segunda-feira, novembro 28, 2011

numa outra noite qualquer

A exuberância daquele jovem DJ contagiava o público. Tinha um chapéu à Manchester, uma roupa à nova-iorquinotrendy e aquele jeito gingão à malandro de Buenos Aires. C. era alvo de atenções alheias. Mas não era o único. Numa das primeiras mesas daquele bar repleto, uma deslumbrante jovem, sozinha, sorria para ele. A cumplicidade entre os dois ia aumentando. C. já só olhava para M.. E ela sorria. Ninguém parecia reparar nesta inesperada história de amor, que se escrevia ali, à frente de todos. Eram assim as noites de C.. Inofensivas trocas de olhares que terminavam sempre com o acelerar do pitch do seu coração. A sua queda pelas paixões fáceis era tão inevitável como os shots que os mais novos insistiam em beber desenfreadamente ao balcão. Ele sorria ao ver esses tristes míudos. Logo ele, que insistia em beber o amanhã já hoje. M. também sorria. Pois era essa a única linguagem que dominava. Era esse o único ponto de contacto entre ambos: A inocência de acreditar que um sorriso faz o mundo mais bonito e simples.

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