quarta-feira, junho 27, 2012

Acções por demais necessárias

Como não percebo nada de estratégia, táctica, tácticas ou contra-tácticas, a minha solução para o Cristiano Ronaldo ganhar à Espanha passaria necessariamente por tentar anormalizar um jogo cujo desfecho natural, por conclusão decorrente ao somatório de valores individuais em campo, só pode descair para o lado da potência imperialista de Madrid. Apostaria no factor físico: Xavi parece-me todo roto, Iniesta está numa fase da carreira tão madura que já nem precisa de pensar para jogar bem (e isto é mau), Piqué continua enigmático (abandonou os passes verticais de 30 metros que, por serem feitos por um central, tanto desequilibram os processos defensivos dos adversários - e o jogo de Xavi beneficiou muito dos buracos que assim se abriam para ele depois meter o seu jogo em acção), Fabregas e Fernando Torres estão a amortizar a dívida física gasta início das suas carreiras; talvez Busquets e Silva sejam os únicos jogadores competentes dentro de forma (já que Jordi Alba, estando embora numa forma do caralho, não vale ele próprio um caralho, portanto nada a recear dali), mas estas são pessoas que não se tocam em campo, e portanto em nenhum momento as suas forças poderão entrar em fase e reforçar-se ao ponto de formar uma ameaça séria ao Cristiano Ronaldo. A minha ideia é aproveitar os míticos dois dias de descanso a mais - dois dias que nos repousam mas não diminuem a intensidade psico-motora (que mesmo que sem capacidade para produzir efeitos práticos, já se falou tanto neles que passaram a existir fora da caverna) - e a fadiga existencial das estrelas espanholas, para mandar o Cristiano Ronaldo para cima deles desde o primeiro momento. Proponho até uma meta: não começar a descansar antes de termos 3 ou 4 gajos com amarelos e afiambrado seriamente em 10 espanhóis. Um projecto destes tem que necessariamente ser levado a cabo nos primeiros 25 minutos, para não dar tempo ao árbitro de perceber o que é que se está a passar; também é importante que não fiquemos com esperanças, pois o Cristiano Ronaldo pode correr o risco de ceder à ilusão de que está tudo a correr bem (não está, contra a Espanha as coisas nunca estão à beira de correr bem ao Cristiano Ronaldo). Depois, ao fim desse tempo de tempestade tropical, a acalmia: recuar para a defesa, e esperar por eles da maneira como o Cristiano Ronaldo sabe e gosta e como só o Cristiano Roanldo gosta e sabe tirar proveito. Nas minhas contas, uma maquineta destas provocará um golo do Cristiano Ronaldo aos 70 minutos, contra nenhum sofrido. Chegamos pois ao locus em que, no meu entender, o Cristiano Ronaldo será posto perante a charada de mais difícil resolução deste campeonato: como evitar que, nestes últimos 20 minutos, os espanhois rematem à baliza bolas que não vão contra os postes ou o Rui Patrício, pois, como se tem vindo a comprovar, o Rui Patrício não é guarda-redes para fazer defesas de bolas que tenham a intenção de entrar na baliza seguindo caminhos que, no momento do remate, não vão coincidam com a sua posição (ao menos não é como o Ricardo, que assim que detetava a aproximação de um cruzamento ia à Fnac tratar de um problema com o cartão; no fundo, o Ricardo nos cruzamentos pré-figurou Paulo Portas no Governo). Como serão só 20 minutos, trabalhar a sorte é um caminho; mas também podemos retomar o plano dos primeiros 20 minutos, e voltar a afiambrar a sério. É aqui que eu acho ter uma maquiavilice para propôr: lembram-se que temos 4 ou 5 gajos amarelados, certo?; pois bem, escolhamos um deles e distribuemos-lhe a tarefa de voltar a re-afiambrar nos espanhóis; e até quando?; até à expulsão. Sim, proponho que o Cristiano Ronaldo jogue só com dez jogadores nos últimos 20 minutos de jogo. E Porquê? Porque, como se sabe, a Espanha não passa de um Barcelona desinfectado do Messi, e, se bem se lembram, se há coisa que o Barcelona se convenceu é que não sabe jogar contra dez. A falta da expulsão necessita de ser uma coisa bem feita: tem que provocar um tramatismo, e não uma lesão grave; tem que acontecer quando os espanhóis ainda têm uma substituição para fazer, ou então não provocar a saída do jogador alvo da falta (lembrem-se que é essencial estarmos com menos um). Esta é uma tarefa, como é óbvio, para o Cristiano Ronaldo João Pereira. O João Pereira é um dos melhores fazedores de faltas em actividade: é, primeiro que tudo, um impulsivo calculista: é capaz de andar seis meses a planear pisar a maça de adão de uma pessoa (fotografias dos filhos da vítima a sair da escola incluidas), mas depois quando o faz não restam dúvidas a ninguém que impulso eléctrico da acção nunca passou pelo cérebro; odeia profundamente o tronco e os membros das pessoas, mas nunca o ser humano; afiambra de modo doloroso, por vezes excruciantemente, mas nunca aleijou, nem nunca aleijará ninguém; é, em resumo, o maior açoiteiro desde o André (não confundir com azeiteiros, como Paulinho Santos ou Dani Alves), um génio da reprimenda física futebolística. No fundo, João Pereira é um reconhecido educador, e quando o Iniesta acordar da joelhada que o João Pereira lhe deu nas costas será possuído pela conclusão lógica: "a culpa foi minha". Agora, com menos um e o melhor jogador espanhol a coxear das costas, só temos que resolver o problema de quem vai fazer de defesa-direto na final.

 Maradona in A Causa foi Modificada

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