quinta-feira, dezembro 22, 2011

Calem-se. Calem-se. Calem-se. Calem-se.

Para um governante, hoje, só soletrar a palavra "emigração" é tolice. Sobre o assunto, calem-se. E não me culpem da estreiteza do facto, não fui eu que escolhi ser político, não fui eu que escolhi uma profissão onde o parecer quase vale o ser. Eu posso escrever aqui: "Portugueses, suicidem-se!", só me comprometo a mim, permitindo que me despeçam porque uma coluna de jornal não é para parvos. Mas os governantes são mais do que eles. As suas palavras não podem ser entendidas como uma ofensa àqueles a quem eles devem o que são. Ora esta questão foi tratada (ou assim legitimamente entendida) como um convite à emigração. Já o disse aqui duas vezes e vou repetir a obviedade: os portugueses não precisam que lhes indiquem quando e se devem emigrar - tal como respirar está-lhes no ADN. Os portugueses estão acabrunhados e com medo do amanhã, a última coisa que precisam é que os empurrem para fora do seu país. Eles irão ou não, como entenderem. Eles. Os governantes que se candidataram, ainda há pouco, a governá-los a todos, não podem, agora, querer descartar parte deles. O número e a qualidade dos governantes que caíram na tolice revelam uma estratégia de comunicação: pois despeçam os estrategas. E, sobre a emigração, calem-se. Também já aqui o disse, até há o que fazer para ajudar os portugueses que queiram emigrar. O que fazer, há; de conversa, nada. Calem-se. Digo-o tão repetidamente porque preciso que governem.

Ferreira Fernandes in DN, 22.XII.11

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