quinta-feira, março 01, 2012

fim de tarde

é um novo fim de tarde, este. é o regresso ritmado à noite que insiste em meter medo. chove. e se há meio mundo a festejar a vitória de um deus desconhecido, há outro que chora a terra que já não é seca. ninguém sabe o que ela sente realmente, talvez porque ninguém a conhece verdadeiramente. na sua mais pura essência.
ela desliga o telemóvel. apaga as luzes do escritório. ouve os passos dos colegas e uma ou outra conversa. já não gosta disto. quer a solidão.
sai. desce pelas escadas. entra no carro e foge. chove.
abre a porta de casa. apaga todos os eletrodomésticos, dos velhos comprados a prestações aos novos pagos a pronto.  chove. tem pena. sempre gostou de passar os dedos na terra africanamente seca. tem saudades dele. ele dava-lhe vida. ele era o amante perfeito da água que escorria no vidro. chove. ninguém esperava que agosto fosse assim. nem ela. este é um agosto que cheira demasiado ao regresso às aulas. e, contudo, chove.

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