quarta-feira, janeiro 04, 2012

três dias pela frente são três dias a mais do que antes.

estes são os três dias que ninguém quer ver no calendário. são o sentir que o chão desaparece por debaixo dos nossos pés. nada mais existe. não falo de sonhos. nem daquelas utopias lá longe. daquelas que se escrevem em livros que tão poucos leem, e menos ainda executam.
não tragas a bomba para aqui. nem as palavras inflamadas. hoje quero apenas ouvir o teu lamento e encontrar uma palavra que ajude. que torne a ausência em presença. o medo em força.
são três dias pela frente. e nem sei se eles são mesmo três dias. se são dias ou noites em branco. a incerteza é assim: uma antimatéria desconhecida. falo de sentimentos e impressões, deixo as certezas matemáticas de parte. à parte. tal como te sentes. um livro velho a ser guardado numa prateleira empoeirada. é o fim da livraria. é o fim do percurso. talvez não. digo-te que não. e, contudo, não sei.
hoje o frio faz mais frio. o sol é mais céu azul de inverno e menos calor. é uma estrela que não faz sentido elogiar. hoje o dia escorreu pelo relógio abaixo. tal como as lágrimas que se cruzaram entre corredores e caixotes preenchidos à pressa. hoje as mesas ficaram mais vagas, as cadeiras mais a mais.
é tão negra a realidade, que não há mais roubos que façam sentido. as palavras que tiro a eito, que ceifo páginas fora, são vãs. não passam nada. que interessa a economia, a política, a dicotomia esquerda-direita, se tudo pode mudar de um dia para o outro. não sou eu. ou até sou eu. é a sensação de impotência no olhar do outro. a rua está ali. ao abrir da porta, ao tocar do telefone.
não nascemos preparados para isto. para os adeuses inesperados. são três dias pela frente. são três dias a mais do que antes.

Sem comentários: