos: A inocência de acreditar que um sorriso faz o mundo mais bonito e simples.

quinta-feira, novembro 24, 2011

Habemus Papam


Ou Habemus Nanni? É que é a ideia deste filme é tão boa que até parece ter uma ajuda divina...

quinta-feira, novembro 17, 2011

O mais grave

Nesta situação não é a TOTAL falta de conhecimentos dos jovens em questão, bem como de todos os que ficaram fora da montagem. Estes rapazes e raparigas são apenas mais um exemplo da falta de interesse e cultura geral que grassa nos mais jovens e - pasme-se a santa - nos menos jovens também.
Grave é que grande parte das pessoas que vêem e se riem destas respostas não saberiam também responder a estas, ou a outras semelhantes.
Grave é o factos dos jovens sentirem que saber de política não é importante. Que conhecimento é apenas aquele que está intimamente ligado à sua profissão ou futuro métier. Que a cultura geral não é assim tão importante.
Grave é que se fique preocupado por serem universitários e não se questione o sistema de ensino no seu todo. Nem se ponha em causa os pais, irmãos e afins destes jovens, que ausentando-se das suas obrigações, vêem na escola a única responsabilidade.
Porém, o mais grave é que todo este cenário não vai melhorar. Vai piorar. E muito. Vai piorar e pôr-nos ainda mais longe da Europa, da OCDE, do mundo dito civilizado. É que juntar ao vergonhoso desinvestimento na educação e cultura do actual governo, uma realidade familiar e social com cada vez menos tempo para «viver» en comunidade só irá potenciar respostas destas.
A mais preocupante destas respostas é o silêncio que elas contêm em si. É o não se fazer nada para mudar este cenário. E apenas rir dos outros.

domingo, novembro 13, 2011

O vírus da ópera-bufa alastra


Extraterrestres inocularam um vírus em Mussolini, ele morreu e o fascismo italiano caiu. Os partigiani e o povo vieram para a rua, todos cantaram Bella Ciao. Até a igreja social de Don Camillo pôs os sinos a repicar de alegria... Mas celebravam o quê? A vitória do Bem sobre o Mal? A coragem dos que venceram quem lhes negava a liberdade? Não, aqueles italianos saudavam um vírus que eles desconheciam, inoculado por discos voadores de cujas intenções eles ignoravam. O que contei é uma farsa, felizmente a história verdadeira é outra: Mussolini caiu porque as democracias se juntaram para isso e muitos italianos lutaram por isso. O que permite emocionarmo-nos ainda hoje com Roma, Cidade Aberta, filme de Rossellini, em 1945 - a História quando tem uma moral, uma explicação ou uma vontade colectiva vale mais do que acasos ou ficção científica barata. Não sei em que dia foi a cadeira de Salazar; o 25 de Abril, sim. Ontem, porém, surpreendi-me com multidões a festejar a partida de Berlusconi: "Festa frente ao Palácio do Quirinal [onde o primeiro-ministro apresentou a demissão]", titulavam os sites dos jornais italianos. Um vídeo mostrava Antonio Di Pietro, o célebre juiz que lutou contra a corrupção, eufórico: "Para casa! Para casa", gritava ele a Berlusconi. Mas Berlusconi caiu porque o povo o quis? Caiu com o que o juiz investigou? Não, caiu porque uns extraterrestres deram má nota a Itália. E isso celebra-se? 

Ferreira Fernandes in DN, 13. XI. 11

quinta-feira, novembro 10, 2011

Ideias lebres para salvar Portugal - O serviço público

A questão da RTP. A direita neoliberal pressiona, directa e indirectamente, o Governo para privatizar a estação pública. Pensa-se nisso, fala-se disso, mas, atenção: a SIC e a TVI vêm dizer que mais canais privados, não! Claro, como não compreendê-los, ninguém gosta de concorrência. O ministro Relvas recua, ou não fosse a SIC dirigida por um dos fundadores do PSD. E decide repensar o "serviço público". Escolhe uns quantos amigos para estudar a coisa, junta-lhe mais três ou quatro vozes mais independentes para disfarçar, e está constituído o grupo de trabalho. É claro que os três independentes acabam por sair a meio do processo, em desacordo com as decisões da maioria. O maravilhoso grupo, reduzido a sete (menos avenças se pagam), chega à conclusão que a ideia de "serviço público" não contempla uma aposta na informação. Isto é, privatiza-se um canal, e deixa-se o outro a carburar a concursos e a jogos da selecção de futebol de praia. E talvez finalmente o ministro Relvas tenha as suas "Conversas em Família", às 9 horas da noite, uma hora a ensinar ao povo que a pobreza é uma virtude e o trabalho uma panaceia essencial. Com a economia neste momento a caminhar em direcção aos anos 70, por que não termos a RTP dessa década? Faz todo o sentido.

Sérgio Lavos in Arrastão