terça-feira, novembro 29, 2011

ouve o que te digo, rapaz.

mas ouve-me bem. pois este é um silêncio bem diferente daquele que esperavas. 
tu, que quando chegas a casa, cansado, e queres as doçuras de um gato apantufado, apenas encontras o ruído ininterrupto de um frigorífico vazio.
desiste, meu moço. os dias serão cada vez mais frios e a cidade mais vazia.
é este o futuro que te reserva. cheio de nadas e de silêncios. que a vida cosmopolita que compraste numa la redoute perdida, não passa disso mesmo: uma história que se renova nos sonhos do página-após-página.
ouve com atenção este teu velho: este dia acabou. apaga a luz e espreita a cidade. aquilo que vês lá fora é apenas o que é. são sombras, fantasmas e pinturas gastas. e tu? um mero reflexo fotográfico a p/b.

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