segunda-feira, abril 30, 2012

Indie 2012 - this is just the beginning

Into The Abyss
Werner Herzog

E assim começa o Indie 2012. Quase como se não tivesse parado, recomeçam as viagens a diferentes cinematografias, registos e olhares, até mesmo a abismos alheios. Se cinema é morte e vida, filmar a pena de morte é, quase sempre, um tema incontornável. Werner Herzog fá-lo o mais imparcialmente possível. É essa a sua intenção, o procurar não tomar partido numa questão tão fracturante quanto a morte.
Se todos morremos, apenas alguns aceleram o processo e matam, mais ainda menos são aqueles que recebem a pena capital por isso. Dead Man Walking é de 1995 e, no entanto, é actual. Mais do que isso é uma história ficcional bastante semelhante ao caso revelado no novo documentário de Herzog. Onde tínhamos Louisiana, temos agora Texas. Onde havia um assassínio de um jovem casal, vemos agora uma mãe e dois adolescentes. Onde Deus se torna a solução para a redenção, encontramos agora a redenção em Deus. A religião é a fuga em ambos os filmes. Também a banda sonora é semelhante, mas isso são apenas pormenores. Serão? E há alguns apontamentos de humor, o que nem é difícil, porque o que se passa no Texas, não fica no Texas.´
O meu reinício de Indie foi assim, a saber a pouco. Talvez amanhã…

Wild Thing
Jérôme De Missolz

Não foi sexta, foi sábado, e já era quase domingo. A hora era tardia mas a música acelerada ou até revoltosa, garantia o efeito-cafeina necessário.
Porém, Wild Thing é uma viagem relativamente previsível ao mundo do rock, através do olhar e amor de Jérôme pela música. Estão lá todos, ou quase, os nomes obrigatórios da segunda metade do século XX no estilo musical que indiscutivelmente marca este período. Há uma lógica cronológica e um foco ocasional em certos registos – ou estilos – que não podem passar indiferentes. Este documentário é um must para quem apenas agora chegou ao mundo da música. E isso pode acontecer a alguém?
Em suma, gostei, mas apenas q.b. E fica ainda mais uma dúvida: Não poderia este filme ser mais wild?
Andrew Bird: Fever Year
Xan Aranda

Chove lá fora. Cá dentro há azia. Podia deixar-me ficar doente e assim continuar. Andrew Bird fica doente muitas vezes. É curioso. Ainda ontem, no Wild Thing, era dito que os artistas têm de estar incompletos, doentes, imperfeitos. A música, tal como as outras artes, completa o que falta (ou falha?) aos seus intérpretes. A música completa a vida dos que a ouvem. A música completa…
Fever Year é um documentário sobre um homem, sobre um homem + uma banda + uma tournée.  A equação não é tão simples, muito menos simplista, como se pensa. E Andrew Bird não é um autor e músico vulgar. Felizmente, confesso. Pelo contrário, este documentário é simples. É agradável porque vive da música e tem bons planos, mas isso não compensa algumas falhas técnicas do filme.
Andrew Bird merecia melhor. Eu também, que o dia nem me estava a correr bem…

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