sexta-feira, dezembro 28, 2012

do real

É mais um final de tarde, de mais um dia longo, demasiado longo. Há cansaço em todos os corpos. A carruagem vai enchendo, a temperatura subindo, as conversas desaparecendo. M. fecha os olhos e deixa-se ir. Abandona a vergonha do bater da cabeça e o respirar pesado. Parece mais velho do que é, e talvez mais pobre. Gasto, certamente gasto. Acordou cedo. Como sempre. Como todos os dias de todas as semanas. Sempre. Como sempre. Deixa-se ir. Ouve vozes ao fundo, estas facilmente se confundem com o sonho. Há festa, alegria, comida - lembra-se bem da comida, ah!há comida boa - e amigos no sonho. Sente-se bem nessa outra vida. Será outra vida? Os barulhos em volta aumentam. Há risos e alguns insultos, mas o sonho corre bem. Ou escorre. Porque tudo é tão fluido e natural. Está numa praia. Bonita e serena. Como a mulher que o observa. E faz calor. Muito calor. É um dia de verão daqueles muito quentes. Muito mesmo. Dói. Dói-lhe a alma por não ser real aquele sonho. Dói-lhe o corpo por serem reais os animais que lhe pegaram fogo. É tarde. Tudo acaba cedo. Como o seu sonho. Como a sua vida.

«esta é a minha verdade, e é isso que interessa.»

A Farsa da Rua W, Enda Walsh, Artistas Unidos

deixo palavras por escrever, falho os momentos certos, esqueço as referências, ignoro os elogios. são filmes, concertos, livros, peças sobre os quais devia ter dito algo e não o fiz. depois penso nisso e fico triste. desiludido. este blog pode não ser especial, pode não ser complexo nem coerente, pode não ser nada mas é composto de mim mesmo. é uma obrigação que não pode -jamais- ser esquecida: escrever.  mais não seja, e como enda walsh diz: «esta é a minha verdade, e é isso que interessa.» venha 2013.

é tabu

Tabu (Miguel Gomes, 2012)

este tabu não tem razão de ser, este tabu não pode ser proibido nem proibitivo, este tabu é mais do que um filme. é muito mais do que o momento cinematográfico português de 2012. este é o assunto de que se deve falar, continuar a falar. proibam-se pois os silêncios e as ausências. é ver, é ver, camaradas, que a guerra ainda agora começou. ou então não. não há politica neste filme, a guerra é pouca e tudo é leve. levemente ausente. os sessenta, os setenta, não há tempo, não há regras, mas há amor, desregras e um preto e branco viciante. este não é um filme português. este é o cinema universal que tanto prezo, não há choradinhos nem pobreza artificial, há uma câmara de filmar e uma história para contar. e isso é tudo.

Avante Benfica



“Todos por um!” eis a divisa, 
Do velho Clube Campeão, 
Que um nobre esforço imortaliza, 
Em gloriosa tradição. 
Olhando altivo o seu passado, 
Pode ter fé no seu futuro. 
Pois conservou imaculado
Um ideal sincero e puro. 
Avante, avante p’lo Benfica, 
Que uma aura triunfante Glorifica! 
E vós, ó rapazes, com fogo sagrado, 
Honrai agora os ases 
Que nos honraram o passado! 
Olhemos fitos essa Águia altiva, 
Essa Águia heráldica e suprema, 
Padrão da raça ardente e viva, 
Erguendo ao alto o nosso emblema! 
Com sacrifício e devoção 
Com decisão serena e calma, 
Demos-lhe o nosso coração! 
Demos-lhe a fé, a alma! 
Avante, avante p’lo Benfica, 
Que uma aura triunfante Glorifica! 
E vós, ó rapazes, com fogo sagrado, 
Honrai agora os ases 
Que nos honraram o passado! 

 via Ontem vi-te no Estádio da Luz

quinta-feira, dezembro 27, 2012

o pedro voltou a cometer um post



o mesmo pedro que diz que andámos a viver acima das nossas possibilidades e que portanto temos de empobrecer, que os trabalhadores portugueses têm direitos a mais, demasiadas férias, demasiados feriados, indemnizações altas de mais em caso de despedimento sem justa causa, que têm de trabalhar mais horas e pagar mais impostos e perder os subsídios de férias e natal e sofrer mais desemprego (porque, diz ele, temos de passar por isso e ainda deviamos pagar a tsu pelos patrões), afinal acha que mereciamos um natal melhor.

não tivemos, diz ele, 'os pratos que nos habituaram'. portanto os pratos estavam habituados, e não os tivemos, é isso? eram o quê, pratos de louça fina que pusemos no prego? (coitado do pedro, que tem idade para ter feito o exame da quarta classe, mas pelos vistos não lhe serviu de nada -- crato, que achas? talhante ou marçano?).

muitos de nós, diz o pedro, não pudemos dar aos filhos 'um simples presente' mas 'já aqui estivemos antes'.

como ele, o pobre pedro, no natal de 2010, que só ia dar presente à mai'nova, voltámos a saber o que é 'esticar a comida e dar aos nossos filhos presentes menores' (coisa que, claro, ninguém fazia até agora, por vivermos todos à tripa forra, a gastar o que não tinhamos, a lavar os dentes com a água a correr e a embardachar bife do lombo todo o santo dia).

a próxima frase merece uma leitura mais atenta, dada a sua deslumbrante polissemia: 'Mas a verdade é que para muitos, este foi apenas mais um dia num ano cheio de sacrifícios, e penso muitas vezes neles e no que estão a sofrer.'

portanto o pedro afinal reconhece que há gente que há muito vive com sacrifícios e que estes não chegaram agora, e é nesses, e não nos que antes não viviam com sacrifícios e agora vivem, que o pedro pensa 'muitas vezes' -- claro, era o que faltava pensar em quem vivia acima das suas possibilidades, que por acaso eram as possibilidades que ele, com esta brutalidade de impostos e com a austeridade louca a sufocar a economia e a causar desemprego e falências em catadupa, lhes retirou.

a não ser que o pedro pense muitas vezes é no que os sacrifícios estão a sofrer, que é o que na realidade está escrito graças à maravilhosa colocação de vírgulas (crato, diz lá: marceneiro ou canalizador?).

por fim, mais um monumento ao resultado infalível da educação pré-democrática: 'A eles, e a todos vós, no fim deste ano tão difícil em que tanto já nos foi pedido, peço apenas que procurem a força para, quando olharem os vossos filhos e netos, o façam não com pesar mas com o orgulho de quem sabe que os sacrifícios que fazemos hoje, as difíceis decisões que estamos a tomar, fazemo-lo para que os nossos filhos tenham no futuro um Natal melhor.'

como começar? portanto, o pedro pede aos sacrifícios e também a todos nós que no fim deste ano em que tanto foi pedido a um colectivo que o inclui (portanto ele pede-nos a nós, tão depressa tratando-nos por 'vós' como incluindo-se no nós) que ao olharmos para os nossos filhos e netos -- as pessoas sem filhos nem netos, como é o meu caso, ficam sem saber para onde olhar, apesar de nem por isso pagarem menos impostos ou terem menos risco de ficar desempregadas -- o façam com orgulho apesar de terem de esticar a comida e de não lhes poderem dar presentes porque é em nome de um natal muito melhor que há-de vir para os nossos filhos (os netos desta vez ficam de fora, inexplicavelmente). nota: 'os sacrifícios que fazemos hoje, fazemo-lo'. isto, pedro, dá pelo nome de inconcordância verbal, ou, mais corriqueiramente, analfabetismo. (trolha ou engomador, crato?)

e no fim disto tudo -- famílias separadas, sem comida que chegue, sem dinheiro para presentes, condenadas a sofrer em nome de um amanhã que entoa trinados celestiais -- o pedro diz que ele a laura (e as caniches, subentende-se) desejam 'a todos' (incluindo, claro, aos benditos sacrifícios) 'umas festas felizes'.

pedro, um conselho de inimiga: faz um cursozito de português básico, despede quem te anda a escrever estas merdas e.

para o que se segue ao e usa a imaginação (enfim, seja o que for que te faça as vezes): é isso tudo.

Fernanda Câncio in Jugular

quinta-feira, dezembro 20, 2012

terça-feira, dezembro 18, 2012

os sindicatos alemães são a grécia?

Os sindicatos alemães propõem que a crise na Europa seja ultrapassada por uma espécie de Plano Marshall à escala do continente,. Um pacote de mais de dois biliões de euros em dez anos, que crie postos de trabalho com investimento pago pelo sistema financeiro. 
A ideia foi lançada pela Confederação dos Sindicatos Alemães (DGB, na sigla em alemão), mas está aberta a contributos de outras centrais sindicais europeias, cujo envolvimento é desejado pelos alemães. Já chegou à chanceler, Angela Merkel, e deverá ser também enviado ao presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso.
in Público


nota: tenho fé que o sr. coelho não vá nesta conversa e altere o rumo que definiu para o nosso país. temos, mais do que nunca, de manter a passada forte em direcção ao abismo. esta história do sr. marshall, de não pagar a dívida ou de os ricos pagarem a crise é uma bestialidade sem sentido. o nosso objectivo é só um: os primeiros e únicos a pagar toda a dívida sem em momento algum apoiar o crescimento económico do país (ou pelo menos do nosso portugal). assim o rei mago o consiga...

segunda-feira, dezembro 17, 2012

prémio-justiça-não-poética-leya-2012


À quarta edição o Prémio Leya (100 mil euros) vai pela segunda vez para um autor português: Nuno Camarneiro, de 35 anos, vence com Debaixo de Algum Céu.

Camarneiro tinha já uma obra publicada com a Leya, intitulada No Meu Peito Não Cabem Pássaros. A obra vencedora deverá ser publicada em Março e foi escolhida “por unanimidade” por um júri presidido por Manuel Alegre. 

Na conferência da manhã desta segunda-feira estiveram também Isaías Gomes Teixeira, presidente executivo da Leya, e João Amaral, director-coordenador das Edições Gerais da Leya. 

O prémio, no valor de 100 mil euros, é dado pelo grupo editorial Leya, um dos maiores grupos editoriais portugueses que reúne mais de uma dezenas de editoras e chancelas de Portugal, Angola, Moçambique e Brasil. O objectivo do prémio é distinguir um romance inédito escrito em português
O último prémio foi atribuído à primeira obra de João Ricardo Pedro, autor do romance O Teu Rosto Será o Último, um engenheiro electrónico, de 38 anos, que estava desempregado. 

O prémio, de 100 mil euros e que é o maior em valor pecuniário no domínio da literatura de expressão portuguesa, foi criado em 2008 e nas duas primeiras edições foi conquistado pelo brasileiro Murilo Carvalho e pelo moçambicano João Paulo Borges Coelho. 

Enquanto analisa os inéditos, o júri não sabe por quem foram escritos, se são homens ou mulheres, se são iniciados ou consagrados. Só depois de a obra estar escolhida é que se abrem os envelopes com a identidade de quem concorreu.

O júri do Prémio LeYa 2012, presidido por Manuel Alegre, é ainda constituído pelos escritores Nuno Júdice, Pepetela e José Castello, por José Carlos Seabra Pereira, professor da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, Lourenço do Rosário, reitor do Instituto Superior Politécnico e Universitário de Maputo, e Rita Chaves, crítica literária e professora da Universidade de São Paulo.


Digo e repito: o livro No Meu Peito Não Cabem Pássaros foi dos melhores romances que li nos últimos anos. Sem tirar nem pôr. Passou ao lado de muitos leitores mas espero, sinceramente, que tenha agora uma segunda vida. É um prémio justíssimo!

o único tiro que interessa

O Presidente norte-americano Barack Obama prometeu ontem à noite fazer tudo o que o seu cargo permite para evitar que tiroteios em massa como o que aconteceu numa escola primária em Newtown, no Connecticut, na sexta-feira, se repitam. in Público

caso obama consiga alterar a lei de acesso e utilização de armas nos estados unidos será um dia único na sua história de violência. caso obama consiga mudar as mentalidades sobre os perigos do uso excessivo da violência por quem não tem preparação mental para a  usar será um momento único na história americana. caso obama consiga tudo isto será um  tiro certeiro, será o único tiro que interessa.

quinta-feira, dezembro 13, 2012

livros p'ro ho ho ho (update)


livro para quem diz que antigamente é que era


Lisboa Anos 60
Joana S. Vilela
Dom Quixote

livro para quem tem medo e não quer comprar um cão


A Instalação do Medo
Rui Zink 
Teodolito

 livro para quem perdeu o best of 2011


No Meu Peito Não Cabem Pássaros
Nuno Camarneiro
Dom Quixote

 livro para quem gosta de palavras reunidas sob a forma poética



Poesia Reunida
Maria do Rosário Pedreira
Quetzal


livro para quem é hipster-nobel


Não É Meia Noite Quem Quer
António Lobo Antunes
Dom Quixote

livro para quem gosta de pam! tátátá! pum! pam! tátátá!


Até Ao Fim
Ian Kershaw
Dom Quixote

livro para quem gosta de ão ão ão e snif snif snif


Arturo
Davide Cali
Bruaá

livro para quem gosta de bonequinhos a acompanhar uma boa história



Portugal
Cyril Pedrosa
Asa

livro para quem gosta dos modos do além-tejo




O Intrínseco de Manolo
João Rebocho Pais
Teorema

livro para quem tem na alma a chama imensa


Almanaque do Benfica
Rui Tovar
Lua de Papel

livro para quem trata a literatura por tu, ou por josé



José
Rubem Fonseca
Sextante

 livro para quem não percebe nada de livros e quer dar uma segunda vida ao casamento desfeito


As 50 Sombras de Grey
E L James
Lua de Papel

livro para quem acha que tudo isto é absurdo e resistiu às sombras de grey


Livreira Anarquista
Livreira Anarquista
Bertrand

quarta-feira, dezembro 12, 2012

da fugacidade do presente


não é questão filosófica ou crítica analítica, nem mesmo momento non-sense ou provocação natalícia, é a aterradora consciência de que envelhecer é isto mesmo: ainda ontem era janeiro e amanhã já acaba dezembro. chiça penico!, que estou tão velho como esta expressão.

a música não morre


... mas é um dia triste.

«Pandit Ravi Shankar, the virtuoso sitar maestro who introduced Indian classical music to the world and inspired the Sixties 'psychedelic' sound through his collaboration with the Beatles, has died. He was 92.» in The Telegraph

a arquitectura não morre


Brasilia, 1958
photograph Robson Corrêa de Araújo



...mas fica bem mais pobre.

«Para a Presidente Dilma Rousseff, o Brasil perdeu “um dos seus génios”. “É dia de chorar a sua morte. É dia de saudar a sua vida”, disse num comunicado oficial. “Niemeyer foi um revolucionário, o mentor de uma nova arquitectura, bonita, lógica e, como ele mesmo definia, inventiva", continua o texto, acrescentando que "da sinuosidade da curva, Niemeyer desenhou casas, palácios e cidades".» in Público

terça-feira, dezembro 11, 2012

escrytos



A ESCRYTOS é uma marca registada da LeYa que nasceu para permitir aos autores a auto publicação em formato digital dos seus livros e textos originais. A auto publicação é uma ferramenta na qual a LeYa se torna pioneira em Portugal mas que internacionalmente tem vindo a ganhar milhares de adeptos. Para o autor é uma ferramenta valiosa que lhe permite divulgar o seu trabalho sem necessitar da mediação de um editor. Através da utilização da ESCRYTOS o autor tem acesso a menus facilitadores de edição bem como à comercialização dos seus livros em formato digital nas maiores empresas mundiais distribuidoras de eBooks. Para a LeYa esta plataforma vai ao encontro daquela que tem sido a sua estratégia no contexto da estimulação da criatividade editorial e até mesmo no da procura de novos talentos de língua portuguesa. A ESCRYTOS junta-se a outras iniciativas da LeYa que contribuem para a criação de uma verdadeira comunidade que permite a todos os que escrevem em português a expressão das suas ideias, do seu pensamento e da sua obra, dando assim um novo e original uso à língua comum a centenas de milhões de pessoas por todo o planeta.


segunda-feira, dezembro 10, 2012

1640



Onde é que eles têm a cabeça? A Europa está em crise e exige-se união mais do que nunca. Pedem-se novas ideias, pensadores e sonhos. Há espaço para novos actores. E, contudo, ninguém surge. Pelo contrário, vivemos tempos em que todos procuram dar a resposta individualmente (mesmo que isso seja um individual colectivo). Paradoxo? Talvez. A História da Catalunha é antiga, todavia parece-me que ainda não foi verdadeiramente compreendida, assimilada e ultrapassada. Se aquele povo e cultura têm direito à sua independência? Têm, claro. E de que serve isso se os tempos que passamos não permitem uma real e verdadeira independência. Se são todos reféns dos mercados, do economicês e financeirês. Lutemos primeiro por uma alteração de paradigma politico, social e económico. Isso urge.
Quarta vez em Barcelona. Quarta experiência diferente. Infelizmente, em parte motivado pelo futebol, esta foi a pior. O atendimento foi quase sempre mau. Muito mau. Displicente, no mínimo. Ou seja, paga-se à norte de Europa mas recebe-se o pior do Sul. E a arrogância, a sobranceria e a prepotência dos policiais, dos empregados e de tanta gente? Mais do que nunca, senti os catalães orgulhosos de si mesmos. E, sinceramente, acredito que o excesso de orgulho será sempre mau, quer seja de um povo, religião ou clube.
Barcelona está cheia de arte urbana, de uma arquitectura singular que ultrapassa em muito (felizmente para mim) o Gaudi, e de uma movida intelectual estimulante. É essa a sua principal arma, é nesse campo que têm de medir força com a restante Espanha e Europa. E respeito-a muito por isso.
Quanto aos independentistas de andar por casa, como aquele que me provocou com o «sabes que somos povo irmão da escócia», só respondo que uns brincam aos referendos, outros ao complexo mundo das relações internacionais e à responsabilidade de ser independente. Parece-me justo. E, sobretudo, provocador.

O futuro é sombrio

Andamos tristes lá em casa, o Manel um pouco menos do que eu, é certo, porque gosta mais da vida e, além disso, já era crescidinho quando o doutor Salazar caiu da cadeira e, como tal, o retrato que tem à frente é-lhe, de algum modo, familiar. Mesmo assim, às vezes damos connosco, à noite, a olhar um para o outro bastante macambúzios: à nossa porta (maneira de falar), há cada vez mais homens com fome – e não da que se mata com um prato de comida, que aí ainda poderíamos ajudar (embora a caridade não seja solução), mas da que só se sacia com um trabalho que não existe, independentemente de os braços terem força para tudo e vontade de fazer. E nós, no meio dessa tristeza, publicando livros. Pobres livros... Depois da ilusão do Natal (e já será para poucos, bem sei), quem vai realmente poder comprar livros, goste ou não de ler, quando as mangas dos casacos dos filhos ficarem curtas e os sapatos apertados, apesar dos pés pequenos? Quem cometerá a ousadia de ler um livro novo quando Janeiro se eriçar de frio e a conta da electricidade começar aos gritos de alarme? Quantos dos nossos amigos e conhecidos, muitos deles grandes leitores, gente dos jornais e das televisões, individual e colectivamente despedidos, começarão o ano de 2013 (o 13 do azar) desempregados, ainda para mais com a consciência de que, na sua idade, pode ser (des)ocupação para muitos anos, enquanto o subsídio de desemprego – esse, sim – tem os anos contados? E que será então dos tradutores e revisores, das pessoas que trabalham nas gráficas, nas livrarias e nas editoras? Que será de mim e do Manel, por exemplo, se aquilo em que trabalhámos toda a vida, além de não pôr comida no prato de ninguém, fizer de nós mais dois com fome (maneira de falar), iguais a esses que todos os dias se vão acrescentando à nossa porta? A preto e branco vejo o retrato do futuro próximo. O Manel, que já viveu a sépia, entristece-se menos, aconselha-me a preocupar-me apenas quando (e se) esta ceifeira moderna bater à nossa porta. Sim, ainda temos casa e porta, é um facto. Muitos já as perderam. 

Maria do Rosário Pedreira in Horas Extraordinárias

sábado, dezembro 08, 2012

much more than an ad


Three Little Pigs, Guardian
(Cannes Lion Award-Winning)

segunda-feira, dezembro 03, 2012

o que é o futebol?



a pergunta é recorrente, frequente e insistente. é uma dúvida geral que não tem resposta universal. sim, acredita que não tem. cada um explica da sua forma, cada vive à sua maneira, «cada um é como cada qual». é por isso que tens o futebol científico, o futebol popular, o futebol moderno, o futebol à antiga, o futebol com garra, crença e querer, o futebol sem eira nem beira, o futebol do messi, o futebol do cristiano, o futebol dos jogadores, o futebol dos presidentes ricos, o futebol das colectividades, o futebol dos adeptos, o futebol dos amantes de história, o futebol dos que querem ter futuro, com ou sem playoff, penalties ou bola na barra, o futebol dos amigos que se reúnem do outro lado da europa, o futebol dos amigos que pensam a transferta a toda a hora, nem que seja para ir a arouca, o futebol dos que não pensam o futebol, só sentem, o futebol dos que não sentem apenas agem. não há pois palavras para fazer esta edição ne varietur do futebol, esquece, não vais fixar a essência do futebol em palavra alguma, que o futebol é apenas uma bola, umas linhas, umas regras e um grupo de miúdos felizes. dentro ou fora do campo. venha barcelona!

sábado, dezembro 01, 2012

2 anos

the national? pearl jam? beirut? nem sei, é muito mais do que isso. parabéns!

quinta-feira, novembro 29, 2012

A melhor geração está de partida


Olhamos à nossa volta e vemos, todos os meses, milhares de jovens emigrar. Ouvimos amigos e filhos de amigos falar dos seus planos para partir. Não com a satisfação de quem procura novas experiências, mas com a frustração de quem sente que o País onde nasceu não lhe dá nem lhe dará no futuro qualquer oportunidade.
Comparamos muitas vezes esta emigração com a do passado. É incomparável. O que estamos a perder agora são as primeiras gerações de gente qualificada. Qualificada graças a um investimento que, no discurso dominante, é tida como um luxo incomportável.
O emigrante dos anos 60 vinha de meios rurais e era, em muitos casos, ou analfabeto ou próximo disso. O emigrante atual é jovem, qualificado e procura carreira, e não apenas dinheiro para sobreviver no estrangeiro e depois regressar. Segundo uma investigação da TL network e do Instituto de Ciências Sociais da Universidade Nova de Lisboa os emigrantes saem de Portugal cada vez mais jovens. Por isso, com cada vez menores laços emocionais com o País.
Esta vaga de emigração não terá apenas um efeito catastrófico no já desastroso equilíbrio demográfico do País. Terá efeitos profundos na sustentabilidade da segurança social, na competitividade da nossa economia, na capacidade de inovação e em todos os domínios do futuro de Portugal. Envelhece, desqualifica e atrasa o País.
Paulo Azevedo, presidente executivo na Sonae, disse este mês que a maioria dos que emigram regressarão. A afirmação vale o que vale. É uma fezada. Regressarão se isto melhorar. Regressarão se o que encontrarem lá fora não for muito melhor. E quando estamos a falar de pessoas qualificadas, dificilmente, com o que está a ser feito a este País, terão razões para regressar nas próximas décadas.
A razão porque Paulo Azevedo diz isto está numa outra declaração sua: "é melhor trabalharem no estrangeiro do que estarem desempregados". É verdade. Acontece que alguns dos que emigram não tinham apenas o desemprego como destino em Portugal. Tinham um trabalho mal pago e sem qualquer segurança ou perspetiva de futuro. Eram sobrequalificados para o tecido empresarial português, que, por culpa própria e do Estado, não acompanhou o investimento público na qualificação do trabalho. O modelo de desenvolvimento que este governo defende, com uma aposta na competitividade pela redução dos custos de produção, não dá aos jovens emigrantes qualquer esperança de regresso. Portugal acentua todas as razões que os levam a partir.
Pode até acontecer que esta seja a última vaga de emigrantes qualificados. Por uma simples razão: se o nosso modelo económico despreza a qualificação, deixaremos, com o tempo, de qualificar os nossos jovens. E ficaremos muito próximos dos países subdesenvolvidos, que formam os seus quadros no estrangeiro e dependem do estrangeiro para tudo o que exija alguma especialização. Seremos o que já fomos: um fornecedor de mão de obra desqualificada e de talentos por formar.
Se a taxa de emigração jovem continuar a subir - como o FMI recentemente confessou ser, com a aplicação da austeridade, inevitável -, Portugal estará condenado por décadas. Teremos de começar tudo do princípio. O investimento que fizemos, e que permitiu inverter em tempo record os nossos indicadores sociais, escolares e de saúde, teve resultados lentos. Mas para destruir esses resultados e atirar para o lixo todo o dinheiro que usámos não é preciso muito tempo. Bastam dez anos.
Há uma parte de tudo isto em que temos, como comunidade, fortíssimas responsabilidades. Desprezamos, enquanto povo, quase todas as conquistas dos últimos quarenta anos. Apesar de temos um dos melhores serviços nacionais de saúde do Mundo, quando não tínhamos nada antes, poucas vezes guardámos uma palavra positiva para ele. Apesar de termosdemocratizado e generalizado o ensino em pouquíssimo tempo, guardámos os elogios para a escola do passado, que ensinava, e ensinava mal, uma pequena minoria. Desprezámos as impressionantes evoluções em saneamento básico, infraestruturas e condições de vida dos portugueses. Com imensos erros, conseguimos coisas extraordinárias e raramente, no nosso discurso quotidiano, lhe demos qualquer valor.
Num artigo do jornal "Público", ainda antes das últimas eleições, Pedro Passos Coelho recordava que, de 1973 a 1999, as despesas sociais passaram de 8,7 por cento para 26,1 por cento. Acontece que antes do 25 de Abril cinco milhões de portugueses não tinham cobertura médica, a mortalidade infantil estava na estratosfera e havia muitas vezes mais analfabetos do que licenciados. Na altura, as nossas despesas sociais estavam, em percentagem do PIB, muito abaixo da média europeia. E continuam a estar. Mas aproximámo-nos da Europa. E agora, que os nossos amigos, os nossos filhos e os nossos netos partem, porque os que sempre viram estas conquistas como "demasiado generosas" finalmente levaram a melhor, choramos por o que estamos a perder.
Como comunidade, temos de nos perguntar: soubemos merecer as nossas vitórias? O País que construímos nas últimas décadas (e que é visível na mais qualificada e preparada geração da nossa história, que durante anos tratámos, por despeito, como ignorante) está a partir. Se nada fizermos, ficará o País do passado. A não ser, claro, que tomemos a defesa do que conquistámos como a luta das nossas vidas. Melhorando o que há para melhorar. Mas nunca regressando a um passado que nos obrigou a conquistar em poucas décadas o que outros tiveram um século para conseguir.

Daniel Oliveira in Expresso, 29.11.12

quarta-feira, novembro 28, 2012

A Rua

Desço a rua pelas últimas vezes, saboreando assim um ritual que se irá perder muito em breve. Sabermos, de antemão, do fim de uma rotina, dá-nos tempo para entender melhor aquilo que fazemos. Porque é que, ao longo do tempo, fui escolhendo esta rua, e não outra, para chegar ao destino; quem são estas caras que eu reconheço, sem nada mais saber do que o facto de com elas me cruzar nesta rua.

Desço, então, a rua, pelas últimas vezes, nada amargado com a situação reconhecida, nem sequer desiludido com o fim de algo que não soube bem como começou. O sol decidiu aparecer, apesar da brisa gelada que vem do rio. Na calçada, mais uns taipais anunciam novas obras, reconstituições. Sinal de que nada é para sempre, nesta rua, nesta vida.

Luís Filipe Cristóvão

a cantiga é uma arma?


Kalashnikov,  Goran Bregović

terça-feira, novembro 27, 2012

da justiça

somos bons homens. não digo que sejamos assim uns tolos, sem a robustez necessária, uma certa resistência para as dificuldades, nada disso, somos genuinamente bons homens e ainda conservamos uma ingénua vontade de como tal sermos vistos, honestos e trabalhadores. um povo assim, está a perceber. pousou a caneta. queria tornar inequívoca aquela ideia e precisava de se assegurar da minha atenção. não tenho muita vontade de falar, sabe senhor, estou um pouco nervoso, respondi. não se preocupe, continuou, a conversa é mais para o distrair e se ficar distraido sem reacção, também não lho levo a mal. é o que faz a liberdade, acrescentou.

a máquina de fazer espanhóis, valter hugo mãe

Prémio Portugal Telecom de Literatura em Língua Portuguesa 2012

segunda-feira, novembro 26, 2012

βιβλιοϑήκη



Der Himmel über Berlin, Wim Wenders
(via Hipátia)

quinta-feira, novembro 22, 2012

silêncio que se vai escrever o fado


Já todos atirámos uma pedra


Na campanha que antecedeu as últimas eleições legislativas, acusado de perturbar a ordem num comício do PS, um apoiante de Passos Coelho foi detido pela polícia, parece que paisano. Na ocasião, o actual primeiro-ministro afirmou: “Não é normal que as pessoas que se querem manifestar sejam tratadas de forma violenta.”
Na semana que passou o discurso de Passos Coelho foi outro. A mudança do tom não surpreende. Recorda o que Miguel Portas, num dia não muito longínquo, afirmou a respeito de Passos Coelho: tem a espinha dorsal de um caracol.
Mas se as razões do primeiro-ministro podem ser deduzidas da sua anatomia, é verdade que existem questões relativas aos usos políticos da violência que são mais complexas.
Durante a última semana, nos media, não faltou quem condenasse os lançadores de pedras, invocando-se, sobretudo, dois tipos de motivos.
Uma parte dos comentadores declarou que a violência seria sempre reprovável. Não vejo como possamos aceitar esta tese. Em política podemos escolher entre tipos de violência, não podemos escolher entre violência e não-violência. A esmagadora maioria dos comentadores que criticam os lançadores de pedras condenam a violência em si mesma, mas não recusa a existência de forças policiais, isto é, o monopólio estatal da violência. Isto para não referir que, em assuntos de relações internacionais, não raras vezes opta pela violência de um Estado contra outro. Ou seja, se a crítica a quem atira pedras à polícia é legítima, fraudulento é vestir essa crítica como pacifista. A argumentação moralista peca ou por excesso de ingenuidade ou por excesso de hipocrisia.
Outra parte dos comentadores que condenaram quem atirou pedras à polícia declarou que a violência não leva a nada. Este argumento pragmatista é igualmente inválido. A violência ergueu e derrubou regimes, proibiu e permitiu greves, levantou e eliminou barreiras de todo o tipo, do Muro de Berlim às cercas dos latifúndios alentejanos. É verdade – e é importante recordá-lo sempre – que a violência por si só nada resolve, mas é discutível que por si só alguma coisa resolva o que quer que seja.
Em suma, ao debatermos questões relativas à violência política não podemos abdicar nem de argumentos de ordem moral nem de argumentos de ordem pragmática, mas não devemos reduzir a discussão política ou a uma questão moral ou a uma questão pragmática. Na verdade, devemos entender a política como um lugar onde ambas as questões inapelavelmente se interpelam. Recusemos a exigência pacifista segundo a qual quem luta por um mundo sem guerra tem de agir de forma absolutamente pacífica. E recusemos a afirmação militarista segundo a qual a guerra possa simplesmente ser um meio para a paz. Fazemos política obedecendo a certos fins, que são determinados pelas nossas convicções morais, e recorrendo a certos meios, que são definidos pelas nossas decisões táctico-estratégicas. Os fins e os meios não têm de coincidir em absoluto, como exigem os pacifistas, nem podem ser simplesmente opostos, como admitem os militaristas. Devem antes exercer uma vigilância recíproca.
Que prática política de combate à troika e ao governo na actual situação poderá respeitar este princípio geral? É complicado dizer. Deixarei algumas notas a esse respeito numa próxima crónica. Nestas últimas linhas quero simplesmente solidarizar-me com todos os que foram detidos na última manifestação, incluindo o sindicalista sexagenário acusado de ter atirado pedras à polícia.
Em tempos idos, o Herman José inventou um concurso intitulado “Este homem é um Gandhi?” e que consistia numa simples prova: um concorrente chegava e era sujeito a inúmeras sevícias e provocações; se ainda assim não se revoltasse, estava encontrado mais um vencedor. A troika e o actual governo andam há meses a fazer--nos jogar este jogo. As coisas pareciam estar a correr bem até à semana passada, dia da greve geral, quando os primeiros concorrentes se revoltaram violentamente. Não eram o Gandhi. Quem for que lhes atire a primeira pedra.

José Neves, jornal i, 22.11.12

«We used to meet every Thursday»



Morphine

dos filmes


olhó blog fresquinho... é fruta ou chocolate. ou mesmo cinema e dvd.

esta folha é tua ou é impressão minha?

a nova imagem do jornal público online está muito minimalista, não é?

lisboa-folha-a-folha

quinta-feira, novembro 15, 2012

Edição exclusiva, blog singular

Todos procuramos uma edição exclusiva. Mas sem exclusividade.
Todos queremos singularidade. Mas sem lugares-comuns.
Todos lemos. Mas... Todos lemos, ponto final. 

Adelino Abrantes, Dora Batalim SottoMayor, Filipe Leal, Hugo Xavier, João Carlos Alvim, João Costa, Jorge Silva, José Afonso Furtado, Nuno Medeiros, Nuno Seabra Lopes, Rui Beja, Rui Zink e muitos editores, autores e convidados farão deste blog uma Edição Exclusiva.

Tudo no mesmo saco



Temos o saco de pano; o saco das compras; o saco de desporto; o saco azul; o saco do pão; o saco do (a)massapão (houve muito disso à volta da assembleia); o saco dos preconceitos. É de encher o saco.

Adoramos meter tudo no mesmo saco. Tomar o todo pela parte. Assegurar que uma andorinha faz a primavera. Fazer juízos de valor sobre tudo, «embora eu não seja de falar do que não sei». Podemos não ter estado lá e embora os relatos de quem lá esteve apontem uma coisa, a televisão outra, temos uma certeza inabalável do que aconteceu. Oh, se temos. Mais não seja porque temos uma história algures no passado que se adapta bem à medida do que aconteceu. (Na realidade não tem qualquer paralelo mas longe de mim falar do que não sei.)

O mundo divide-se em sacos. Ou será em pedaços? Partes? Bocados? Grupos? Etnias e religiões? Posso garantir que a culpa é dos ciganos, pretos, judeus, paneleiros, gordos, policias, nazis, comunas, tripeiros e políticos. De todos. Mas de todos mesmo. Menos dos que saem da norma. Da normalidade e vulgaridade. Crescemos a ler «todos diferentes, todos iguais» mas esse chavão só serve para colar no caderno, fazer conversa e comprar roupa nova da Benetton.

Repito: o mundo divide-se em sacos. O universo digital das redes sociais é um bom exemplo (não é o único nem representa todos, ok?) do que se passou ontem. Ou melhor, do que se passa hoje. Sinceramente, nem era necessário ter havido manifestação ou tumultos depois porque já todos tínhamos uma ideia. Já todos tínhamos posto o Outro no saco.

Num saco temos os «betinhos». São aqueles que não vão a manifestações nem fazem greves. Mais do que isso, acham que não serve para nada. Existem porque… nem sabem bem porquê. «Se eles trabalhassem em vez de andarem na boa vida o país estava bem melhor». Nesse saco também se podem guardar os que têm a certeza de que isto ia acabar com molho. «Aquilo é sempre muito violento. Nota-se que há ali gente que não está para fotografar nem beber uns copos. Ridículo.»

Noutro saco temos os que começaram a ir a manifestações porque a situação está insustentável. Desempregados ou precários. Insatisfeitos com a oferta partidária ou com o seu último voto. Com ou sem subsídio. Estão desiludidos com o sistema e tendem a confundir Estado com Governo. A culpa é de quem mesmo? Para os infelizes habitantes deste saco a culpa morre sempre solteira. E isso é perigoso. Muito.

Também temos o saco dos «profissionais da desordem». A polícia e os serviços secretos sabem bem que eles são. Sabem tudo sobre eles. Que são estrangeiros, que são portugueses, que se vestem de preto, que se vestem com cores, que têm organizações e associações para prepararem os ataques, que são anarcas, que são comunistas, que são skins, que são das claques, que são… Não deixa de ser curioso que se saiba tanto sobre eles e, contudo, não se faça nada para os impedir de estar nas manifestações. Se no mundo do futebol se obriga os perigosos arruaceiros a estar nas esquadras na hora do jogo, porque não se faz o mesmo aos «profissionais da desordem»?

O saco dos polícias é pesado. É pesado porque eles têm uma vida dura. Ganham indiscutivelmente mal para o que fazem e para as privações que sofrem. Se ganham mais do que muitos cidadãos? Claro, mas continuará a ser pouco. A polícia será sempre mal vista, pois é inevitável que haja sempre franjas com um discurso anti-sistema, e eles serão a face visível do mesmo. A polícia agiu bem nas últimas manifestações e exercícios de civismo dos portugueses. Muito bem, até. Contudo, ontem tudo foi diferente. Porquê? Será que o aumento de 11% lhes deu a volta à cabeça? Será que tal como no saco dos que vivem situações insustentáveis um dia a paciência chega ao limite? Será que 2 horas com pedradas em cima mói a cabeça a uma pessoa? É provável que seja tudo isto. Mas também é certo que houve violência policial. Houve excessos policiais (excepto para aqueles que estão no saco dos «betinhos» ou no saco da polícia).

E não há mais sacos? Se eu ou tu não fazemos parte de nenhum destes sacos é porque algo está errado, certo? Errado. Não te preocupes com isso, rapaz. Alguém há colocar-te num dos sacos. Nunca somos nós próprios que escolhemos e nos acomodamos ao saco que nos convém, é para isso que serve o saco. O saco dos preconceitos. O importante é que estejamos todos em sacos diferentes, que não exista unidade nem desejos comuns, pois só assim as manifestações estarão mais vazias, o país mais pobre e a derrota da democracia mais iminente.

E com tudo isto já enchemos o saco? Ou caímos todos em saco roto?

segunda-feira, novembro 12, 2012

quinta-feira, novembro 08, 2012

mucha policia, poca diversion

 © Banksy

A PSP está a preparar ao pormenor a visita da chanceler alemã, mas, ao público, diz apenas que as residências de Cavaco Silva e Passos Coelho são os pontos mais críticos. A subcomissária, Carla Duarte, admitiu que já recebeu informação sobre várias manifestações, mas garante estar atenta aos protestos convocados por meios informais. in Público

Meios informais como facebook, twitter, conversas de café, taxista? Ou bufos? Tenham juízo e juntem-se a nós.

música amiga

a música acalma. a música embala. a música é neurose. a música é festa. a música é regional. a música não tem nacionalidade. a pobre música - que é no fundo é tão rica -, já foi mil vezes descrita. esta música é variada, é diferente, é lisboa, é barcelona e é lima. obrigado pela música amiga, amigo.

Gunthi
(link)


Joaquim Barato
(link)

Brando Fel
(link)

  

quarta-feira, novembro 07, 2012

queres ver que os maias tinham razão?

O volume de negócios do sector livreiro português foi de 361 milhões de euros em 2010 e, apesar da quebra nos últimos anos, continua a ser “uma indústria cultural de grande relevância”, disse à Lusa o investigador José Soares Neves, do Observatório das Atividades Culturais (OAC). 

e os homens-de-barba-rija lá ganharam


os que acompanharam a contagem dos votos (quase) até ao fim. e os que votaram e seguem em modo forward. parabéns, sr. obama!

terça-feira, novembro 06, 2012

Só para homens-de-barba-rija

Chegou o dia do veredicto para os dois candidatos à Casa Branca. Depois de milhares de quilómetros percorridos, centenas de comícios e milhões de dólares gastos numa campanha que se fez até ao último fôlego, os eleitores norte-americanos são hoje chamados a decidir entre Barack Obama e Mitt Romney. E os resultados na primeira localidade a votar são pouco animadores para quem espera uma noite eleitoral curta. 

Confesso que adoro o frenesim de umas eleições. Gosto mesmo da expectativa, do aumentar da ansiedade, da quase-semelhança com o jogo de futebol que decorre do outro lado do mundo e não depende nada, mesmo nada, de nós. Hoje vai ser um jogo rasgadinho. Só para homens-de-barba-rija. Aposto num:


Para ir pintado o mapa com a realidade (link). Ah, e boa noite!

e se Cavaco for o nosso Mitterrand?

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muito mais do que Lisboa nos anos 60


Da entrevista ao Pantera Negra à inacreditável história de Carlos Gomes, o guarda-redes acusado de violação que foge no intervalo de um jogo dentro da bagageira de um "boca de sapo", o grande Rui Miguel Tovar assina todos os textos sobre desporto do Lx60. Menos dois, ambos escritos pela Joana: a história do primeiro surfista português e a do começo do Totobola. Daí a reacção do RMT quando ia no metro a ler o livro e deu de caras com o já famoso "1X2": não tínhamos falado com ele e ele tinha o primeiro boletim, uma preciosidade, que se apressou a enviar-nos digitalizado por mail. Pois bem, é para isso que serve este blogue. Aqui fica o primeiro boletim - com um bónus: a chave vencedora, cheia de surpresas, nada fácil de adivinhar. Totalistas, só um: um estudante de Vila Real, que recebeu 224 contos, uma bela maquia. O 13 na estreia do Totobola:

1. Olhanense – Sp. Covilhã: 1
2. Salgueiros – Académica: 2
3. Leixões – Benfica: 2
4. Sporting – Lusitano: X
5. Beira Mar – Porto: X
6. Guimarães – Atlético 2
7. Belenenses – CUF: 1
8. Oliveirense – Sporting de Braga: 2
9. Caldas – Torriense: 1
10. C. Branco – Espinho: 1
11. Barreirense – Seixal: 1
12. Beja – Farense: 2
13. Portimonense – Campo Maiorense: 1


Este livro é uma preciosidade. É um mimo. É um must. É uma deliciosa viagem ao passado. À minha Lisboa, que aqui se apresenta tão cheia de histórias e pormenores deliciosos. Já são mais de dois anos de volta dos livros e nunca tinha tido tanto prazer em editar um livro (mesmo que o menino tenha vindo quase todo feito). Joana e Nick materializaram neste livro uma forma de pensar a palavra, a imagem e o contar uma história, do mesmo jeito que o jornal i faz. Mas foram mais além. Muito mais. Este livro é uma benção no mundo editorial actual. É cuidado e arrojado. É do passado e do presente. Este livro é muito mais do que Lisboa nos anos 60. E isso é tão bom. Obrigado a todos os que o concretizaram.

Lisboa, anos 60 - A vida em Lisboa nunca foi mais a mesma
Joana Stichini Vilela
Nick Mrozowski
e muitos outros
Dom Quixote
€ 22,41 (aqui)