quinta-feira, março 22, 2012

Portugal não é a Grécia

© Reuters

E não o é porque somos realmente diferentes. Esse é o facto, mas as razões são bem opostas às que o governo ou alguns opinadores profissionais procuram fazer crer . Temos traços culturais e problemas económicos estruturais dispares. Mesmo que no fim pareça tudo igual. Somos diferentes e não é para estarmos à tona mais alguns dias.

Portugal não é a Grécia. E eu não quero violência nas ruas. Quero recuperação económica, aposta e investimento na cultura e educação. Educação nas escolas e, sobretudo, cívica. Cultura nos teatros, nos cinemas, nas livrarias, no livre acesso à mesma. Quero uma cultura de paz e não de violência.

Portugal não é a Grécia. E, contudo, somos todos iguais. Tal como os alemães, franceses e outros. Esquece aquela conversa repetida ao expoente da loucura nos media, aquela que diz que eles não são europeus e não nos sentem como tal. Se os governos não fazem um povo, muito menos o faz alguma comunicação social.

Portugal não é a Grécia. Mas estamos todos no mesmo barco. O destino? Acabar com a fuga ao fisco, com a não tributação das mais valias e fuga de capitais. Com o desinvestimento na saúde, rumo aos Estados Unidos. Em Portugal, na Grécia, em todo o mundo. Porque só com a ajuda de todos pode haver uma real redistribuição da riqueza. Não será hoje, nem amanhã. Mas pode acontecer.

Portugal não é a Grécia. Porém, tenho uma certeza: hoje não fomos um país civilizado! Ninguém pode tolerar que um jornalista seja agredido pela policia. Nem que fosse como resposta a algo provocatório. Portugal merece mais e urgem respostas do governo. O que aconteceu hoje tem de ser punido e não falo da cabeça dos policias em causa. Falo da mesma lógica agressiva e violenta que esteve por detrás de confrontos com as forças de autoridade na primeira metade da década de 90. Não estamos a falar de acaso e coincidência mas de atitude e forma de lidar com as opiniões contrárias.

Portugal também é a Grécia.

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